Os buracos da Rejeição

Quase um ano de terapia e ainda não sei lidar com esse sentimento que, ao mesmo tempo irracional, é capaz de me transpassar… Sim, transpassar! Ser atravessada não me parece uma definição apropriada para as reações desse miserável sentimento, que é tão cruel que me fura de parte a parte; perfura novamente; me penetra; me transfixa sem dó e piedade.

Como você lida com a rejeição? Ainda ecoa sem uma resposta. Mas aparentemente não lido. Apenas tento preencher essa ferida, às vezes com coisas, vícios e pessoas. Quem dera conseguisse correr e ver que barulho esses buracos fazem ao vento. Apenas consigo olhar para eles sem saber quando e como vão desaparecer.

Para mim, mais parece um SER com vida e vontade própria. Como um parasita sedento, se alimentando dos meus medos e traumas, sugando cada gota de confiança, de amor próprio, de autoestima que me mantém de pé, até finalmente tirar toda minha armadura de mulher e deixar apenas uma menina, com lágrimas nos olhos, se perguntando “o que eu fiz de errado dessa vez?”, mesmo que racionalmente saiba que não tem a ver comigo.

Há uma grande diferença entre saber e sentir… Eu sei, mas sinto. Eu sei que não é minha culpa, mas sinto como se fosse. Como se tivesse sido DEMAIS, como se tivesse encharcado o outro com meu eu. Não sei ser pouca água! Sou correnteza; sou oceano; sou a fúria da natureza em todo seu potencial de destruição… EU SOU MUITO e o muito precisa de espaço para mostrar toda sua grandeza e beleza. É exatamente aqui que vejo a intensidade dos meus ventos causar medo. E quero colocar tudo em uma pequena e frágil garrafa de vidro. Quando eu, na verdade, nem deveria querer me colocar em lugar nenhum… Mas como eu disse, saber não me impede de me sentir deslocada, errada, falha, incompatível.

Queria apenas aprender a correr e ver esse buraco assoviando.