Treinando a minha Emuná

Podemos ignorar as necessidades da alma por anos, mas, cedo ou tarde, pagamos o preço: com tristeza, com depressão, com raivas incontroláveis, com preocupação e ansiedade constantes, com reações explosivas que assustam justamente as pessoas que mais amamos.

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Rav Lazer Brody

Posted on 12.05.25

Há tantas dietas da moda circulando por aí, tantas dietas que não funcionam ou que fazem mais mal do que bem, ou que funcionam, mas apenas por um curto período…
 
Nos últimos meses, comecei a me concentrar bastante no tema da alimentação saudável e de manter uma dieta nutritiva. A verdade é que nunca fui alguém que comesse três croissants no café da manhã; também não gosto do sabor do café; também não fumo nem bebo álcool; mal faço comida frita… e, até pouco tempo atrás, pensava que era uma pessoa bastante saudável.
 
Sempre evitei fazer todas as coisas que não são recomendadas se a gente quiser se manter saudável. Já faz vários anos que uso apenas azeite de oliva super saudável para todas as comidas, bolos e pães que preparo. No ano passado, parei de usar farinha branca e comecei a usar farinha de trigo integral. Faz uma eternidade que não compro uma garrafa de Coca-Cola ou Coca Diet; deixei de usar glutamato monossódico há mais de cinco anos e jamais, mas jamais, uso margarina.
 
Logo, eu deveria ser uma pessoa incrivelmente saudável, não é? Eh… bom… não. Mas por quê? Porque, embora tenha sido um bom começo não comer hambúrgueres todos os dias e usar sal com moderação, isso era apenas metade da equação: a metade que chamaremos de Preceitos Alimentares Negativos — o “não faça”.
 
Isso queria dizer que eu estava evitando muitos dos problemas crônicos de saúde que afetam aqueles que realmente comem porcarias, como obesidade, problemas de pele, enxaquecas e todas as outras consequências do consumo de café, açúcar e produtos químicos… mas eu não era exatamente o que se chamaria de “uma pessoa saudável”.
 
Então HaShem me enviou um chamado de atenção para que eu deixasse de ser tão complacente com a minha dieta e, depois de várias semanas refletindo se a alimentação era realmente um tema tão importante, de repente percebi que sim, era.
 
Estava tudo bem em me preocupar em seguir “todos os preceitos negativos”, mas para me sentir realmente bem, para ter energia, para estar no meu nível ideal, eu também precisava começar a observar a outra metade da equação, ou seja, os “preceitos alimentares positivos”.
Todos sabemos quais são esses Preceitos: beber mais água; comer muitas frutas e verduras, incluindo brotos de todo tipo de semente; comer em horários fixos do dia, etc.
 
Quando comecei a cumprir as duas partes da equação da “alimentação saudável”, realmente comecei a me sentir muito melhor, graças a D’us. Mas no começo, recebi muitos comentários e “resistência” dos céticos que não achavam que comer sementes, espinafre, repolho fermentado e evitar açúcar, cafeína e chocolate o máximo possível fossem coisas tão importantes…
 
Eu entendi de onde eles vinham, porque durante muito tempo também fui muito desconfiada com os “naturebas” e achava que esse assunto beirava o fanatismo. Mas depois me aprofundei mais no tema e percebi que todas essas coisas realmente fazem uma grande diferença, afinal…
 
Naquele momento percebi que minha experiência com a alimentação saudável (ou chamemos de “saúde física”) é de certa forma um espelho da experiência com a religião que tantas pessoas têm (ou “saúde espiritual”).
 
Há tantas dietas da moda circulando por aí, tantas dietas que não funcionam ou que fazem mais mal do que bem ou que funcionam apenas superficialmente e por pouco tempo. Então, o que acontece? As pessoas ficam muito desiludidas com toda essa enrolação e decidem que é melhor continuar do jeito que estavam do que embarcar na “Dieta de Atkins”, ou na “Dieta de South Beach” ou na “Dieta da Toranja”…
No ponto de vista espiritual, há tantas “religiões da moda” circulando… Todas, exceto uma, provaram ser ineficazes, causar mais mal do que bem ou funcionar de maneira superficial e limitada.
 
Então, as pessoas inteligentes desistem, porque pensam: “Eu não assalto velhinhas na rua para roubar o colar de ouro delas, nem sou infiel à minha esposa; também não roubo… Isso já é suficiente”. Esses são os “preceitos espirituais negativos”, mas, como vimos que ocorre com a alimentação e a saúde física, isso é só metade da equação e simplesmente não basta para manter a saúde espiritual em bom estado a longo prazo.
 
O Judaísmo é de origem Divina; os 613 preceitos dos judeus e as Sete Leis de Noach para os não judeus foram criados por D’us para que desfrutássemos da melhor saúde espiritual possível, ou seja, para que fôssemos felizes, tranquilos, sorridentes, agradecidos, otimistas e serenos. Cada Preceito atua sobre uma parte diferente da alma, mas se alguém quiser manter sua alma nas melhores condições, o alimento espiritual mais importante é a “Hitbodedut”: falar com D’us, com as suas próprias palavras, no seu próprio idioma, como se Ele fosse o seu melhor amigo!
 
Hitbodedut é o equivalente espiritual do repolho fermentado, do suco de cenoura, dos brotos de alfafa, do pão integral e das beterrabas: tudo em uma única “pílula”.
A pessoa que fala com D’us de forma constante desenvolve uma grande Emuná (fé no Criador), que é a mais poderosa garantia de saúde espiritual (e física…)!
Há tantos céticos por aí… Dizem que a Hitbodedut e os ensinamentos de Rabi Nachman não alcançam tudo o que se diz. Dizem que a maioria das pessoas se vira muito bem sem o Hitbodedut (assim como as pessoas que comem doces e batatas fritas se viram bem… até o primeiro ataque cardíaco, D’us nos livre, ou o primeiro diagnóstico de Diabetes Tipo 2…).
 
Mas sabe de uma coisa? Os céticos na verdade não sabem do que estão falando. Nunca tentaram, e se tentaram, foi por uma ou duas semanas e então desistiram.
Com o tema da alimentação saudável, percebi o que se esconde por trás de todo o ceticismo: as pessoas têm dificuldade em mudar. Mudar os hábitos que adquirimos é muito difícil, mesmo quando sabemos que esses hábitos literalmente estão nos matando. Na verdade, é praticamente impossível mudar, porque a verdade é que não estamos no controle de nós mesmos. Quem está no controle sobre nós é a Má Inclinação (o Yetser Hará).
E isso assusta…
 
A maioria das pessoas sabe o quanto é difícil se controlar. Querem se controlar, mas é difícil demais, complicado demais, exige esforço demais… Pense em todos que fazem a dieta “iô-iô”. Têm tanto desejo de emagrecer, mas não conseguem manter a dieta por mais do que algumas semanas. O mesmo ocorre no campo espiritual — a menos que você peça ajuda a D’us. Essa é a única forma de se manter firme no programa. Todos os dias, quando termino minha hora de Hitbodedut, peço a D’us que me ajude a fazer Hitbodedut novamente no dia seguinte. E Ele me ajuda. Garanto que me ajuda.
 
O espiritual sempre reflete o material. Aquilo que se interpõe no nosso caminho quando queremos comer de forma saudável é o mesmo que se interpõe quando queremos nos aproximar de D’us.
A sociedade de hoje em dia é tão pouco saudável e está produzindo tantos “doentes” que quase perdemos a esperança. Mas Rabi Nachman de Breslev nos ensina que não existe o desespero no mundo. Existe uma cura para tudo o que nos dói, tanto na alma quanto no corpo, e essa cura se chama Hitbodedut — a Reza Pessoal em Isolamento.
 
O corpo não se torna saudável da noite para o dia. A alma também não. Leva tempo, esforço, perseverança e, acima de tudo, clareza mental para saber aonde você está indo com suas decisões.
Se você escolher comer hambúrgueres ou fumar um maço de cigarros por dia, mais cedo ou mais tarde vai pagar o preço. O mesmo acontece com a alma. Podemos ignorar as necessidades da alma por anos, mas, cedo ou tarde, pagamos o preço: com tristeza, com depressão, com raivas incontroláveis, com preocupação e ansiedade constantes, com reações explosivas que assustam justamente as pessoas que mais amamos.
 
Não é fácil mudar. Pergunte a qualquer viciado em televisão que foi correr pela primeira vez; pergunte a qualquer viciado em McDonald’s que, de repente, teve que começar a comer salada. Mas a mudança é possível.
 
Imagine-se feliz. Imagine-se tranquilo. Imagine-se rodeado por pessoas que te amam e que você ama. Mantenha essa imagem na mente e vista o seu equipamento de ginástica espiritual. Chegou a hora de treinar o músculo da Emuná!!

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