
A recompensa por incentivar o Estudo da Torá
Para algumas famílias, o desafio é ainda maior, quando precisam decidir se enviarão seus filhos para outra cidade, ou até mesmo para outro país, para estudar, cumprindo a Mishná (Avot 4:14): “Exila-te para um lugar de Torá.” Naturalmente, isso é difícil para os pais, que anseiam pela presença dos filhos e frequentemente dependem de sua ajuda.

O Conselho de uma Avó
R’ Moshe Halberstam de Kivyoishd contou-me que sua avó, a Rebetzin, estimada esposa de R’ Baruch de Keshanov, vivia na cidade de Keshanov.
Entretanto, ele passou a infância em Viena, bem distante, e por isso via sua avó apenas raramente.
Mesmo assim, sempre que se encontravam, ela o aproximava com grande carinho, pois o amava profundamente. Tanto que, quando sua tia se casou em Bobov, sua avó insistiu que seu pai o levasse junto, para que ela pudesse vê-lo.
Porém, apesar de todo esse afeto, quando ele tinha onze anos e sua avó veio a Viena pela primeira vez para tratamento médico, ele foi naquela noite até o local onde ela estava hospedada, perto de sua casa, esperando passar um tempo com ela. Mas ela não permitiu que ele ficasse muito tempo. Em vez disso, disse-lhe:
“Em uma noite de inverno, uma criança deve perder tempo?! É preciso ir ao Beit Midrash para estudar!”
Essas palavras de orientação, ditas por uma avó que o amava tanto, ficaram gravadas em seu coração por toda a vida, servindo como uma lição permanente para estudar com dedicação durante as longas noites de inverno.
O Papel de uma Mãe
Esta história é um belo exemplo da conduta correta de mulheres justas, que compreendem a grande responsabilidade que carregam de incentivar seus familiares a estudar Torá. Como explica o Maharsha (Bava Basra 121a), há consequências severas para uma mãe que, por uma compaixão mal direcionada, deixa de orientar seu filho a estudar durante as longas noites de inverno.
Mulheres justas sacrificam tempo de qualidade com suas famílias e, por isso, merecem gerações de descendentes retos e abençoados.
Incentivar os filhos a passarem menos tempo em casa para se dedicarem ao estudo da Torá é um grande desafio para muitos pais. Não é fácil enviar um filho a uma yeshivá ou seminário, onde passam longas horas todos os dias estudando, muitas vezes acrescentando ainda mais tempo no Beit Midrash.
Para algumas famílias, o desafio é ainda maior, quando precisam decidir se enviarão seus filhos para outra cidade, ou até mesmo para outro país, para estudar, cumprindo a Mishná (Avot 4:14): “Exila-te para um lugar de Torá.” Naturalmente, isso é difícil para os pais, que anseiam pela presença dos filhos e frequentemente dependem de sua ajuda.
Mesmo assim, os pais devem lembrar que, por meio desse sacrifício, conquistam uma recompensa imensa. Como ensinaram nossos Sábios (Berachot 17a), as mulheres recebem uma porção única e elevada de recompensa celestial por enviarem seus filhos e maridos para estudar Torá, permitindo que aprendam até mesmo em uma cidade distante, e depois aguardarem pacientemente o seu retorno.
A Recompensa por Incentivar o Estudo da Torá
Rabeinu Yonah escreve em Igueret HaTeshuvá (Discurso 3, seção 72) que é por isso que, antes da entrega da Torá, Hashem se dirigiu primeiro à “Beit Yaakov” — as mulheres — antes de falar com os homens. Pois são as mulheres que enviam seus filhos para estudar Torá, que demonstram compaixão quando eles retornam da escola, que os aproximam com palavras gentis para que desenvolvam amor pela Torá, e que cuidam para que não negligenciem seus estudos. Dessa forma, são as mulheres que garantem a própria continuidade da Torá.
Da mesma maneira, o Shulchan Aruch (Yoreh Deah 246) ensina que aquele que sustenta outros em seu estudo da Torá cumpre a mitzvá de Talmud Torá como se ele próprio tivesse estudado. Os comentaristas explicam que a mitzvá do estudo da Torá inclui a responsabilidade de aumentar o conhecimento da Torá no mundo. Portanto, quem possibilita que outros estudem cumpre esse aspecto da mitzvá e recebe a grande recompensa prometida por essa obrigação elevada.
Encontramos também (Ketubot 63a) que Rabi Akiva disse a seus alunos a respeito de sua esposa Rachel, que o incentivou a deixar o lar e dedicar muitos anos ao estudo e ao ensino na yeshivá:
“O que é meu e o que é de vocês é dela.”
Rashi explica que ele quis dizer que a Torá que eu aprendi e a Torá que vocês aprenderam foi toda por mérito dela. Em outras palavras, já que ela foi a força motriz por trás do estudo, é considerado como se ela mesma tivesse estudado.
Por essa razão, nossos Sábios ensinaram (Ketubot 111b) que aquele que casa sua filha com um estudioso da Torá, ou que sustenta um estudioso da Torá, é considerado como se estivesse ligado à Shechiná. Assim como quando uma pessoa estuda Torá, Hashem — por assim dizer — vem àquele lugar e faz com que a santidade repouse ali, da mesma forma, quando alguém incentiva e possibilita que outros estudem Torá, atrai sobre si essa mesma santidade, como se tivesse estudado ele próprio.
Uma Presença Sagrada
Com base nisso, R’ Naftali de Ropshitz explicou em sua obra sagrada Zera Kodesh sobre o versículo (Bamidbar 5:10):
“E as coisas sagradas de um homem serão suas.”
Uma pessoa que leva outros a se santificarem com santidade, adquirirá essa mesma santidade, pois Hashem lhe concede uma santidade elevada como resultado disso.
Da mesma forma, encontramos (Rashi sobre Bereshit 18:1) que Hashem revelou-Se a Avraham Avinu nas planícies de Mamré, porque Mamré havia encorajado e fortalecido Avraham a cumprir a mitzvá do Brit Milá publicamente, sem temer os zombadores. Pelo mérito desse incentivo, Hashem revelou-Se ali.
Com base nisso, podemos explicar claramente o que encontramos na parashá:
Lavan e Betuel viram com seus próprios olhos que o shiduch entre Yitzchak e Rivka era claramente orquestrado por Hashem. Por isso, concordaram em enviar Rivka a Yitzchak, para que ele pudesse se casar e estudar Torá da melhor maneira possível. Ao superarem o escárnio dos moradores locais, que zombavam deles por concordarem com isso, e ao possibilitarem que Yitzchak se dedicasse à Torá, mereceram que, naquele exato momento, o próprio Hashem viesse e fizesse Sua santidade repousar sobre eles.
Assim, a Torá declara imediatamente:
“E quando o servo de Avraham ouviu suas palavras, prostrou-se por terra diante de Hashem.”
Eliezer compreendeu que a decisão deles havia feito com que a Shechiná repousasse naquele lugar, e por isso se prostrou em reverência diante de Hashem.
Texto escrito pelo Kalever Rebe-




2/20/2026
Muito obrigada pelo conteúdo. Concordo com tudo. E uma mulher justa que incentiva seus filhos e próximos a estudar a Torá prorrogará a sua vida em paz porque tranquilizará-la do destino dos seus amados, porque sabe que quem anda na Lei, terá uma vida boa e longa.