Ainda é sobre você…

Fui eu que disse adeus, mesmo com o coração gritando para ficar.
Eu queria tanto voltar, tanto te ter de novo nos meus braços, onde sempre me senti em casa.
Queria que essa aliança deixasse de ser um peso de despedida e voltasse a brilhar no meu dedo, com a promessa de antes.

Coloquei as flores num canto onde posso vê-las sempre, como uma tentativa desesperada de guardar os dias que ainda me prendem a você. As lembranças são cicatrizes que não sei como apagar. O anel ainda está aqui, como um pedaço de você que eu não consigo soltar.

A pimenta na geladeira me lembra você… Eu nem gosto de pimenta, mas ela está lá, como se fosse parte de nós. E a garrafa que mata minha sede ainda tem o seu nome. Outro dia, no meio de tantas pessoas, parei de repente porque o seu cheiro invadiu o meu olfato… e, desde então, não tem sido nada fácil.

Nos cruzamos de novo, e naquele instante meu coração despedaçou. Você sorriu, me abraçou, e senti que tudo o que eu tinha evitado dizer veio à tona silenciosamente. O que restou de mim se quebrou em suas mãos, enquanto eu fingia ser forte.

Se você soubesse o tamanho do vazio que deixou em mim…

Agora, passo pelos lugares onde te encontrava, com um aperto sufocante no peito. Saio da faculdade e não te vejo mais, e isso me mata lentamente, dia após dia.

Sabe… Eu te mando mensagens, vejo suas postagens, porque preciso saber de você. Será que um dia vou parar de te procurar assim? Por que te procuro tanto? Por que não aceito o teu silêncio, quando já deveria ter aceitado que não haverá duas no altar, nuas de frente para o mar? Que não vamos voltar?

Eu preciso saber de você. Não consigo esconder o quanto sinto a sua falta. Talvez essa seja uma das nossas maiores diferenças: eu sinto pra caralho. E enquanto eu sinto, eu procuro, eu pergunto, eu corro atrás, eu me importo. Tenho certeza de que você também sente, mas guarda esse sentimento no seu silêncio, que pra mim é ensurdecedor.

O que mais me dói é que, mesmo te amando tanto, a última coisa que eu queria era te machucar. E, de alguma forma, acho que machuquei… por algo que nem fiz. Mas acho que você não vê as coisas assim. Digo “acho” porque, de estúpida, indiretamente você me chamou, e de covarde, me taxou por te amar demais.

E agora, o que faço com tudo o que me lembra você? Com as pequenas coisas que ficaram? A pimenta que eu nunca gostei, mas que ainda está lá? A garrafa com o seu nome, que eu não consigo jogar fora? E o cheiro, que invade o ar sem aviso e me faz parar no meio de tanta gente, sem ar, como se você estivesse ali de novo? Essas coisas estão por toda parte, e o que faço com elas? Elas me puxam de volta a um tempo que eu sei que não vai mais existir.

Será que estou me perdendo numa ilusão? Meu cérebro está me fazendo criar tantas coisas, sentir falta de momentos que nem aconteceram. Sinto falta até das coisas que idealizei um dia, viver com você. Saudade da nossa casa, daquela briga entre a irmã mais velha e o irmão mais novo por ele ter invadido o quarto dela. Saudade de você surtando com os gatos, enquanto eu brigava com o cachorro.

Talvez eu esteja sonhando com o que nunca foi… mas a verdade é que sinto falta até do que não tivemos.

E essa dor… ela me rasga por dentro, dia após dia..

Não era para tá sentindo nada disso! Quem vai não  tem coração, não  é? Então como pode ele doer tanto?  Sempre achei que quem ia ,não sentia. Agora tô aqui do outro lado sentindo tudo. Que hipocrisia.

Ainda é sobre você, mas tenho medo de um dia deixar de ser. A verdade é que ainda não sei me amar e talvez por isso seja tão confuso ir, ficar…sei lá.  Por isso irei me calar e deixar o tempo tudo curar. Eu e você  no amanhã ou nunca mais.

Ensaio sobre Ela – Cícero

27/09/24

É que cada palavra que você fala, sinto que é para mim.
Será que é? Mas aí penso: não estou sendo assim, então não deve ser.
Porque, em recortes do que posto, várias interpretações podem ser feitas. Sabe lá Deus o que você pensa, se ao menos perguntasse, ou se eu perguntasse. Mas não sei lidar com silêncio e indiferença.

Sinto que estou perdida. Nunca estive nessa posição, nem sei como realmente agir. Dou espaço? Mando mensagem? Falo normalmente… Meu amor, meu bem, ou só um “oi” seco?

E a maturidade? Já não era para eu ter, quase 30 nas costas e ainda não sei como fazer.
Não tem jeito certo de fazer as coisas, eu sei que erro, mas nunca com a intenção de ferir. Estou aprendendo no meu tempo o quão contraditório é o sentir.
Mas não tem como saber o que se passa na cabeça do outro. Só sei o que se passa na minha.
É estranho reconhecer que não tenho controle disso e, ao mesmo tempo, saber que, para você, eu posso ser a vilã… E aceitar isso dói.

Sei que hoje tentei lidar com a minha dor, mas não consegui. Fugi para o álcool, cigarro, e dormi com o choro engasgado.
Na verdade, sinto tanta falta de você… Só queria acordar e que tudo não passasse de um pesadelo.

Mas fui eu , que fui embora querendo ficar.

Ame o Próximo

Me ensinaram a amar o próximo, mas não me ensinaram a me amar.
E como é difícil aprender isso. Lidar com as emoções que surgem ao me amar sem que isso signifique desamar a outra pessoa.

Eu queria que tivessem me dito que eu era empática demais. Que impor limites não era errado. Que sentir raiva diante de uma injustiça não é errado. Que se afastar quando estou machucada não é errado. Em vez disso, me ensinaram a perdoar incondicionalmente, a desconsiderar meus sentimentos. A ignorar minha dor, a ignorar o desconforto de me anular para manter o outro inteiro, enquanto eu me quebrava.

Hoje estou aprendendo a fazer diferente. Estou aprendendo que, às vezes, vou precisar ir embora e que está tudo bem. Que às vezes vou sentir raiva das pessoas e que está tudo bem. Que às vezes vou precisar dizer não e que está tudo bem. E que, às vezes, vou precisar dizer “não quero” e está tudo bem. E, às vezes, vou dizer “amo você, mas não consigo mais permanecer” e, mesmo assim, estará tudo bem.

E esse “estar tudo bem” não significa que não dói, nem que seja fácil. Na verdade, está sendo muito difícil. Mas estou tentando com todas minhas forças a aprender a Amar.

Você é Mais que um Mero Sorriso Bonito

Tu tem cheiro de café quentinho nas manhãs de domingo

Em meio às conversas que aquecem o coração, uma verdade se destaca: é você. Não apenas pelo sorriso que ilumina qualquer ambiente, mas pela maneira como sua presença transforma o dia mais cinzento em alegria.

Não há um momento exato para perceber quando isso começou, quando a possibilidade da tua partida molhou meus olhos e no meu rosto deslizou.

Talvez tenha sido nas trocas espontâneas do nosso dia a dia, nas risadas sinceras que se tornaram música para os meus ouvidos. Ou quando sentadas no chão  da cozinha,  se deixou cair nos meus braços e te envolvi com um abraço .

Seu sorriso, ah, seu sorriso é um encanto genuíno. Sou uma admiradora de sorrisos, mas o seu, não  só me encanta,  me fascina 

É fofo como você me toca com as pontas dos dedos, delicadamente em minha perna. Como se dissesse, estou aqui, ainda que “toque” não seja meu ponto forte.

Encanto-me com a forma como seus olhos brilham ao falar do seu dia a dia. Sua risada sem filtros, seu jeito de falar sem rodeios sobre o que gosta e o que não gosta. Seu corpo, seus ombros, suas tatuagens que me fazem querer explorar cada detalhe.

E quando você fica com raiva, soltando tudo o que lhe vem à cabeça e depois pede desculpas como se não pudesse sequer um xingamento soltar. Haaa, como eu gosto de te observar.

É na sua essência que encontro tantas coisas que admiro. Seu jeito de menina marrenta, seus biquinhos de dengo me fizeram apaixonar .

Você é mais do que um mero sorriso bonito. É um conjunto de pequenas coisas que fazem meu coração bater em descompasso só de pensar em você.

Aversivo

Vez em quando me dá uma vontade de te procurar, então procuro. Não é como se estivesse com saudade; na verdade, é apenas um teste de comportamento. Talvez eu esteja procurando o que já foi um reforço positivo.

Quem dera se na vida pudesse controlar o ambiente, teria todas as variáveis de resposta como estão na minha mente. Acontece que dentro do outro não há controle, às vezes nem mesmo dele mesmo, quem dirá de mim.

Eu queria muito, com tudo que tenho, que esse comportamento antes fosse extinto, pois não teria respostas, apenas o silêncio. Mas percebi que entre fuga e esquiva, você se tornou mais um estímulo aversivo!

INTEIRA

Sem precisar! Apenas vivendo e deixando-me sentir o dia de hoje e sem expectativas do amanhã.

Conhecer e deixar-se ser conhecida… Com todas as vírgulas, reticências e pontos finais. 

Como é bom dar pequenos passos de coração livre. Talvez o acaso vire eternidade ou talvez só mais uma página gostosa de se ler,  de tantas outras páginas que há um no livro viver.

Nem tudo é sobre amores, ou pelo menos amores terciários . As vezes é só amor próprio pulsando em cada momento de solitude e descobertas internas do eu.

Se quiseres pode me acompanhar nessa caminhada… Mas não como uma necessidade, más, como uma boa companhia para troca de belos sorrisos conversas aleatórias sobre a incógnita que é a vida.

Bem devagarinho me fiz inteira, me desfazendo da pressa de encontrar uma metade…  Pois a metade que achava precisar, na verdade toda vida era EU.

Insignificante

Céu azul, nuvens branquinhas, mas nada significativo que pudesse me tirar um sorriso.

Nenhuma opinião parecia valer a pena, pois qualquer tentativa de expressão era recebida com um sorriso vazio, como se dizer “tudo bem” fosse mais fácil do que discordar ou explicar. Existia apenas dissociação como expressão. 

O abismo entre o que é dito e o que é ouvido é tão vasto que se perde o sentido na comunicação.
Levantar-se parece desnecessário quando já se está deitado, afinal, poderia passar do chão?

Refletir sobre isso tornou-se extremamente cansativo. Por que perguntar se está tudo bem se não se pode lidar com as verdades das respostas? As soluções propostas são como receitas de bolo, tentando resolver algo que vai muito além de simples instruções.

Cheiro de fumaça nas mãos, passos lentos, o silêncio presente… no fim dormir fez-se uma das melhores soluções desse tedioso dia.

The End

Por duas vezes chorei
Não em uma vida inteira, mas em instantes
Quando ousei me abrir, e recebi golpes, não afagos,
Fui tão ingênua ao voltar, após tentar partir.

Palavras cortantes como facas de dois gumes, sem dor nem piedade atravessaram o que ainda restava de um coração.

Tranformaram meu pranto em um rio de dor, sem conseguir conter a fúria que descia em meus olhos.
Um lamento de criança perdida,
Num quarto escuro, sentindo a dor de ter tido seus sentimentos ignorados.

Outra vez, como uma adolescente,
Tentei conter as lágrimas no meio da platéia, que seguia indiferente ao me ver derreter sentada naquele sofá, tentando conter a tempestade que se fazia dentro de mim.

Parti, três dias inteiros para mim. Tentei transformar a dor que em chamas queimava em meu peito em Raiva…até que em restaram apenas cinzas.

Estranhamente, já não sinto a mesma urgência,
Já não és minha prioridade,
Chorei duas vezes… E agora não choro mais!
Pois agora tanto faz,
Quanto ao amor, sinto um gosto familiar de  indiferença.

Nem Freud explica

Eu espero que não queira voltar! Falei desejando intensamente ter de volta.

Sem escrúpulos o id traça formas de suprir esses desejos, saltando entre as lacunas da minha mente em sonhos, ato falhos e memórias aleatórias.


Para com isso! Superego não se cala: vale a pena tudo isso? Não é mais fácil deixar ir ou só ignorar?


Ha, como se fosse fácil conciliar!  Mais uma vez o ego equilibrando as coisas e me levando a realidade. Nem fluir e nem suprimir, apenas sentir até resiguinifincar.


A verdade é que toda essa confusão na psiquê tem dedo do Id, pois sabendo que se ele finalmente deixar-me ir… Eu não irei voltar.

A .A

Que saudade de você menina…

Hoje me bateu a saudade, dessas que não dá para controlar. Saudade de procurar todas as formas para teu número poder salvar.

Saudade do teu sorriso ao me avistar, sentada na praia em cima de uma toalha, só esperando você chegar.

Bateu saudade daquele beijo cheio de desejo, depois de uma abraço repleto de  sentimentos. Não  foi um fim de tarde qualquer, debaixo de um pergolado florido… É na verdade um sentimento marcado em saudades, que jamais será esquecido.

Saudade daquela manhã de domingo assistindo nosso filme preferido, apesar de ter que explicar várias cenas, depois de você ter dormido.  Passar horas te encarando para ver quem ia rir primeiro, claro que foi mais fácil para mim, me perdi na profundidade do teu olhar, uma conexão que não parecia ter fim.

Saudade até daquele primeiro encontro estranho. Um tanto quanto perigoso, mas ficou tão gostoso quando seus dentes apertaram meu pescoço.

Saudade de tudo em você menina… Até dos seus olhos em chamas, por alguma bobagem que fiz e nem percebi.  Más aí me lembro que saudade só vem daquilo que não se tem, que se foi e não se pode mais tocar. É saudade demais que até parece que não vai acabar.