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Como a Lua Foi Formada?
A Lua é o único satélite natural da Terra. Bem, para ser mais exato, de tempos em tempos nossa Lua ganha a companhia de microluas que, após algum tempo, seguirão seus caminhos pelo espaço.
Apenas nos anos 70, após as análises do material lunar trazido à Terra pela missão Apollo, os cientistas começaram a entender como a Lua foi formada. A Terra e a Lua possuem características geoquímicas semelhantes – possuem os mesmos isótopos. A Terra se formou a 4,5 bilhões de anos e em seu período inicial ainda havia muitos detritos em suas imediações. A Mirian Castejon, dos AstroTubers, apresentou as teorias que explicam como a Lua e formou e como ela foi parar naquela órbita:
1. Teoria da Captura: a Lua foi capturada pela força gravitacional da Terra da mesma forma que Marte capturou seus dois satélites (Fobos e Deimos). Porém, isso não explica as semelhanças entre a Terra e a Lua.
2. Teoria da Conformação: a Lua e a Terra se formaram simultaneamente utilizando o mesmo material básico. Porém, isso não explica as diferenças de densidade entre os dois corpos.
3. Teoria da Divisão: a alta rotação da Terra, que em seus primórdios ainda não era sólida, ejetou parte de seu material, seu manto, e esse material formou a Lua.
4. Teoria do Grande Impacto: um grande corpo com tamanho próximo ao do planeta Marte conhecido como Theia se chocou com a Terra e a nuvem de destroços oriunda do impacto formou a Lua. Os mantos geoquímicos da Terra e da Lua são idênticos. Por essa teoria, a Lua se formou 50 milhões de anos após a formação do sistema Solar.
4.1. Teoria do Grande Impacto atualizada: utilizando mais informações, em 2022 foi apresentado um artigo que mostrou que os resultados de uma simulação sugerem que a Lua se formou imediatamente após o grande impacto.
O Efeito Cantillon
Richard Cantillon (1680-1734) é considerado o precursor da escola austríaca, pois muito de seu pensamento sobre economia influenciou as percepções austríacas vindouras – o foco na ação humana, o que são valor e preço, o conceito de auto-regulação do mercado, os ciclos econômicos e outras.
Em seu Ensaio sobre a Natureza do Comércio em Geral (Essai sur la Nature du Commerce en Général) de 1730, ele foi o primeiro a apresentar a economia em bases organizadas e científicas. Adam Smith, que é considerado o fundador da Ciência Econômica, só lançou sua Riqueza das Nações em 1776 – quase meio século após a publicação do trabalho pioneiro de Cantillon.
Cantillon foi o primeiro economista que identificou os ciclos econômicos e também foi o primeiro a modelar a economia como um conjunto de partes interligadas. Ele acreditava que os participantes desse todo tinham um vínculo de reciprocidade que os tornavam consumidores e clientes uns dos outros. A quantidade de empresários nesse modelo é regulada pela quantidade de clientes e as demandas e decisões estão submetidas a um futuro incerto. Portanto, Cantillon acreditava que um sistema de mercado funcionaria melhor sem interferência de governos.
Antes de tratar do Efeito Cantillon, veja essas histórias que extraí de [3] e [4].
História 1: A Mala de Dinheiro [3]
Imagine que você mora em um pequeno e simples vilarejo.
E, em uma bela manhã, você encontra uma mala com R$ 10 milhões de reais. Ninguém mais na sua comunidade sabe da existência desse dinheiro e você agora é, secretamente, um milionário.
Os preços são relativamente baixos, porque o poder de consumo na sua região é baixo, então você naturalmente começa a gastar o dinheiro, melhorando o seu padrão de vida.
Agora você já tem dinheiro investido, uma bela casa, carros, novas roupas e uma bela reserva. Com isso as pessoas ao redor já perceberam a existência desse novo dinheiro no sistema.
Os preços então, começam a subir para que a oferta possa acompanhar a nova demanda.
As pessoas que receberam o dinheiro que você distribuiu com as suas aquisições, agora vivem em uma nova realidade comercial e não possuem tanto poder de consumo quanto teriam com essa mesma quantidade de capital no momento em que você encontrou a mala.
O caminho do dinheiro fez toda a diferença.
História 2: A Impressora de Dinheiro do João [5]
Era uma vez um pequeno país imaginário, com cem habitantes. Um desses cidadãos, o João, inventa uma máquina mágica capaz de imprimir dinheiro. São falsificações perfeitas, notas indistinguíveis das reais. Ele vai fazendo as verdinhas e comprando TV nova, geladeira nova, fogão novo para a família toda.
O dono da loja de eletrodomésticos local nunca viu algo assim. Para um país tão pequeno, uma alta dessas na demanda é algo brutal. Então, ele sobe os preços. E sai para gastar os lucros no supermercado. A dona do supermercado, que nunca vê ninguém torrar dois mil em uma compra, fica animada: “A coisa tá boa, hora de um reajuste nos preços”.
De início, não parece um mau negócio: com uma demanda maior por produtos e serviços, todo mundo sobe os preços e todo mundo sai ganhando. O problema é que geladeira não dá em árvore, nem filé mignon. O estoque de bois e eletrodomésticos não é infinito. Demora para os bezerros crescerem e o próximo caminhão da Brastemp chegar.
Se João imprimir demais, logo haverá mais dinheiro em circulação do que coisas para comprar com esse dinheiro. Começa, na prática, um leilão: os comerciantes põem o preço lá em cima – e quem puder pagar mais caro leva. Bem-vindo à inflação.
O Efeito Cantillon
O Efeito Cantillon ocorre quando dinheiro sem lastro impresso pelo governo é injetado na economia e esse dinheiro novo impacta o nível de preços ao ir se espalhando de forma desigual aumentando o poder de compra de quem está mais perto da origem do dinheiro e desvalorizando o dinheiro que já estava em posse das pessoas mais distantes dessa origem – você e eu – devido à inflação.
Frederich A. Hayek comparou o Efeito Cantillon à mel despejado em um prato. Mel se expande lentamente do centro para os lados. Como isso não ocorre de maneira uniforme, é necessário controlar a vazão e a quantidade. Milton Friedman, afirmou: “dobrando a quantidade de dinheiro em um estado, os preços dos produtos e mercadorias não serão sempre o dobro”. Cantillon influenciou e antecipou o pensamento dos economistas modernos – dos bons economistas modernos.
Os preços sobem conforme a quantidade de dinheiro aumenta, mas não de forma proporcional: vai depender de quem recebeu o dinheiro primeiro e de como ele gastou esse dinheiro. Dependendo de como esse dinheiro foi gasto, os bens e serviços começarão a faltar no mercado. Por exemplo, o governo entrega dinheiro para banqueiros financiarem a compra da casa própria do cidadão comum. Bonito, não é? O primeiro que se beneficiou desse dinheiro sem lastro foi o banqueiro. Depois, as empreiteiras e alguns ramos industriais serão beneficiados. O banqueiro e o empreiteiro vão usar esse dinheiro para comprar bens, demandar serviços e especular em alguns segmentos do mercado. Isso fará com que o valor daquilo em que investiram aumente e, quando chegar a sua vez de consumir esse mesmo bem ou serviço, ele já estará mais caro.
Em curto prazo, o consumo aumenta. Em seguida, o mercado detecta a presença de mais dinheito na economia e se reequilibra não apenas para corrigir a dissonância forçada entre oferta e demanda de alguns produtos e serviços os quais já ficarão mais caros, mas também para refletir a nova disponibilidade de dinheiro nos preços de muitos produtos e serviços. É assim que a inflação nasce. Para diminuir o consumo, o governo aumenta a taxa de juros para que aqueles que pegam dinheiro na saída da impressora estatal tenham que pagar mais caro para obter crédito e isso diminui o investimento. Nesse ponto, o ciclo se reinicia com mais injeção de dinheiro para aquecer a economia, mas agora tudo ficou mais caro e você perdeu seu emprego.
A inflação é, efetivamente, uma disputa – uma disputa para ver quem obtém antes dos outros a maior fatia do dinheiro recém-criado
Murray Rothbard
Para Cantillon, a forma de minimizar os problemas que causam os ciclos econômicos é impedir a intervenção estatal na moeda e no crédito bancário. O problema da intervenção estatal na economia se agrava quando políticos doutrinados por alguma ideologia ou guiados por interesses particulares começam a defender o fim do teto de gastos, não pagamento de juros da dívida pública impressão desenfreada de dinheiro, controle de preços, nomeação de campeões nacionais dentre os empresários amigos do governo e outros mecanismos que invariavelmente resultam em inflação. Fingindo combater a desigualdade, o governo aumenta a pobreza da população em geral e enriquece políticos e empresários próximos a estes.
Conclusão
O ciclo vicioso se inicia quando o governo imprime dinheiro sem lastro e o injeta na economia para aquecê-la artificialmente. As empresas e as pessoas mais próximas do governo são as que mais se beneficiam do dinheiro recém criado pois estão mais próximas da impressora de dinheiro. Outros empresários se beneficiam através de crédito bancário. No curto prazo o consumo aumenta, mas depois o mercado se reequilibra e a inflação aumenta. O governo aumenta a taxa de juros para frear o consumo e voltamos ao início do ciclo.
Cada vez que o governo se mete na economia – supondo que seja com a melhor das intenções – ele sempre causa impacto negativo para toda a população. Invariavelmente, é o mais pobre que vai pagar o custo da falta de entendimento sobre o funcionamento da economia seja por pagar mais impostos diretos, por pagar mais caro na gasolina (imposto indireto) ou simplesmente por ficar sem emprego.
De acordo com [4]: “um país inteiro sem educação financeira termina sua história trocando a liberdade de ganhar dinheiro, poupar, empreender e investir por migalhas mensais oferecidas ‘gratuitamente’ pelos governos”.
Referências
1. IORIO, Jorge Ubiratan. BRichard Cantillon (168?-1734) e o início da economia moderna.. Mises Brasil. Disponível em: [https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1813]. Acesso em 15 jun. 2022.
2. ______. Cantillon, os ciclos econômicos e a não-neutralidade da moeda.. Mises Brasil. Disponível em: [https://www.mises.org.br/article/1819/cantillon-os-ciclos-economicos-e-a-nao-neutralidade-da-moeda]. Acesso em 15 jun. 2022.
3. GUERRA, Cadu. O Efeito Cantillon: o conceito econômico mais importante que você nunca ouviu falar.. Money Times. Disponível em: [https://www.moneytimes.com.br/o-efeito-cantillon-o-conceito-economico-mais-importante-que-voce-nunca-ouviu-falar/amp/]. Acesso em 15 jun. 2022.
4. VAIANO, Bruno. O que é o efeito Cantillon – que distribui a inflação de maneira desigual. VC S/A. Disponível em: [https://vocesa.abril.com.br/coluna/guru/o-que-e-o-efeito-cantillon-que-distribui-a-inflacao-de-maneira-desigual/amp/]. Acesso em 15 jun. 2022.
A Verdade Sobre a Caneta Espacial
Certa vez, em um artigo sobre escolhas arquiteturais de software, adicionei um breve comentário sobre a curiosa história da caneta espacial. Diz a lenda que os americanos descobriram que canetas esferográficas não funcionavam sem gravidade – a gravidade é necessária para que a tinta escorra para a esfera de metal que está na ponta da caneta. A tinta da caneta é um fluído não-newtoniano, que é um conceito da físico-química aplicado aos fluídos que ignoram a lei da viscosidade de Newton, ou seja, a velocidade com a qual o líquido escorre não é constante tal qual a velocidade com a qual a água escorre, mas sim variável conforme a tensão aplicada. Para cumprir suas funções (fluir para o papel e se transformar em sólido), a tinta da caneta precisa de uma ajudinha da gravida, que é a força que vai tencionar o líquido para permitir que ele escorra.
Para resolver esse problema, a NASA teria encomendado a criação de uma super caneta pressurizada que escrevesse em qualquer posição – inclusive debaixo d’água – e independesse da gravidade. Nesse esforço, foram investidos milhões de dólares para o desenvolvimento da caneta espacial enquanto os russos simplesmente utilizaram um lápis uma vez que o problema original era escrever nas condições apresentadas pelo espaço.
Essa história é bem curiosa, mas depois que descobri a origem da famosa Experiência dos Cinco Macacos e depois que li o conceito original de meme descrito no livro O Gene Egoísta de Richard Dawkins, fiquei mais cético com relação às histórias que são replicadas por aí sem que se saiba a fonte. Não havia percebido na primeira vez que li sobre a tal caneta espacial, mas colocando-a em uma perspectiva histórica, nota-se o viés de quem a tem espalhado desde os anos 60.
Figura 1 – Corrida Espacial
Na época da Guerra Fria, as duas super potências mundias, Estados Unidos e União Soviética, mediam forças em várias áreas para mostrar que uma era superior à outra – em outras palavras, mostrar que a ideologia política de uma deveria prevalecer e ser replicada no mundo todo. Assim, cada país teria por farol a potência vencedora. Como a caneta espacial se encaixa nesse conflito ideológico? Faz décadas, as universidades, a cultura, o jornalismo, a política e etc. foram sendo inundados pela visão de mundo esquerdista. Nesse modo míope de enxergar a realidade, faz muito sentido e trás até um certo charme debochado ao “debate” quando se acusa o capitalista de ser burro e ganancioso enquanto o comunista é visto como engenhoso, criativo e possui várias outras virtudes.
Criatividade e boas soluções sempre são bem vindas quando queremos criar algo novo ou fazer algo de forma mais barata, mas para exercer essas habilidades, é necessária liberdade de pensamento e ação em um meio pouco intrusivo. Um esquerdista não tem os incentivos certos para pensar fora da caixa e criar algo novo, disruptivo e interessante. Imagine só tentar ser criativo em um império comunista altamente centralizado e burocratizado? Livres pensadores teriam passaporte carimbado em três vias para o Gulag. O esquerdista médio gasta sua energia e seu tempo – e o tempo dos outros – com militância política e causas sociais. Ele não quer trabalhar, mas mesmo assim quer que alguém custeie seu estilo de vida até sua aposentadoria – esse modelo veio do “pai de todos”, Karl Marx. Aliás, calcular o dia exato da aposentadoria é uma das poucas coisas que faz o esquerdista se esforçar.
Voltando ao que importa, nos primeiros anos do programa espacial, a NASA utilizava lapiseiras da fabricante Tycam Engineering Manufacturing, Inc. – Houston, Texas. O problema é que essas lapiseiras custavam cerca de US$ 1.050,00 em valores atuais. Além do alto valor em si, o lápis ou lapiseira possuía outros problemas que passaram a ser preocupações da NASA: o tipo de material, a presença de materiais inflamáveis em um ambiente rico em oxigênio (risco de propagação de incêndios) e a liberação de fragmentos que serão depositados nos equipamentos eletrônicos (risco de mau funcionamento). Em 23 de março de 1965 correu um acidente na Gemini 3 devido a presença de um sanduíche a bordo que espalhou fragmentos comprometendo o funcionamento dos computadores e circuitos elétricos. Em 27 de janeiro de 1967 a cabine da Apollo 1 pegou fogo no local de lançamento e matou os três tripulantes. Suspeitou-se da presença de fragmentos oriundos do grafite das lapiseiras, pois o carbono é um excelente condutor de eletricidade. Esse último acidente é retratado na série Os Eleitos.
Aproveitando que o espaço estava na moda, o empresário Paul G. Fisher, que desde os anos 50 tentava resolver o problema de se escrever no espaço com caneta, investiu US$ 1.000.000,00 do próprio bolso para criar a AG-7 Space Pen, que era uma caneta pressurizada que resolvia o problema do fluído não-newtoniano e permitia escrever de ponta cabeça, debaixo d’água e sob altas temperaturas. Em 1965 Fisher ofereceu a caneta para a NASA, mas somente em 1967 a agência espacial comprou 400 canetas ao preço de US$ 6,00 a unidade para serem utilizadas na missão Apollo. Depois da queda do Muro de Berlim, descobriu-se que a União Soviética também comprava as já famosas canetas espaciais no mercado americano. Em fevereiro de 1969 a União Soviética comprou 100 canetas e 1000 cartuchos de tinta para utilizar na Soyuz. Sendo assim, concordo que os soviéticos foram inteligentes: compraram uma solução já disponível para poderem focar em outros problemas. E essa solução só estava disponível para eles por causa do livre mercado do mundo capitalista.
Figura 2 – Paul G. Fisher
Fisher gastou uma soma de dinheiro considerável para a época, mas ele teve o retorno do investimento em pouco tempo, pois ainda que sua inspiração fosse a corrida espacial, a caneta, embora mais cara que uma caneta comum, era uma ótima opção para presentear alguém. E é daí, e não das licitações, que vem o lucro da Space Pen. Vender para a NASA é apenas para usar em propaganda.
Figura 3 – Astronauta Bill Shepheard na ISS (Estação Espacial Internacional)
Hoje, a escrita espacial é realizado com laptops customizados para utilização no espaço, mas a empresa de Fisher continua anunciando suas canetas como espaciais. Se você tiver um dinheirinho sobrando (entre US$ 60,00 e US$ 700,00), pode comprar uma caneta AG-7 no site do fabricante. AG-7 significa anti-gravity.
Referências
1. TURGUNIEV, Peter. O caso da caneta espacial americana que custou milhões (e os russos apenas usaram lápis). Visão Libertária. Disponível em: [https://visaolibertaria.com/article/c69784ab-16e5-4666-a435-5dc7b5dd5edb]. Acesso em 28 mar. 2022.
2. GARBER, Steve. The Fisher Space Pen. NASA. Disponível em: [https://history.nasa.gov/spacepen.html]. Acesso em 28 mar. 2022.
3. MARASCIULO, Marília. Como se escreve no espaço? Conheça a história das “canetas dos astronautas”. OPMANTEC. Disponível em: [https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2019/09/como-se-escreve-no-espaco-conheca-historia-das-canetas-dos-astronautas.html]. Acesso em 28 mar. 2022.
4. NASA. Space Pens, Pencils, and How NASA Takes Notes in Space. NASA. Disponível em: [https://spinoff.nasa.gov/space-pens]. Acesso em 28 mar. 2022.
A Terra Plana
Teorias que vão contra o status quo têm sua fascinação. A hipótese dos Deuses Astronautas, por exemplo, é muito divertida: fomos visitados no passado por seres oriundos de outros planetas e esses seres vieram para nos trazer novas tecnologias e depois simplesmente foram embora.
A culpa pelo nascimento dessas teorias não é só das pessoas comuns que tendem a acreditar em teorias conspiratórias, das pessoas que as divulgam sem quaisquer fundamentações científicas ou, o que acontece muito, das pessoas que têm por objetivo fazer piada às custas dos outros. A culpa é primordialmente dos cientistas, que estão ocupados demais com suas obrigações acadêmicas para se comunicarem com as pessoas comuns e, no outro extremo, se prestarem a debates eufóricos contra sofistas que defendem teorias sem fundamento. O papel do divulgador científico e da educação científica são essenciais na era da pós-verdade e do negacionismo (anti vacina, anti aquecimento global, anti evolucionismo, etc).
Veja como é fácil inventar uma teoria sem quaisquer embasamento científico. Pense em um helicóptero resgatando vítimas de um naufrágio. O helicóptero parece estar parado, certo? Isso é o suficiente para que os negacionistas afirmem que a Terra não gira. A explicação para esse fenômeno foi dada séculos antes de existirem os helicópteros. Você está em um navio em movimento. Se você atirar um peso em linha reta do alto do mastro à, digamos, 30cm distante dele, onde ele vai cair? O negacionista dirá que vai cair lá perto da popa do navio, pois para ele o mundo em volta do navio está parado, mas o peso vai cair a 30cm do mastro. Como os negacionistas são contra a ciência, não têm embasamento suficiente para compreender fenômenos como a inércia, que é um princípio relacionado à conservação de movimento e não a coisas paradas. O helicóptero, ainda que pareça parado em relação à Terra, está se movimentando pelo espaço na velocidade do planeta. O peso atirado do alto do mastro está na mesma velocidade do navio quando é solto.
O conhecimento confiável é baseado no método científico, que tem por uma de suas maiores qualidades – senão a maior – a falseabilidade, ou seja, a possibilita de que determinadas teorias sejam refutadas. Hoje, pelo acúmulo de evidências, a Teoria da Relatividade Geral é a teoria que melhor explica a órbita dos planetas em torno do Sol dentre outras coisas e permitiu previsões que só foram confirmadas recentemente, com as lentes gravitacionais e com as ondas gravitacionais. Se uma teoria não explica determinados fenômenos que estão em seu espectro de aplicação, ela será falseada e muito do conhecimento científico que foi assentado sobre ela desabará.
Terra plana diz respeito a um conjunto de ideias defendidas por pessoas que acreditam que a Terra tenha o formato de um disco plano, limitado pelo Círculo Polar Ártico e encoberto por uma abóboda celeste onde estão distribuídos os corpos celestes. Alguns dos chamados terraplanistas creem também que a gravidade é uma farsa e que a Lua e o Sol encontram-se muito mais próximos da Terra do que se acredita.
Essa concepção da Terra era unanimidade na Antiguidade, pois não havia desenvolvimento científico suficiente para fazer investigações para além dos sentidos. Apenas no século 6 a.C. começou-se a propor um modelo esférico da Terra devido a observações celestes e relatos de navegadores. Em 1849, o inglês Samuel Rowbotham revisitou a Terra Plana e chamou de “astronomia zetética”. Essa “astronomia” define a Terra como um planeta no formato de pizza com o centro no hemisfério norte e a borda na Antártida. Essa ideia permaneceu restrita a certos círculos, mas voltou devido a facilidade de comunicação, à falta de educação científica e ao fundamentalismo religioso.
Devemos respeitar as pessoas, mas não suas ideias: podemos debater ideias sem atacar pessoas tendo como objetivo descobrir a verdade. Eventualmente, as pessoas e as ideias se misturam, mas esse não é nosso foco aqui. A ciência não produz verdades: ela explica a realidade através de seus métodos. Os terraplanistas se utilizam apenas de seus sentidos. Para eles, a verdade é aquilo que se apresenta ao nosso redor até onde podemos ver, ouvir e tocar. Eis aí um grande problema. O Coronavirus existe ainda que não seja possível enxergá-lo a olho nu e ele causa o Covid-19. Nossos sentidos não nos ajudam a entender a realidade, pois a realidade não é intuitiva. Por isso, é necessário fazer experiências, simulações e montar modelos que a explicam de forma satisfatória.
Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias
Carl Sagan
Terraplanistas sofrem do problema da perspectiva. Se tomarmos um círculo e o aproximarmos o suficiente, o que era curva vira reta. Se você andar dez passos em qualquer direção, aos seus sentidos você estará sobre uma superfície plana. Deite sobre um gramado em uma área descampada. Se olhar para o céu e depois virar o pescoço 90 graus para algum lado, parecerá que o céu encontra o plano no horizonte.
Se a Terra fosse plana e o centro fosse o polo norte, uma viagem de Seattle para Londres deveria ser muito mais curta do que uma viagem de São Paulo para Joanes Burgo, mas na verdade elas duram mais ou menos o mesmo tempo: cerca de 9 horas. Para os terraplanistas, o símbolo da ONU prova que a Terra é plana:
A Lei de Poe e a Teoria da Conspiração
A Lei de Poe propoe, resumidamente, que em um dado momento, você não consegue mais distinguir uma pessoa que está apenas brincando de um fanático que realmente acredita no que diz, o que é agravado pelo efeito Dunning Krugger. As redes sociais alavancaram o discurso anticientífico, o que faz com que a ciência seja vista por certos grupos como apenas uma opinião sobre um determinado assunto.
Dessa forma, surgem as teorias conspiratórias que supostamente demonstram que estamos sendo enganados por quem detém o poder econômico e o poder político. Uma teoria conspiratória é um grupo de pequenas verdades unidas por grandes mentiras. Veja como construir uma teoria da conspiração em 6 passos:
1. Pegue um fato muito comentado recentemente e que teve impacto global ou alguma ideia que tenha sido muito bem estabelecido pela ciência
2. Invente uma forma de tornar esse fato uma mentira. Afirme que todo mundo está sendo enganado e jogue a culpa em outra pessoa ou instituição (financeira, governamental, secreta, etc). O ponto é a dificuldade de acessar essas instituições para comprovar a mentira.
3. Pegue, dentro da realidade, fatos que corroboram a ideia e descarte outros fatos ou diga que são mentirosos quando refutam a sua ideia
4. Divulgue a sua ideia utilizando alguma mídia
5. Ataque a ciência e todas as áreas e mídias que digam, mostrem ou possam mostrar que você está errado
6. Pegue supostos cientistas que corroboram com a sua ideia e com a teoria da conspiração para lidar com a opinião pública e ganhar um ar de autoridade
Veja como a Terra Plana se encaixa na teoria da conspiração:
1. Pegou um tema muito bem estabelecido da ciência: o formato da Terra
2. Afirmou que o formato esférico é uma conspiração do Governo Americano e de sociedades secretas orquestrada pela NASA com auxílio de Hollywood, da comunidade científica e das escolas.
3. Escolheu alguns fatos da realidade: nossa dificuldade de enxergar a olho nu a curvatura da Terra, por exemplo
4. Criou páginas na Internet, vídeos no YouTube e apareceu em programas de televisão. Atualmente, há até congresso de terraplanismo.
5. Afirmou que a ciência está mentindo para defender os próprios interesses.
6. Encontrou supostos cientistas e pesquisadores que afirmam que a Terra é Plana
Tente aplicar os 6 passos à Teoria dos Deuses Astronautas. Você vai ver como ela também casa bem com uma teoria conspiratória. Depois de tudo isso, vem a fase do convencimento, que basicamente tem dois fatores:
1. A ignorância das pessoas com relação a termos e fatos científicos e estudos em dada área
2. As pessoas têm uma vontade de não acreditar naquilo que é divulgado nas mídias que ela acompanha por causa de um viés ideológico ou religioso
Argumentos dos Terraplanistas e Como a Ciência os Refuta
Separei alguns tópicos e, para cada um deles, apresentei a visão do terraplanista e a visão do cientista. A visão do cientista muda conforme novas evidências vão se apresentando e ela adapta os modelos existentes para que se adequem às evidências. O terraplanista pega apenas as evidências que comprovam sua crença pré-estabelecida: a Terra é plana.
Formato do Planeta Terra
Terraplanista: a Terra é achatada, de dimensões indefinidas, em formato de disco com uma parede de gelo nas extremidades, o polo norte no centro e uma abóbada celeste que impede a saída para o espaço. Esse formato explica porque a água não vaza para fora do planeta e uma circunavegação seria uma volta em torno desse prato.
Cientista: a Terra tem um formato próximo de uma esfera – na verdade, é um esferoide levemente achatado no diâmetro polar. A natureza tende a economizar energia e uma esfera é o melhor arranjo geométrico para isso. Quanto maior a massa de um planeta, mais próximo de uma esfera seu formato tende a ser – o planeta Júpiter está mais perto de uma esfera do que a Terra porque sua massa é muito maior. Além disso, e na verdade mais importante, há a ação da gravidade orientada para o centro de massa do planeta. Se a Terra fosse plana e orientando a gravidade para o centro, caminhar em direção às bordas seria como subir uma ladeira cada vez mais acentuada. Isso inevitavelmente faria com que caíssemos em direção ao centro da Terra e, por conseguinte, não permitiria a existência das camadas polares e quaisquer outras coisas nas bordas da Terra.
Nossos Sentidos
Terraplanista: nossos sentidos indicam que a Terra é plana, pois o mundo parece plano e isso é o suficiente para afirmar que ele é plano. O ônus da prova recai sobre quem defende uma teoria diferente.
Cientista: nossos sentidos não servem para entender a realidade – o fato de não termos uma percepção direta das bactérias, por exemplo, não significa que elas não existam. Os terraplanistas acreditam que exista um domo cobrindo a Terra, mas seguindo a lógica do uso dos sentidos, qual é a prova de que o domo esteja lá uma vez que ele não é diretamente perceptível?
A Linha do Horizonte
Terraplanista: quando olhamos o horizonte, ele parece plano. Olhando à partir do litoral, coloque uma régua na direção do horizonte e veja como tudo está reto. Não é possível ver a curvatura da Terra mesmo em um avião.
Cientista: imagine um navio de grande porte se afastando na direção do horizonte. Primeiro, o casco desaparece e apenas por último a ponta do mastro desaparece. Isso ocorre por causa da curvatura da Terra. Se a Terra fosse plana, o distanciamento do navio o faria parecer menor, mas não é o que se observa. Se a Terra fosse realmente plana, os antigos marinheiros não precisariam subir nos mastros para ver mais longe: olhando ao nível do mar, enxergariam o fim do mundo. Acima de 10 quilômetros de altura, a curva da Terra é bem evidenciada se você estiver em um avião. Um avião pode viajar em linha relativamente reta sem ultrapassar as supostas bordas da Terra plana.
Posição das Estrelas no Céu
Terraplanista: as mesmas estrelas e constelações são visíveis de quaisquer partes do planeta.
Cientista: determinadas estrelas e constelações são visíveis apenas de certas partes do planeta: a estrela Polaris, por exemplo, só pode ser vista do hemisfério norte enquanto a Cruzeiro do Sul só é visível no hemisfério sul. Quando nos deslocamos de uma latitude extrema em direção à outra, a curvatura da Terra bloqueia alguns objetos celestes e revela outros
Sombra da Terra Projetada na Lua (Eclipse Lunar)
Terraplanista: a Terra é plana e tem um formato circular. Por isso, a sombra projetada na Lua é circular.
Cientista: a sombra circular projetada sobre a Lua só pode ser produzida por um objeto esférico – a Terra.
O Sol, a Lua e as Estações do Ano
Terraplanista: o Sol e a Lua são pequenas esferas com tamanhos relativamente parecidos e estão situados a alguns milhares de quilômetros da Terra logo abaixo do domo celeste onde estão fixadas todas as estrelas. Eles realizam uma órbita circular ao redor do Polo Norte. Quando o sol está sobre determinada parte do disco que forma a Terra, é dia ali. Quando não está, é noite. O sol pode fazer o círculo mais perto do Polo Norte ou mais perto da borda de gelo, o que explicaria as diferentes estações do ano.
Cientista: o Sol é 400 vezes maior que a Lua e possui um diâmetro de 1,4 milhões de quilômetros. É razoável entender que o Sol e a Lua parecem ter o mesmo tamanho no céu porque o Sol está bem mais distante da Terra – aproximadamente 150 milhões de quilômetros – do que a Lua – 384 mil quilômetros. Se o Sol orbitasse acima da face da Terra plana, como se explica o fato de que o vemos cruzar a linha do horizonte ao amanhecer e ao entardecer? Nesse modelo, o Sol não pode se aproximar e depois desaparecer abaixo do horizonte. Cada nascer e pôr do Sol refuta a Terra plana. As estações do ano acontecem por causa da inclinação da terra em relação ao sol. O movimento do nosso planeta em torno do sol dura um ano. Esse movimento recebe o nome de translação e a sua principal conseqüência é a mudança das estações do ano
Fuso Horário
Terraplanista: quando o sol está sobre determinada parte do disco que forma a Terra, é dia. Quando não está, é noite.
Cientista: a Terra é redonda e gira sobre seu próprio eixo (movimento de rotação). Dessa forma, enquanto o Sol ilumina uma parte da esferoide, a outra parte permanece na escuridão. Se a Terra fosse plana, poderíamos ver o Sol ainda que fosse noite de forma análoga a ver os refletores de um palco à partir de um canto escuro da platéia.
Nível da Água
Terraplanista: rios e lagos estão nivelados. Se a Terra fosse esférica, deveria haver uma curvatura. Além disso, se tentarmos colocar água em uma esfera giratória, vai vazar.
Cientista: a água está nivelada, mas em relação a uma superfície esférica com raio de curvatura de 6,4 mil quilômetros, que não por coincidência, é o raio da Terra. Para pequenas distâncias, a curvatura da superfície das águas é desprezível, mas para distâncias maiores, ela fica evidente. A NBR 12133 da ABNT orienta que, para levantamentos topográficos de distância superiores a 1000 metros, é necessário levar em conta o desnível. Se você é um terraplanista que preza pelo seu dinheiro e precisa de um agrimensor, opte por um que seja “terrabolista”. Com relação à água sobre uma esfera, a gravidade a mantém ali.
Fotos Feitas do Espaço
Terraplanista: é fácil manipular imagens e há lentes especiais que alteram a curvatura vista nas fotos. A exploração espacial nunca ocorreu. Trata-se apenas de uma conspiração americana orquestrada pela NASA e auxiliada por Hollywood. Não há explicação para a bandeira que tremula, as múltiplas sombras e a pegada que ficou se não há humidade. Sofremos controle mental da grande mídia e dos governos. As escolas disseminam esse conhecimento errôneo a respeito do formato do planeta. Querem inclusive que acreditemos que evoluímos dos macacos! Por que os outros macacos pararam no tempo? Os astronautas foram subornados para afirmar que a Terra é redonda ou foram iludidos. Mesmo assim, não é possível deixar a Terra por causa do domo.
Cientista: não existe conspiração global para te fazer acreditar que a Terra é redonda. Esse formato é o que melhor explica o acúmulo de evidências e observações. Nosso conhecimento sobre o formato da Terra é anterior à existência dos astronautas. Entre 1736 e 1745 foram realizadas expedições geodésicas à Lapônia e ao Peru que mediram de forma precisa o pequeno achatamento do diâmetro polar da Terra em relação ao diâmetro equatorial. Isso confirmou a previsão que Newton realizou no século XVII: a Terra é um esferoide levemente achatado. Fotos que comprovam o formato do nosso planeta podem ser tiradas pelos satélites geoestacionários, mas a hipocrisia dos terraplanistas é tamanha que eles usam a tecnologia dos satélites, que estão a 36 mil quilômetros de altura (acima do “domo”), e antenas apontadas para o céu para receber radiação eletromagnética e assistir televisão. A bandeira fincada na Lua pelos astronautas da NASA são tremeu enquanto eles a estavam fincando ao solo e no vácuo não há uma força que impediria a bandeira de parar. As múltiplas sombras foram projetadas por outros objetos que estavam ou não em cena. Não há umidade na Lua. A pegada permaneceu por causa do regolito, que é um pó super fino resultante de milhões de anos de impacto de corpos celestes. E sobre os macacos, não evoluímos deles, mas sim de um ancestral comum de acordo com a Teoria da Evolução. E quem disse que o ser humano é a meta evolutiva do macaco? Cada animal evoluiu para se adaptar ao seu meio. Nenhum ser humano conseguirá sapear tão bem quanto um sapo ou gatear tão bem quanto um gato.
Criacionismo Bíblico
Terraplanista: o dilúvio bíblico explica o formato da Terra, pois se ela fosse esférica e giratória, a água teria vazado. A gravidade também não existe – é uma mera ilusão.
Cientista: fundamentalismo religioso não é ciência. Utiliza-se de interpretação literal da Bíblia para mostrar que Deus condena quem pense que a Terra não é plana.
Descobertas Científicas que Refutam a Terra Plana
Elenquei aqui algumas descobertas que foram feitas ao longo da história que refutam a Terra Plana.
A Geometria Euclidiana e a Menor Distância Entre Dois Pontos
Por volta de 300 a.C., o matemático Euclides desenvolveu uma nova geometria. Essa geometria mostrava que a menor distância entre dois pontos em uma superfície esférica é um arco de circunferência (ortodromia). Um avião saindo da cidade de São Paulo em direção a Londres em linha reta (loxodromia) percorreria uma distância maior do que se seguisse a curvatura da Terra.
Eratóstenes e a Circunferência da Terra
Por volta de 240 a.C., Eratóstenes utilizou-se da sombra de uma vareta fincada no chão na na cidade de Siena à 800 km da cidade de Alexandria no mesmo horário onde a luz do sol era projetada na perpendicular. O ângulo medido com a ajuda da vareta e da sombra tinha aproximadamente 7 graus. Comparando com os 360 graus de um círculo, a relação era de aproximadamente 50 vezes. Assim, ele descobriu que a circunferência teria 40.000 km. Ele errou por apenas 5% em relação às medições mais modernas feitas com satélites!
Claudio Ptolomeu e os Mapas do Globo Terrestre
Por volta de 150 d.C., o astrônomo Claudio Ptolomeu escreveu um tratado baseado na geometria de Euclides e nos cálculos de Erastótenes que definiu um sistema de coordenadas baseadas em latitudes e longitudes utilizado até hoje nos sistemas de localização e navegações.
Circum-navegações
De 1519 até 1522, o navegador Fernão de Magalhães foi a primeira pessoa à partir de um ponto rumo a uma única direção e chegar ao mesmo ponto de origem.
A Gravitação de Newton e o Formato da Terra
No século XVII, o físico Isaac Newton desenvolveu a Teoria da Gravitação Universal e o Cálculo. Essa teoria permitia prever a trajetória dos corpos celestes e explicava o formato dos planetas. A gravidade faz com que corpos se atraiam de forma equivalente em todas as direções. Assim, com o tempo, a matéria tende a ocupar espaços cada vez menores e o raio tende a ser idêntico em todas a direções e isso acaba por dar ao corpo o formato esférico.
Pêndulo de Foucault e o Movimento de Rotação da Terra
Em 1851, Bernard Léon Foucault mostrou que a Terra gira em torno de seu próprio eixo. Uma grande massa foi pendurara em um fio de 67 metros e essa massa deveria oscilar em uma grande amplitude. A aceleração centrípeta da Terra afetou o plano de oscilação do pêndulo. Essa aceleração é chamada de aceleração de Coriolis que, embora seja inferior a aceleração da gravidade, interfere na movimentação dos oceanos e das correntes marítimas. O experimento de Coriolis permitiu determinar as coordenadas de latitude e longitude sem qualquer tipo de observação externa.
A Relatividade Geral de Einstein e a Forma da Terra
No início do século XX, o físico Albert Einstein postulou a Teoria da Relatividade Geral que, até hoje, na segunda década do século XXI, ainda não foi refutada por nenhum dos testes que sofreu – o mais recente foi a descoberta das ondas gravitacionais que foram previstas pela teoria antes de serem observadas. De acordo com a teoria, corpos de grande massa alteram o espaço-tempo em volta de si, o que muda a trajetória das ondas eletromagnéticas como a luz, por exemplo. O tempo passa mais lentamente se estamos mais afastados do campo gravitacional do planeta. O GPS permite que determinemos uma localização geográfica através da medição do tempo que uma onda demora para retornar à fonte emissora. A distorção gravitacional é levada em conta nos cálculos para que a medição seja precisa. O campo gravitacional depende do formato do planeta.
Referências
1. FISICO. FISICO REAGE TERRAPLANISTA “MUDE MINHA IDEIA” E CIENTISTAS.. O Físico Turista. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=_uaXNY3dA2g]. Acesso em 25 jul. 2021.
2. PIRULA. Terra Plana e o Filtro pra Teorias da Conspiração (#Pirula 130).. Canal do Pirula. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=yzY7swaTwmA]. Acesso em 25 jul. 2021.
3. PRIMATA. A Terra é Mesmo Redonda? | Primata Falante.. Primata Falante. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=IpzQZn3uVjA]. Acesso em 25 jul. 2021.
4. TAMANINI, Maria. Terraplanistas? Veja como derrubar os argumentos dessa turma.. Tecmundo. Disponível em: [https://www.tecmundo.com.br/ciencia/177711-terraplanistas-veja-derrubar-argumentos-dessa-turma.htm]. Acesso em 25 jul. 2021.
5. MELO, Itamar. Sete afirmações feitas pelos terraplanistas e os motivos de eles estarem enganados.. GZH CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Disponível em: [https://gauchazh.clicrbs.com.br/tecnologia/noticia/2019/08/sete-afirmacoes-feitas-pelos-terraplanistas-e-os-motivos-de-eles-estarem-enganados-cjze68lgl038r01qmslcdjmbp.html]. Acesso em 25 jul. 2021.
6. GLOBO. 8 ideias propagadas pelos palestrantes da Convenção Nacional da Terra Plana.. O Globo. Disponível em: [https://epoca.globo.com/sociedade/8-ideias-propagadas-pelos-palestrantes-da-convencao-nacional-da-terra-plana-24075213]. Acesso em 25 jul. 2021.
7. BBCNEWS. 5 experimentos simples para verificar que a Terra não é plana.. BBC News Brasil. Disponível em: [https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-50823002]. Acesso em 25 jul. 2021.
8. OLIVEIRA, André Jorge de. Como refutar cientificamente 15 argumentos negacionistas.. Galileu. Disponível em: [https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2020/07/como-refutar-cientificamente-15-argumentos-negacionistas.html]. Acesso em 25 jul. 2021.
O Paradoxo de Olbers
Se você perguntar para alguém porquê o céu é escuro à noite, provavelmente essa pessoa responderá que é por causa da ausência do Sol – argumento circular. O Sol é nossa estrela mais próxima e demora cerca de oito minutos para sua luz nos atingir. Isso significa que se o Sol deixasse de existir, demoraríamos oito minutos para perceber isso aqui na Terra.
E Deus disse: — Faça-se a luz!
E a luz se fez.
E Deus viu a luz, que era boa;
E Deus separou a luz das trevas.
E Deus chamou a luz de dia e
as trevas de noite.
E a tarde e a manhã foram do 1º dia.
Gênesis
Quando olhamos para o céu noturno, para onde quer que direcionemos nossa atenção, vemos estrelas e alguns planetas do nosso sistema solar – os planetas do nosso sistema solar são mais brilhantes para nós do que as estrelas. Parecem existir infinitos objetos brilhantes no céu. Sabendo que o universo é infinito no tempo e no espaço, não deveríamos estar observando uma estrela para onde quer que olhássemos? Indo um pouco mais longe, se existissem infinitas estrelas, elas não deveriam estar iluminando o céu noturno da mesma forma que o Sol nos ilumina de dia?
Fazendo uma analogia [1], imagine que você está em uma clareira no meio de uma floresta. Se você observar as árvores mais próximas que o rodeiam, perceberá um certo espaço entre elas, mas quanto mais para dentro da mata você tentar observar, menos visibilidade você terá, pois as árvores parecerão estar ficando cada vez mais juntas até se tornarem uma barreira uniforme.
Portanto, se o céu estivesse coberto de estrelas, ele seria tão brilhante quanto a superfície de uma estrela média, mas obviamente ele não é. Esse problema é indagado a muito tempo, mas recebeu o nome de Paradoxo de Olbers porque foi Heinrich Olbers (1758-1840) que deu sua formulação moderna em 1826. Vamos fazer um breve resumo sobre a história da contemplação do universo no sentido da evolução do entendimento da escuridão noturna e ao final vamos enunciar a resposta mais aceita atualmente.
Antiguidade: os povos antigos acreditavam que a Terra era o centro de um universo limitado por uma casca esférica onde orbitavam todas as estrelas e demais objetos celestes;
Nicolaus Copernicus (início do século XVI): criou um modelo que colocava o Sol no centro de um universo finito e limitado, que abriu margem para se questionar o fato de que se a Terra não era o centro do universo, por que deveria haver um lugar específico para esse centro?
Thomas Digges (1576): sugeriu um modelo de universo infinito onde as estrelas estariam espalhas aleatoriamente e nem todas seriam visíveis porque estariam muito longe;
Johannes Kepler (1610): pensou em um universo finito e limitado, pois um universo infinito com estrelas espalhadas por todos os lugares seria tão luminoso quanto o Sol;
Edmund Halley (1721): fez um modelo matemáticoque permitiu chegar a mesma conclusão de Thomas Digges (universo infinito e estrelas espalhadas desordenadamente);
Jean Phillipe Loys de Chesaux (1744): fez análise matemática do problema parecida com a de Halley. Seu modelo de cascas concêntricas com distâncias uniformes entre as cascas e distribuição proporcional de estrelas sobre as cascas sendo que as cascas foram adicionadas até uma distância de 300 trilhões de anos luz mostrou que o universo observável deveria estar totalmente coberto por estrelas com luminosidade 180 mil vezes maior que a do Sol. Para explicar a escuridão noturna, ele conclui, equivocadamente, que deveria haver algum meio interestelar absorvente;
Heinrich Olbers (1826): a abordagem de Olbers era parecida com a de Chesaux, mas menos matemática, e ele chegou à mesma conclusão. Embora Olbers tenha dado pouca contribuição para a elucidação do problema, o paradoxo levou seu nome devido à forma que ele a enunciou;
John Herschel (1831): mostrou que se o universo emitisse uma radiação 180.000 vezes maior que a do Sol a Terra seria evaporada e quaisquer meios absorventes aqueceriam e se tornariam difusores de luz;
Edward Fournier d’Albe (final do século XIX): sugeriu, em tom mais irreverente, que nem todas as estelas eram fontes luminosas e estariam alinhadas de tal forma que umas se esconderiam atrás das outras;
Lord Kelvin (1901): mostrou que o modelo mais aceito tinha um número insuficiente de estrelas para cobrir a escuridão noturna e que também mostrou que mesmo se as estrelas estivessem espalhadas por um espaço infinito, as estrelas visíveis não cobririam o céu e não podiam cintilar indefinidamente, o que trouxe, posteriormente, à ideia de tempo e velocidade da luz;
Alexander Friedmann (1922): encontrou um conjunto de soluções para as equações de Einstein que mostrou que o universo estava em expansão;
Edward Hubble (1929): confirmou via observações a teoria de Friedmann;
Hermann Bondi (1957): postulou que o universo é homogêneo, imutável, não possui movimento sistemático e todas as leis da física se aplicam. Essas considerações conduzem ao Paradoxo de Olbers, pois como o céu noturno é escuro, nem todos os postulados são verdadeiros.
Conclusão
Mas afinal, existe uma explicação para o Paradoxo de Olbers? Edward Harrison sintetizou os cálculos de Lord Kelvin em 1985 e concluiu que não há energia suficiente no universo para que o céu se apresentasse excessivamente brilhante. O universo teve um início (12 bilhões de anos) como demonstrado pela Teoria do Big Bang. Como o universo tem uma idade finita e a velocidade da luz também é finita, a luz das estrelas mais distantes não teve tempo de chegar até aqui. Inclusive essa questão do atraso da luz já havia sido proposta no século XIX de forma independente pelos escritores Mark Twain e Edgar Allan Poe. Além disso, a radiação luminosa das estrelas que chega até nós vinda de galáxias distantes está fora da faixa de luz visível devido ao Efeito Doppler, que incide sobre ondas em geral – você pode perceber esse feito através da mudança do som que ocorre quando uma ambulância passa por você com a sirene ligada. Essa é a explicação mais aceita hoje para o Paradoxo de Olbers.
Referências
1. UFRGS. O Paradoxo de Olbers: O enigma da escuridão da noite. UFRGS. Disponível em: [http://www.if.ufrgs.br/tex/fis01043/20022/FranciscoK/olbers.htm]. Acesso em 29 nov. 2020.
2. RIOS, Edmilson Helton. Paradoxo da Noite escura. Introdução à Cosmologia. Disponível em: [http://lilith.fisica.ufmg.br/~dsoares/ensino/1-08/noite.pdf]. Acesso em 29 nov. 2020.
3. OLIVEIRA, Renato da Silva. O PARADOXO DE OLBERS – POR QUE A NOITE É ESCURA?. ASTERDOMUS. Disponível em: [http://www.asterdomus.com.br/asterdomus/o-paradoxo-de-olbers-por-que-a-noite-e-escura/]. Acesso em 29 nov. 2020.
4. SÉRRVULO, Felipe. O paradoxo de Olbers: por que o céu noturno é tão escuro?. Mistérios do Universo. Disponível em: [https://www.misteriosdouniverso.net/2015/04/o-paradoxo-de-olbers-por-que-o-ceu.html?m=1]. Acesso em 29 nov. 2020.
Indução, Dedução e Abdução
Raciocínio lógico é um processo de estruturação do pensamento de acordo com as normas da lógica que permite chegar a uma determinada conclusão dadas uma premissa, uma conclusão ou uma regra através da qual a premissa implica a conclusão. Existem três tipos de raciocínio lógico: dedução, indução e abdução.
Dedução
O raciocínio dedutivo parte de uma regra e uma premissa para se chegar a uma conclusão, ou seja, parte-se de algo geral e culmina-se em algo particular. Como não se adicionam elementos para explicar as premissas ou para fazer com que as regras funcionem, esse tipo de raciocínio é muito útil para os matemáticos. Enquanto os casos particulares de uma lei não forem falseados, a lei é considerada válida sem que sejam necessárias inúmeras provas indutivas.
Exs.:
1. Todo o homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.
2. Quando chove, a grama fica molhada. Choveu hoje. Logo, a grama está molhada.
3. Todas as rosas daquele jardim são brancas. Essas rosas são daquele jardim. Logo, essas rosas são brancas.
4. Todo mamífero tem coração. Todos os cavalos são mamíferos. Logo, todos os cavalos têm coração.
Indução
O raciocínio indutivo abstrai uma regra à partir da observação de diversos casos de como uma conclusão segue da premissa. Esse tipo de raciocínio é muito utilizado por cientistas, pois como a conclusão supera o conteúdo da premissa, o conhecimento obtido por meio indutivo aumenta o conhecimento sobre determinado assunto.
A partir de uma gota d’água, um pensador lógico poderia inferir a possibilidade de um Atlântico ou de um Niágara sem ter visto ou ouvido qualquer um deles.
Arthur Conan Doyle, Um Estudo em Vermelho
Exs.:
1. Essas rosas são daquele jardim. Essas rosas são brancas. Então, todas as rosas daquele jardim são brancas.
2. Todos os cavalos até hoje observados tinham coração. Logo, todos os cavalos têm coração.
3. A grama ficou molhada todas as vezes em que choveu. Então, se chover amanhã, a grama ficará molhada.
Abdução (Hipótese)
O raciocínio abdutivo se preocupa em encontrar as premissas que expliquem o fenômeno observado. Usa-se a conclusão e a regra para defender que a premissa poderia explicar a conclusão. A abdução é a adoção probatória da hipótese, que é a base do método científico – a proposição de hipóteses é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. Esse tipo de raciocínio é muito utilizado por cientistas e detetives.
Sou extremamente organizado. Gosto de todas as coisas em seus devidos lugares. Apenas encontrando e encadeando todos os elos é que podemos chegar à conclusão, que já conhecíamos, e rastrear os agentes envolvidos. Assim, o motivo aparentemente oculto se vislumbra.
Agatha Christie, Cartas na Mesa
Exs.:
1. Todos os livros dessa caixa são de matemática. Estes livros são de matemática. Provavelmente, esses livros provêm daquela caixa.
2. Todos os televisores da marca CCE estragam. Minha televisão é CCE. Provavelmente, minha televisão vai estragar.
3. Quando chove, a grama fica molhada. Como a grama está molhada, pode ser que tenha chovido.
Resumo
A dedução prova algo que deve ser, a indução mostra algo que atualmente é operatório, já a abdução faz uma mera sugestão de algo que pode ser.
Referências
1. ANTON, Rogério. Dedução e Indução. Rogério Anton. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=L7EI7g_yiaw]. Acesso em 26 fev. 2020.
Por que a Água e o Óleo não se Misturam?
Todos sabemos que água e óleo não se misturam. Água e óleo são substâncias ditas imiscíveis: não importando quanto você tente misturá-las, elas permanecerão separadas. Dizemos que o óleo é hidrofóbico (“fobia” ou “aversão” à água). Faça a experiência: pegue um copo e coloque água até a metade; em seguida, coloque um pouco de óleo de cozinha. Você perceberá que o óleo permanece acima da água. Faça o inverso: pegue um copo com óleo e coloque água. Você perceberá que a água e o óleo trocarão de posição depois de algum tempo. Se você tentar agitar a mistura, depois de algum tempo tudo permanecerá como esperado: água abaixo e óleo acima. Isso ocorre por causa da natureza química das moléculas de água e óleo.
A polaridade de uma molécula é a diferença de eletronegatividade entre os átomos que a compõe. Eletronegatividade é a capacidade que um átomo tem de atrair o par eletrônico que ele compartilha em uma ligação covalente. Como todas as ligações orgânicas são covalentes, a diferença de eletronegatividade que causa o deslocamento de carga torna a molécula polar. Se não houver diferença na eletronegatividade entre os átomos, a molécula será apolar.
Existem dois tipos de ligações moleculares: intramoleculares e intermoleculares. As ligações intramoleculares são fortíssimas, pois se estabelecem entre os átomos que constituem as moléculas. As ligações intermoleculares são mais fracas e se classificam em três tipos:
Dipolo-Dipolo: Ocorre entre moléculas polares onde um polo positivo atrai um polo negativo
Ponte de Hidrogênio: Ocorre em moléculas polares que contenham Hidrogênio ligado a Flúor, Oxigênio ou Nitrogênio. É a mais forte dentre as ligações intermoleculares
London (Dipolo Instantâneo e Induzido): Ocorre entre moléculas apolares
A água tem uma estrutura polar:
Óleos são hidrocarbonetos com estruturas apolares:
Substâncias polares dissolvem substâncias polares e substâncias apolares dissolvem substâncias apolares. A água é um solvente universal porque uma grande quantidade de substâncias se dissolvem nela. Embora água e óleo tenham diferentes tipos de ligações covalentes, por incrível que pareça, as moléculas de óleo são mais atraídas pelas moléculas de água do que por outras moléculas de óleo. As pontes de hidrogênio existentes entre as moléculas de água formam uma ligação intermolecular mais forte do que as ligações com as moléculas de óleo. A força é tanta que uma molécula de óleo não consegue ficar entre duas moléculas de água vizinhas.
Uma segunda explicação para o problema da água e do óleo vem da Segunda Lei da Termodinâmica:
A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo
Mais especificamente, na entropia a quantidade de formas com a quais podemos reorganizar um conjunto de átomos em um sistema fechado só aumenta com o tempo. Isso é complementado pela irreversibilidade das leis da física em nível molecular. Por exemplo, você pode misturar café e leite, mas não pode desmisturá-los; você verá um copo quebrar, mas nunca o verá voltar à forma original. Em nível molecular, os fenômenos físicos têm uma direção única. Na natureza, a mistura de água e óleo é algo improvável. A entropia da mistura não é a máxima uma vez que esse não é o estado mais provável desse sistema. Sendo assim, a entropia tende a diminuir. A entropia (desordem), de acordo com a Lei, é máxima quando as duas substâncias estão separadas.
Há Alguma Forma de Misturar Água e Óleo?
Me lembro das aulas de química nos longínquos anos 90. O professor dizia que a substância que conectava água e óleo era um “sal…sal bão”. Um detergente ou sabão (ou “salbão”, né…) é uma cadeia longa que atua de um lado como emulsificante e de outro como surfactante. Sua porção surfactante é polar, o que facilita a interação com sua superfície. Seu lado emulsificante é apolar e é composto de uma cadeia de hidrocarbonetos, o que facilita a interação com as moléculas de óleo.
Referências
1. POLLARD, John. Por que água e óleo não se misturam? – John Pollard. TED-Ed. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=h5yIJXdItgo]. Acesso em 26 fev. 2020.
2. LIVROZILLA. Por que água e óleo não se misturam?. Livrozilla. Disponível em: [http://livrozilla.com/doc/684024/por-que-%C3%A1gua-e-%C3%B3leo-n%C3%A3o-se-misturam%3F]. Acesso em 26 fev. 2020.
3. FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Moléculas orgânicas polares e apolares. Mundo Educação. Disponível em: [https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/moleculas-organicas-polares-apolares.htm]. Acesso em 26 fev. 2020.
4. ______. Por que a água e o óleo não se misturam?. Alunos Online. Disponível em: [https://alunosonline.uol.com.br/quimica/por-que-agua-oleo-nao-se-misturam.html]. Acesso em 26 fev. 2020.
5. HELMENSTINE, Anne Marie. Why Oil and Water Don’t Mix. Thought Co. Disponível em: [https://www.thoughtco.com/why-oil-and-water-dont-mix-609193]. Acesso em 26 fev. 2020.
A Formação dos Flocos de Neve
Há grandeza nessa visão da vida, de que, com seus vários poderes, tendo sido originalmente soprada em algumas poucas formas, ou em apenas uma, e que, enquanto este planeta tem girado de acordo com a imutável lei da gravidade, a partir de um início tão simples, infinitas formas mais belas e maravilhosas evoluíram, e continuam evoluindo.
Charles Darwin – Origem das Espécies
Um floco de neve nada mais é que um cristal de gelo no qual as moléculas estão alinhadas em um arranjo hexagonal preciso. Essa simetria hexagonal que lembra uma pequena estrela é familiar até mesmo para quem vive nos trópicos. Na região Sul do Brasil, as altas altitudes e as mais baixas latitudes do país permitem o surgimento da neve.
Figura 1 – Um floco de neve
Nesse artigo, trataremos principalmente de um possível processo para a formação dos flocos de neve, mas também explicaremos porque o floco tem formato hexagonal.
O Processo de Formação do Floco de Neve
Para que os flocos de neve sejam formados, duas condições particulares devem ser encontradas nas nuvens: super-saturação (supersaturation) e super-resfriamento (supercooling). A variação dessas condições determina o formato do cristal de neve. A super-saturação ocorre quando há mais vapor d’água no ar do que o limite ordinário de umidade, que é de 100%. O super-resfriamento ocorre quando existe água líquida em temperaturas abaixo de 0°C. Sim, pode existir água líquida abaixo do ponto de congelamento e acima do ponto de ebulição (100°C).
O início do processo de formação de um floco de neve se dá quando há um grão de poeira microscópico flutuando numa nuvem. Quando as condições ideais (super-saturação e super-resfriamento) se apresentam, o vapor d’água presente no interior da nuvem adere ao grão e a gotícula resultante congela. Faces de cristal (faceting) começam a aparecer na gotícula congelada e um prisma de base hexagonal é formado. Os seis ramos (branches) apresentados nas bordas se originam das cavidades formadas em cada face do prisma – o gelo cresce mais rápido perto das bordas. Esses seis ramos formam os vértices de um hexágono porque as próprias moléculas de água se ligam quimicamente em uma rede hexagonal – isso será explicado detalhadamente mais adiante. Quando a temperatura cai para 9°F (-12,78°C) um novo ramo cresce e a 6°F (-14,44°C) brotam ramos laterais (sharpening). Até aqui, foram descritos os três principais subprocessos que determinam o formato final do floco de neve:
1. Faceting (lapidação): causa o aparecimento de estruturas achatadas no cristal como forma de representar a simetria molecular;
2. Branching (ramificação): causa o surgimento de estruturas complexas que se projetam para fora do gelo;
3. Sharpening (afinamento): faz com que os cristais de neve em crescimento se afinem e se achatem em temperaturas próximas à -15°C.
Quando o cristal encontra uma rápida corrente de ar quente seguida de ar frio, mais ramos laterais brotam. O cristal aquece gradualmente tornando as pontas longas. Quando o cristal passa por ar menos frio, o crescimento é retardado e as pontas são ainda mais alongadas.
Figura 2 – Processo de formação de um floco de neve
Flocos de neve maiores dificilmente serão iguais, mas os flocos mais simples e menores que caíram do céu em estágios anteriores não tiveram a chance de se desenvolver completamente. A forma mais simples de um cristal de neve é um prisma hexagonal:
Figura 3 – Formas básicas
O ambiente mutável – principalmente temperatura e umidade – e as diversas maneiras pelas quais a água pode se ligar na superfície do cristal implica que os flocos podem ter uma imensa variedade de formas. O diagrama morfológico do cristal de neve abaixo mostra o formato esperado do floco de neve em virtude das condições ambientais apresentadas. Esse diagrama é conhecido como Diagrama Nakaya, pois esse comportamento foi observado pelo físico japonês Ukichiro Nakaya na década de 1930.
Figura 4 – Diagrama Nakaya
De acordo com o diagrama, os cristais tornam-se mais complexos à medida que a umidade aumenta. Prismas simples surgem quando a umidade é reduzida e as formas ramificadas complexas aparecem quando a umidade é elevada. A morfologia global comporta-se de forma peculiar em função da temperatura – a forma básica achatada se transforma em coluna à medida que a temperatura baixa. Este comportamento é difícil de explicar. Ainda não há um consenso sobre o porquê dos cristais de gelo crescerem de forma diferente quando a temperatura oscila apenas alguns graus.
A Estrutura do Sólido Molecular
O crescimento dos cristais é um problema complexo de dinâmica molecular [7]. A morfologia e o desenvolvimento do cristal dependem do reposicionamento dos átomos que o constituem enquanto solidificam.
Figura 5 – Arranjo molecular nos diferentes estados da água: gelo (sólido), água (líquido) e vapor (gasoso)
Sólidos moleculares são materiais nos quais as moléculas ou os átomos são mantidos juntos por forças intermoleculares como as pontes de hidrogênio e as ligações covalentes polares. O gelo, que é um sólido molecular, é menos denso em sua forma sólida do que na forma líquida e essa é uma propriedade incomum. Em seu estado líquido, as fracas pontes de hidrogênio estão constantemente se restruturando, o que causa uma distribuição aleatória das moléculas de água (H2O). Em seu estado sólido, as pontes formam rígidas tramas com grandes espaços internos que conectam uma molécula a outras quatro.
Figura 6 – Pontes de hidrogênio e ligações covalentes
Por que Estudar Flocos de Neve?
A água possui muitas propriedades incomuns e contra-intuitivas, como o fato de que a água em estado sólido (gelo) é menos densa do que a água em estado líquido. A consequência disso é a flutuabilidade do gelo. A ciência das nuvens é uma das mais importantes áreas da pesquisa sobre mudanças climáticas – os padrões que tornam os flocos de neve tão belos contém a história das nuvens de onde eles vieram.
Estudar a física e a química que regem a interação molecular dos cristais ajuda a construir melhores materiais cristalinos. Entender a forma como os cristais de gelo se desenvolvem pode ajudar a entender como outros cristais se formam e evoluem, como os cristais de silício utilizados para construir os componentes eletrônicos dos computadores. Cristais semicondutores são utilizados em muitas outras aplicações eletrônicas. Cristais com propriedades óticas são utilizados nos lasers e nas telecomunicações.
O Floco de Neve e o Criacionismo
A perfeição de um floco de neve poderia facilmente ser utilizada pela pseudociência como prova do design inteligente ou da vontade divina. Esses indivíduos alegam que a Teoria da Evolução viola a Segunda Lei da Termodinâmica [8].
De acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, “Nenhum processo é possível onde o único resultado seja a transferência de energia de um um corpo mais frio para um corpo mais quente”. Uma outra forma de ler essa lei é que a entropia de um sistema fechado não pode decair. Entropia é um indicador de energia não utilizada, mas às vezes pode ser entendida como desordem. Por isso, os criacionistas afirmam que as coisas sempre progridem da ordem para a desordem.
A vida não é um sistema fechado. Se uma planta receber do sol mais energia do que a contida na semente de onde ela veio, a próxima geração daquela planta receberá mais energia. Muitos sistemas não vivos também são exemplos de ordem proveniente da desordem, como os flocos de neve, as dunas de areia e os tornados. Essa ordem dispensa programação inteligente.
Referências
1. LIBBRECHT, Kenneth G. Snowflake Science. Snow Crystal.com. Disponível em: [http://www.snowcrystals.com/science/science.html]. Acesso em 27 fev. 2019.
2. ______. Snowflake Science. Frequent Asked Questions. Disponível em: [http://www.its.caltech.edu/~atomic/snowcrystals/faqs/faqs.htm]. Acesso em 22 abr. 2019.
3. PROCOPIO, Rafael. A Química do Floco de Neve | Minuto Ciência. Minuto Ciência. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=Zj5UKUWvWeQ]. Acesso em 27 fev. 2019.
4. LEARNER, Annenberg. CHEMESTRY: Challenges and Solutions, Section 4: Molecular Solids. Disponível em: [https://www.learner.org/courses/chemistry/text/text.html?dis=U&num=Ym5WdElURS9OQ289&sec=Ym5WdElUQS9OQ289]. Acesso em 27 fev. 2019.
5. GROVE, Kevin. Snow Science. ConXn: ACOCC Campus Forum. Disponível em: [https://cocclib.wordpress.com/2010/03/31/snow-science/]. Acesso em 27 fev. 2019.
6. ZENTILE, Catherine. The Science of Snowflakes: Are Two Snowflakes the Same?. Naked Scientists: Science Features. Disponível em: [https://www.thenakedscientists.com/articles/science-features/science-snowflakes-are-two-snowflakes-same]. Acesso em 27 fev. 2019.
7. TYLER, David. Saber como se formam os flocos de neve. Design Inteligente. Disponível em: [http://designinteligente.blogspot.com/2008/02/saber-como-se-formam-os-flocos-de-neve.html]. Acesso em 27 fev. 2019.
8. ISAAK, Mark. Five Major Misconceptions about Evolution. The TalkOrigins Archive. Disponível em: [http://www.talkorigins.org/faqs/faq-misconceptions.html]. Acesso em 27 fev. 2019.
Por que o Vidro é Transparente?
Assisti a vários vídeos do tipo fail sobre pessoas que não percebiam que à frente havia paredes e portas de vidro e o resultado era uma colisão. Fiquei pensando em como uma coisa sólida pode ser transparente? Se você olhar através de uma janela de vidro, o que você verá é o que está do outro lado da janela e não o vidro em si. Isso explica porque algo tão presente em nosso cotidiano é tão desprezado pelas pessoas. Minha hipótese inicial era de que a explicação da transparência do vidro tinha a ver com a luz por causa de uma pesquisa que fiz faz algum tempo com objetivo de entender por que o céu era azul e não verde com bolinhas amarelas. Descobri que a transparência do vidro tem a ver com a luz, mas ela é apenas um dos envolvidos.
Primeiro, para saber se estamos nos expressando corretamente, precisamos definir transparência e os meios pelos quais a luz pode se propagar. A luz se propaga a uma velocidade de 299.792.458 m/s no vácuo. Quando a luz se propaga em outros meios, esses meios recebem classificações de acordo com o tipo de obstáculo que eles oferecem à passagem da luz:
1. Meios Transparentes: permitem que a luz atravesse e siga uma trajetória regular e bem definida. Além do vácuo, a água pura e outras estruturas podem ser consideradas transparentes;
2. Meios Translúcidos: a luz não os atravessa com facilidade e descreve trajetórias irregulares e difusas. Papel manteiga, vidro fosco e as nuvens são exemplos de meios translúcidos;
3. Meios Opacos: a luz não se propaga. Nesses meios, a luz pode ser parcialmente refletida e parcialmente transformada em alguma outra energia, como a energia térmica. Madeira e metal são exemplos de meios opacos.
O vidro é feito à partir de cristais de quatzo que podem ser encontrados na areia. Esses cristais são o resultado de arranjos regulares de dióxido de silício (SiO2) também conhecido como sílica – silício e oxigênio são elementos comuns na crosta da Terra. Em malhas cristalinas, a sílica tende a se apresentar como uma estrutura tetraédrica:
Figura 1 – O arranjo tridimensional do dióxido de silício (sílica)
Quando os cristais de quartzo são submetidos à altas temperaturas, a energia térmica faz com que as moléculas vibrem e se quebrem formando um líquido – processo análogo à transformação do gelo em água. Quando o dióxido de silício líquido esfria, ele não se rearranja em cristais sólidos outra vez. Ao perderem energia, as moléculas perdem a capacidade de se mover para posições ordenadas. Assim, elas formam um sólido amorfo, que é um material sólido que tem a estrutura caótica de um líquido. Nessa estrutura, as moléculas ocupam qualquer espaço disponível sem algum tipo de ordenação previsível.
Figura 2 – Cristal de SiO2 (esquerda) e SiO2 amorfo (direita)
O vidro é microscopicamente uniforme na superfície, o que permite que a luz o atravesse sem interferências, mas isso não explica porque um material como o vidro permite que a luz o atravesse sem absorvê-la ou refleti-la. Observando o nível subatômico, vemos elétrons orbitando um núcleo. A elevada distância entre um núcleo e seus elétrons ainda não é a explicação para a passagem da luz. Em outras palavras, a passagem da luz não tem nada a ver com a existência de buracos em nível molecular ou subatômico. A explicação está relacionada aos diferentes níveis energéticos dos elétrons.
Figura 3 – Um átomo de silício e seus diferentes níveis (camadas) energéticos
A única maneira pela qual a luz é afetada pela matéria é se ela interagir com o campo eletromagnético formado pelos elétrons em movimento. Os níveis de energia do átomo (camadas eletrônicas) são as órbitas seguidas pelos elétrons em torno do núcleo do átomo. Quando ocupa um determinado nível de energia, o elétron não absorve nem emite energia.
Se um elétron absorver um fóton da luz que está incidindo sobre o átomo, o elétron pode ser promovido para o próximo nível atômico caso a anergia provida seja exatamente a necessária. Se não for a quantidade necessária, o fóton apenas passará pelo átomo. Na estrutura atômica do vidro, os níveis energéticos estão tão distantes uns dos outros que um fóton de luz visível (comprimento de onda 0,5×10-6m) que incida sobre um elétron não oferecerá a quantidade de energia necessária para que o elétron atinja o nível seguinte. Por outro lado, fótons de luz ultravioleta (comprimento de onda 10-8m) apresentam a quantidade exata de energia que o elétron precisa para ser promovido. Por isso, esse fóton é absorvido pelo vidro.
Conclusão
Por que o vidro é transparente? A luz visível consegue atravessar o vidro porque a energia do fóton não é a necessária para que o elétron o absorva e passe para o próximo nível energético. Pelas explicações, deduzimos que diferentes materiais podem ser transparentes para um tipo de energia luminosa, mas não para outros tipos.
Referências
1. CONHECIMENTO, Integrando. Por que o vidro é transparente? Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=Shev7Q4z1ik]. Acesso em: 23 jan. 2019.
2. TED-ED. Por que o vidro é transparente? – Mark Miodownik. Disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=VwRLIt6jgdM]. Acesso em: 23 jan. 2019.
3. SANTOS, Marco Aurélio da Silva. Transparentes, Translúcidos e Opacos. Brasil Escola. Disponível em: [https://brasilescola.uol.com.br/fisica/transparentes-translucidos-opacos.htm]. Acesso em: 29 de janeiro de 2019.
Alienígenas Presos na Gravidade de Super Terras
Para Leibniz, habitamos “o melhor dos mundos possíveis”. Será mesmo? Para podermos contra-argumentar, faz-se necessário comparar nosso planeta com outros mundos, mas primeiro é necessário encontrar vida em algum desses mundos. Melhor seria se encontrássemos seres inteligentes nesses mundos. Até hoje, não encontramos ninguém habitando as Super Terras ou algum dos mais de 4000 exoplanetas já descobertos.
“Onde está todo mundo?” é a pergunta fundamental do Paradoxo de Fermi, que é uma aparente contradição entre a alta probabilidade de existência de vida inteligente em outras regiões do universo e a falta de evidência de sua existência.
O Sérgio Sacani, do canal Space Today, nos lembrou que coisas como o Paradoxo de Fermi e a famosa Equação de Drake foram elaboradas em uma época em que a astronomia não sabia da existência de exoplanetas e muito menos que haveria alguns que orbitavam a zona habitável de suas estrelas. Ele gravou um vídeo para divulgar uma possível resposta àquele paradoxo baseado em um artigo de Michael Hippke: os alienígenas estão presos à gravidade das Super Terras. Supondo que esses alienígenas não têm tecnologias que apenas a ficção científica especula, eles precisariam no mínimo de uma tecnologia mais avançado do que a nossa para produzirem foguetes poderosos o suficiente para conseguir atingir a velocidade de escape necessária para alcançar o espaço à partir desses planetas que supostamente têm gravidade maior que a da Terra.
Super Terras como a Kepler-20b têm de 6 a 11 vezes a massa da Terra. Se uma Super Terra tiver em média 10 vezes a massa da Terra, um foguete lançado de lá teria que ter 440.000t praticamente só de combustível para gerar a propulsão necessária, o que seria economicamente inviável. No artigo, o autor faz até algumas considerações sobre o lançamento do foguete à partir do cume de uma montanha. Para ele, mesmo uma montanha do tamanho do Monte Olimpo em Marte (21,9 km) não teria a altura necessário para viabilizar o lançamento. Ele sugere a criação de montanhas artificiais para servirem de plataforma de lançamento, mas você consegue imaginar o desafio tecnológico de se erguer uma estrutura com algumas dezenas de quilômetros de altura? Depois de fazer mais alguma considerações sobre o lançamento de foguetes em mundos aquáticos, o autor conclui que a única fonte de energia conhecida capaz de gerar a propulsão necessária para viabilizar o lançamento de um foguete em uma Super Terra é a energia nuclear.
Naquele vídeo, o Sérgio Sacani pediu que as pessoas comentassem essa notícia. Não faltaram ideias: sugeriram que a propulsão fosse feita com Redbull, Canabis ou super garrafa de Coca-Cola com super Mentos. Um cara lembrou do famoso motor de improbabilidade infinita e um outro perguntou se alienígenas presos na gravidade de Super Terras teriam a força do Super Homem aqui na Terra.
Se existirem civilizações habitando Super Terras, seria mais indicado que elas focassem em tecnologias de comunicação e visualização ao invés de tentarem a exploração presencial. Se for assim, por que ainda não nos enviaram um “olá”? E assim, voltamos ao Paradoxo de Fermi.
Referências
1. [https://phys.org/news/2018-05-aliens-earth-gravity-worlds.html]
2. [https://arxiv.org/pdf/1804.04727.pdf]
























