clarice foi tão certeira quando escreveu que a “saudade é um pouco como a fome”. eu não sinto fome toda hora e não controlo quando quero sentir. a saudade só surge. como um alerta para uma necessidade do corpo. e parece que não vai passar nem mesmo se eu comer a sua presença.
quando você passa pela dor de entender que também erra muito feio e que nem mesmo seu arrependimento mais sincero vai conseguir restaurar o que você quebrou porque não pode interferir nas razões do outro e agora precisa conviver com o luto de algo que você mesmo matou em vida
tem um escrito da clarice que me pega muito. diz ela: “farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas”. triste como um sentimento benevolente como amor nos cobra um equilíbrio delicado entre amar e não se perder nas expectativas que o amor gera.
quando o cazuza canetou “de repente, a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua, que vai ficando no caminho” e resumiu a agonia que é crescer em pouquíssimas linhas.
quando Mitski escreveu "nada no mundo me pertence além do meu amor, que é todo meu" e me fez passar dois dias refletindo em como não levarei nada desta a vida além da lembrança dos rostos que eu amei e os rostos que tentei amar, ainda que sozinha.
depois que eu li a frase “às vezes você está tão presente que fica invisível” eu meio que nunca mais fui a mesma. ainda é difícil me tirar das situações onde eu estendo meu coração para fora do peito em um ato de amor e ninguém se oferece para segurar.
todo mundo da bolha já sabe dessa história mas no dia que eu saí com um menino (maior de idadeok) fomos comer um lanche, ele se OFERECEU pra pagar meu lanche e no final do date mandou mensagem me COBRANDO o PIX no valor de 20 reais porque o dinheiro era da mãe dele:
quero aprender francês quero aprender italiano quero fazer uma segunda graduação quero morar fora do país quero fazer mestrado quero fazer doutorado quero casar quero ser mãe
saudade para mim é um tanto clarice lispector quando escreveu "saudade é um pouco como a fome". você não sente fome toda hora. e não precisa ver a comida para sentir. ela só surge. como uma necessidade do corpo. e neste caso, como uma necessidade em reviver o que foi real um dia.
pauta familiar do almoço de hoje: pessoas cheirosas são MUITO mais atraentes.
meu pai falando pro meu irmão que quando ele era adolescente ele passava perfume nele INTEIRO com a certeza de que ele podia até ser feio, mas atraía as meninas pelo cheiro.
e a Clarice Lispector que descreveu tantos de nós ao escrever:
eu nunca fui livre na minha vida inteira. por dentro eu sempre me persegui. eu me tornei intolerável para mim mesma. vivo numa dualidade dilacerante. eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.