Com o coração aceso

Por isso, antes de falar sobre o nível elevadíssimo de clamar a Hashem, que traz salvação imediata, é importante esclarecer que a primeira etapa do trabalho da vontade é despertar o coração para sentir perigo.

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Dennis Rosen

Posted on 24.02.26

No livro Kochavei Or, Rabi Avraham ben Nachman HaLevi Chazan conta que certa vez Rebe Natan de Breslev falou sobre o tremendo fogo que ardia no coração do Patriarca Avraham, que foi a primeira pessoa a servir o Criador dia e noite com total devoção, a fim de tornar Seu Nome conhecido no mundo.

No meio da aula de Rebe Natan, um dos presentes exclamou com tristeza:
“Onde podemos encontrar alguém assim hoje em dia?”

Rebe Natan o repreendeu, dizendo:
“Você também tem esse tipo de coração. O problema é que você não o acende!”

E acrescenta Rebe Avraham:
Isso acontece porque cada pessoa, inclusive a de nível mais baixo, possui livre-arbítrio. Cada pessoa pode alcançar o nível mais elevado. Como afirmam nossos Sábios:
“Cada pessoa deve dizer: ‘Quando minhas ações alcançarão o nível das ações dos meus antepassados?’” (Tana Devei Eliahu Rabá 25).

Devemos seguir os passos dos nossos antepassados e despertar nossos corações, para que possamos rezar com o mesmo sentimento de perigo intenso que eles sentiam ao rezar.

Por isso, antes de falar sobre o nível elevadíssimo de clamar a Hashem, que traz salvação imediata, é importante esclarecer que a primeira etapa do trabalho da vontade é despertar o coração para sentir perigo.

Quando uma pessoa que precisa de salvação sente imediatamente que, sem essa salvação, está correndo um perigo terrível, sua reza se transforma num grito por socorro imediato e Hashem responde na mesma hora.

Mas, se ela não sente esse perigo, isso significa que não há urgência.
Sim, ela quer ser salva, mas esse desejo não está queimando dentro dela. Ela está viva, respirando, aparentemente está tudo bem e reza assim. E então Hashem responde da mesma forma: já que ela não tem pressa pela salvação, Hashem também não tem pressa em concedê-la.

Porém, é difícil para a pessoa visualizar o perigo com cem por cento de intensidade. É muito difícil sentir um perigo real quando se está em terra firme, com comida na mesa e tudo de bom em casa.

No âmbito espiritual, a pessoa sente que está cheia de mitzvot como uma romã está cheia de sementes: estuda Torá, cumpre mitzvot, passa uma hora fazendo hitbodedut e meia hora trabalhando a vontade. Então ela sente que está tudo bem.

Ela diz:
“É verdade que ainda peco, que ainda tenho desejos físicos e traços negativos de caráter, que sou viciado em cigarro, que fico nervoso o tempo todo… Mas, no geral, estou bem e tenho muitos motivos para estar feliz…”

E o trabalho da vontade dela corresponderá exatamente a essa sensação. Sua reza é respeitável, mas não é urgente. É como se dissesse:
“Senhor do Universo, quando tiver um tempinho, me ajude a anular minhas paixões físicas…”

Na verdade, é correto nos sentirmos felizes com o que Hashem nos deu e procurar o lado bom da vida. É perfeito alegrar-se com o que temos e sentir satisfação ao longo do dia.

Mas, no momento do trabalho da vontade, a pessoa precisa visualizar que cada pecado cometido e cada traço negativo de caráter estão literalmente destruindo-a e são, de fato, morte.

Em relação ao seu objetivo eterno, a pessoa deve sentir-se como alguém com uma doença terminal, em enorme perigo, à beira de morrer de fome e sede.

Se você conseguir visualizar mesmo que apenas vinte por cento da adversidade e do perigo, isso já é um grande progresso e suas rezas terão muito mais força.

E quanto mais você conseguir imaginar o perigo de forma concreta, com imagens vívidas, mais poderosa será sua reza. Porque, conforme o seu sentimento, assim será a resposta à sua reza.

Mas saiba: você não pode dizer a Hashem “Resgata-me e salva-me agora mesmo” se não sente o perigo mortal na própria carne.

Por isso, o primeiro passo é desenvolver um profundo anseio: querer, desejar e se esforçar para estar cem por cento consciente do perigo.

E então, sim, você poderá pensar na possibilidade de mudanças imediatas.

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