Cale a boca!

Tem culpa impregnada em mim, passeando bem abaixo da minha pele toda vez que o incômodo chega.

Essa culpa anda, veste, conversa e até ri de mim.
— Olha você aí de novo, estragando tudo que toca.

Não é como se ela fosse minha, mas ela se instalou  feito parasita em mim. Quando foi que a autorizei a ficar? Não me lembro. Mas já está aqui há tanto tempo que se tornou íntima.

Ela mente, eu sei! Cada acusação dela é só ilusão. Cale a boca! Olhe para mim e veja que suas besteiras não me afetam. Mas… e se ela tiver razão?

Mas, mesmo que eu tivesse feito diferente, o que garante que os resultados teriam sido outros? Nada! A vida é incerta e não tem manual de instruções. E como teria, se existem tantas possibilidades?

É paradoxal viver assumindo responsabilidades ao mesmo tempo em que não se pode assumi-las. Culpar-se e eximir-se da culpa.

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