Elástico

É um puxa e volta… Sem saber ao certo quanta pressão colocar. Já puxei tantas vezes e às vezes sinto que vai partir se continuar.

Parece tão grágil… Se forçar pode quebrar. Mas que agonia segurar a vontade de puxar!!!! Vai doer se romper! Mas se já sei que vai quebrar, porquê continuo a puxar?

Eu conheço a sensação de ardência quando elástico volta na mão. É rápido, forte e deixa linha vermelha no local do impacto; a linha com tempo some, mas a lembrança da dor permanece em minha memória.

As vezes estico um pouco, mas logo afruoxo denovo… tenho medo de forçar e outra vez ter que lidar.

Duas, três, seis horas, um dia inteiro, até semanas. Mas sempre me pego puxando outa vez.

Os buracos da Rejeição

Quase um ano de terapia e ainda não sei lidar com esse sentimento que, ao mesmo tempo irracional, é capaz de me transpassar… Sim, transpassar! Ser atravessada não me parece uma definição apropriada para as reações desse miserável sentimento, que é tão cruel que me fura de parte a parte; perfura novamente; me penetra; me transfixa sem dó e piedade.

Como você lida com a rejeição? Ainda ecoa sem uma resposta. Mas aparentemente não lido. Apenas tento preencher essa ferida, às vezes com coisas, vícios e pessoas. Quem dera conseguisse correr e ver que barulho esses buracos fazem ao vento. Apenas consigo olhar para eles sem saber quando e como vão desaparecer.

Para mim, mais parece um SER com vida e vontade própria. Como um parasita sedento, se alimentando dos meus medos e traumas, sugando cada gota de confiança, de amor próprio, de autoestima que me mantém de pé, até finalmente tirar toda minha armadura de mulher e deixar apenas uma menina, com lágrimas nos olhos, se perguntando “o que eu fiz de errado dessa vez?”, mesmo que racionalmente saiba que não tem a ver comigo.

Há uma grande diferença entre saber e sentir… Eu sei, mas sinto. Eu sei que não é minha culpa, mas sinto como se fosse. Como se tivesse sido DEMAIS, como se tivesse encharcado o outro com meu eu. Não sei ser pouca água! Sou correnteza; sou oceano; sou a fúria da natureza em todo seu potencial de destruição… EU SOU MUITO e o muito precisa de espaço para mostrar toda sua grandeza e beleza. É exatamente aqui que vejo a intensidade dos meus ventos causar medo. E quero colocar tudo em uma pequena e frágil garrafa de vidro. Quando eu, na verdade, nem deveria querer me colocar em lugar nenhum… Mas como eu disse, saber não me impede de me sentir deslocada, errada, falha, incompatível.

Queria apenas aprender a correr e ver esse buraco assoviando.

Tenho que…

“Tenho que fazer, tenho que ir, tenho que gostar, tenho que trabalhar, tenho que dar conta, tenho que me levantar, tenho que ser feliz; tenho que namorar, noivar e casar, tenho que ser proativa, ser dona de um lar; Tenho que ser amável, tenho que ser uma mulher respeitável, tenho que ser… são tantos “ter”.

Mas o que realmente eu quero? Já parou para pensar?

Há um peso no ter que ser, de cumprir expectativas sobre um ser que não o sou, só para ver rostos em minha volta felizes e no fundo carregar o peso da tristeza de não viver suas próprias vontades e escolhas. O ter que ser é perturbador, uma obrigação que nunca vai embora e te suga cada molécula como um buraco negro, descendo seco pela goela, me fazendo engasgar quando me diminuo para me encaixar.

Não quero ter que ser… quero apenas ser. Ser livre, autêntica, com sonhos e desejos, sem medos e anseios, quero pintar meu corpo como uma tela em branco, sem pensar na arte final, com cores vivas e meio teatral. Quero ler meus livros favoritos e assistir séries dark de madrugada. Acordar sem o peso de ter que ser alguma coisa para caber dentro de uma pequena caixa de alguém, mas não sou eu.”

Playlist aleatória

Há uma diversidade de sons, ritmos e melodias. São tantos sentimentos e sensações; como se prender apenas a um? Ouço cada música com intensidade particular, algumas desfrutando o som de cada nota, deixando fluir os diferentes timbres instrumentais; outras, nem me permito escutar. Umas são tão intensas que a pausa me parece mais adequada; mas às vezes apenas o silêncio me basta.

Há uma Mixtape nova para mim. Aperto o Play ▶, me permito escutar. Em versos simples, me jogo para o lado de cá e para o lado de lá, como se a vida não tivesse um fim; sem medo de entrar na chuva e de me molhar, pois nem sou feita de mel e nem de açúcar. Por isso, aperto o repeat🔂. Parece bom, até não ser mais.

Então sigo para a PRÓXIMA ⏭, algo novo por aqui, entre pop nacional e MPB. Estou me perdendo ou me encontrando? Não há um amanhã, só o aqui e agora! Arrisco palpitar quais notas estão sendo tocadas, mas às vezes parece que a voz está desafinada. Lá vou eu ouvir de novo 🔂. Talvez só mais um pouco e entenda o refrão. Será que é uma questão de tempo, ou não? Quem sabe uma nova versão, talvez seja só erro de percepção. Mas a verdade é que estou com problema de audição; parece que é hora de pausar ⏸️.

Vou em busca de outra música 🔎, uma que tenha a batida marcante, o solo de guitarra intrigante, que me leve a oceanos distantes. Parece que encontrei uma sensação reconfortante, talvez até familiar! As ondas desse som são gigantes e traiçoeiras, mas sigo aproveitando cada segundo da viagem; já estou perdida de qualquer maneira. Se acaso o barco afundar, eu tenho certeza de que sei boiar. Vou mergulhar de novo para me encontrar, nas ondas do Rock nadar.

Más no mar tão agitado assim, é difícil de se escutar. No final do dia, aperto o botão PARAR ⏹. Como é bom o som que o silêncio faz; é o som da paz. Tem som de cinema mudo e vez em quando parece que um zumbido agudo, mas é só a audição que depois de tanto refrão, ecoa zumbidos como uma ilusão. Amanhã é um novo dia, pode haver uma nova melodia. Me pergunto insistentemente quais botões apertarei novamente. Mas uma coisa eu sei: em modo aleatório, viverei, me permitindo sentir o gosto que cada música tem. 🔀

Puro

Se perder para se achar; descontruir para recontruir; quebrar para concertar; parece contraditório e paradoxal, mas é apenas o processo humano de buscar sentidos sobre o que é  ser real. Buscar pela eternidade em uma existência finda, um propósito que possa ser vivido  sem peso das consequências dos caminhas que foram escolhidos. 

Entre oito e oitenta , permanecer no limbo por não  haver um equilíbrio.   Viver perdida entre dois mundos, entre o errado e o certo, entre razão e emoção, entre ser ou ter, entre querer e desquerer, entre o divino e o mundando; CANSATIVO  E INUMANO!

Perdida, onde o que se é, não se pode ser ; e o que deveria ser, não se é. Equilíbrio na corda bamba é meu desafio particular,  como se jogar  no oceano sem saber nadar, mas debaixo da água tentar respirar. Talvez só falte uma roupa adequada , oxigênio  e uma máscara de ar, para mergulhar sem rumo, permitindo- se seguir o fluxo sem amarras da vida.

Sorte a minha ser possível  purificar o corrompido, pelo favor imerecido.  Tornando puro  o impuro, através do Sangue derramado, do véu que foi rasgado, há salvação ao condenado. 

LIBERDADE!

Lidar

Blue Iceberg” por Joshua Earle/ CC0 1.0


Lidar com amor, lidar com a dor, lidar com a raiva ou lidar com com a transferência de sentimentos por vivenciar situação de conexão com o outro.
Lidar nem sempre vai estar acompanhando do sentimento de perda, ao vivenciar o luto em prantos… Chorar também é uma forma de lidar, mas não a única.


Sentir-se frio, raiva , falta de “compaixão”, não se importar ou só adormecer diante da dor, é lidar. E pensar como esse sentimento de desconexão com outro, que antes era sólido, se tornou tão impalpável, feito fumaça, faz parte de sentir.
Nem sempre o sentir vai estar acompanhando de comoção, mas entender que o a frieza também é uma forma de sentir também liberta.
Nunca senti tanto, quando disse quase que insurdecerdor ” como eu te odeio”. Foi uma admissão, mas não um atestado de culpa. 

Permita-me sentir… Dor, amor, paixão, ressentimento, raiva, ódio. SÓ SINTA!

MEDO E DESEJO

No sorriso que me prende, um laço a tecer,
Em cada bom dia, desejo sem esmorecer.
Palavras escrevi para muitos, mas naquele papel
uma declaração de amor com teu nome.
A curtida que anseio, a única, a sua, me vêste?

Presente em meus sonhos, teu eco persistente,
No despertar e adormecer, és pensamento latente.
Querer tanto, medo de ser querida,
Num emaranhado de emoções, coração perdido.


Confusão em querer, temor no corresponder,
A verdade: um sim, meu não a se render.
Ao te ver primeiro, batida diferente do coração,
Temor instalado, afastamento, uma contradição.


Outros braços te acolheram, vi você tão distante e mim,
Em confissão de término, desejo de não ferir.
Tristeza contida, agora posso desejar,
Sem culpa, sem amarras, te ver chegar.

E mesmo seu coração sendo de outra,
talvez um dia pertenceria a mim,
No intricado destino, talvez um caminho assim.
No olhar que busco, a incerteza se esconde,
Entre linhas e rimas, meu coração responde.

Talvez não veja como te vejo, ilusões que criei,
Num devaneio de desejos, a realidade que esqueci.
Na espera de um sim, incapaz de dizer não,
Confesso neste poema, meu coração em tuas mãos.

Mas reconheço, talvez não seja escolha tua,
Vivo de ilusões que inventei, uma trama minha.
Seu coração pertence a outro, um destino já traçado,
Enquanto o meu busca o seu, mesmo sendo adiado.
Entre sonhos e realidade, persiste a esperança,
Que um dia, nossos caminhos cruzem na bonança.

Você era minha inspiração…

Quando te vi primeira vez com aquele cabelo cor de por do sol, fazendo piruetas e sorrido com colegas. Parecia tão feliz, algo em mim te olhou com admiração, queria crescer igual você. Sorriso fácil, alma leve, nada te abalava, eu de longe só observava do outro lado do corredor, eram cinco salas que nos separava. Quando cheguei em casa e disse: _mãe eu quero uma saia igual daquela menina.

Nós fomos amigas! Bom, é o que eu acho. Por um certo tempo sei que fomos. Quanto tento lembrar o que fomos tenho poucas lembranças, sensação de observar do fundo do carro, você cantando alguma coisa no banco da frente… Mas lembro também do olhar desconfortável quando nos vimos pela primeira vês depois de anos, aquele aperto de mão tão frio quanto gelo. Tem um abismo de lembranças que se perderam e o que restou foi somente interrogações.


Ainda te observo a distancia, más agora somente pela tela do meu celular. Tão distante, vivendo sua vida, trilhando caminhos tão diferente do meu . As vezes me pego sorrido com suas conquistas e evolução, enquanto sigo minha vida e luto por minhas próprias conquista e sonhos. Àaaaaa eu amadureci e entendi que o que éramos nunca foi, o que eu era também não reflete mais quem eu sou. Más você em algum momento era minha inspiração.

“SUPOSIÇÃO”

Nas últimas semanas, a reflexão sobre o poder devastador da suposição tem sido frequente, especialmente no que diz respeito à sua influência negativa nos relacionamentos. Omissões de palavras, interpretações equivocadas de olhares, frases incompletas e, principalmente, a falta de habilidade para resolver desentendimentos através do diálogo têm se mostrado prejudiciais.

Há alguns anos, durante uma discussão entre jovens sobre interpretações teológicas em um contexto bíblico, dei uma opinião sobre a importância de chegar ao céu, independentemente do método. Ao sair, minha observação foi mal interpretada por um grupo, que, além de se sentir ofendido, questionou minha postura como líder, alegando que eu deveria incentivar o debate, mesmo que divergente. A situação, inicialmente incompreendida, exigiu uma explicação e desculpas para evitar mal-entendidos desnecessários.

Essa experiência destaca como a comunicação está sujeita a ruídos, com interpretações influenciadas por opiniões pessoais. Embora possamos ser cuidadosos em nossas palavras, não temos controle sobre a compreensão alheia. A suposição, muitas vezes, está relacionada a preconceitos e à dificuldade de lidar com a diferença, preferindo ignorar ou julgar superficialmente.

A suposição também revela covardia, pois muitas vezes nos sentimos ofendidos, mas evitamos resolver a situação diretamente, optando por permanecer distantes e cultivar ressentimentos. O tempo perdido alimentando conflitos baseados em conjecturas poderia ser melhor utilizado para ouvir e compreender a perspectiva do outro.

A raiz da ofensa reside em nossa própria reação, não na ação do outro. Pessoas emocionalmente curadas não se ofendem facilmente, pois estão focadas em resolver seus próprios desafios, valorizando-se independentemente da opinião alheia.

A jornada de tentar se encaixar nas expectativas alheias é exaustiva. Ao compreender que nossa verdadeira identidade está ancorada na perspectiva divina, encontramos liberdade para ser quem fomos criados para ser. As suposições perdem poder quando percebemos que a opinião de Deus sobre nós é a única que importa.

Virando a Chave

Toda mudança de mentalidade é como virar a chave e destrancar algo que estava fechado em sua mente.

Acredito que uma das atitudes que mais prejudica o processo de felicidade de alguém é não aceitar quem realmente é. Tentar constantemente se enquadrar nas expectativas dos outros é um desafio complicado, pois cada pessoa possui características e uma essência única, desenvolvidas ao longo de sua jornada. A busca incessante pela aprovação de todos pode levar à perda de identidade.

Eu sempre tive um tom de voz mais alto, o que às vezes incomodava meus amigos. Em algumas situações, minha maneira incisiva de falar gerava mal-entendidos, como quando minha mãe pensava que eu estava brigando com meu pai durante uma conversa. Isso me fazia sentir culpada, e eu tentava me policiar para ser aceita, mas sem sucesso.

Evitar expressar minhas opiniões tornou-se um problema, pois eu me afastava da minha verdadeira essência. Percebi que precisava ressignificar como me via. Em um momento de autoconhecimento, entendi que cada pessoa nasce com um propósito e uma identidade única. Foi então que compreendi que Deus me fez autêntica, corajosa e audaciosa, características necessárias para o propósito que Ele tinha para mim.

Essa compreensão foi transformadora. Deixei de tentar me conformar com padrões externos e comecei a abraçar quem eu era. Deus me aceitava com minha fala audaciosa, pois Ele queria que eu fosse assim para cumprir meu propósito. Ao me concentrar em meus pontos fortes, parei de me preocupar com a aprovação dos outros e comecei a falar alto sobre meus sonhos e convicções.

Acredito que uma das atitudes que mais prejudica o processo de felicidade de alguém é não aceitar quem realmente é. Tentar constantemente se enquadrar nas expectativas dos outros é um desafio complicado, pois cada pessoa possui características e uma essência única, desenvolvidas ao longo de sua jornada. A busca incessante pela aprovação de todos pode levar à perda de identidade.

Eu sempre tive um tom de voz mais alto, o que às vezes incomodava meus amigos. Em algumas situações, minha maneira incisiva de falar gerava mal-entendidos, como quando minha mãe pensava que eu estava brigando com meu pai durante uma conversa. Isso me fazia sentir culpada, e eu tentava me policiar para ser aceita, mas sem sucesso.

Evitar expressar minhas opiniões tornou-se um problema, pois eu me afastava da minha verdadeira essência. Percebi que precisava ressignificar como me via. Em um momento de autoconhecimento, entendi que cada pessoa nasce com um propósito e uma identidade única. Foi então que compreendi que Deus me fez autêntica, corajosa e audaciosa, características necessárias para o propósito que Ele tinha para mim.

Essa compreensão foi transformadora. Deixei de tentar me conformar com padrões externos e comecei a abraçar quem eu era. Deus me aceitava com minha fala audaciosa, pois Ele queria que eu fosse assim para cumprir meu propósito. Ao me concentrar em meus pontos fortes, parei de me preocupar com a aprovação dos outros e comecei a falar alto sobre meus sonhos e convicções.