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A submissa que me interessa deve sentir-se assim:
"...Ser escrava não significa renúncia do eu, a individualidade não pode ser perdida, pois, juntos, formamos a unidade em um conjunto. Somos complementares enquanto Mestre/escrava: macho/fêmea, claro/escuro, noite/dia, sol/lua, yin/yang. (...) Ou seja, ser escrava é afirmar a minha identidade de submissa, mas, compreendendo a minha individualidade. Instrumento cego? Jamais! Quero mais é manter meus olhos bem abertos, os sentidos extremamente aguçados, para poder apreciar cada momento, tirar prazer até mesmo dos dilemas que os desafios lançados por ordens dadas, que não compactuem com o meu íntimo, podem me trazer. E diante de qualquer barreira desse tipo, conversar com meu SENHOR, falar do que me vai na alma... Ouvir... e falar mais. Criar uma extensão de mim mesma, além dos limites do que sei, até que o medo se transforme em prazer, o que me fará romper as barreiras impostas por meu consciente racional e socializado. (...) É saber que um MESTRE, Ele, também, tem deveres. Não só direitos: dever de proteger e resguardar sua escrava, de fazê-la feliz. De nutri-la, pois um MESTRE sabe que pessoas crescem como árvores, em diferentes formas, tortos ou direitos, segundo a natureza de seu nutrimento, e, por isso dá o melhor que tem para que a seiva corra e as folhas reverdeçam, seja Sua terra doce ou amarga, o ar acolhedor ou tempestuoso. De proporcionar prazer, de fazer com que sua submissa, mesmo na degradação da escravitude saiba conservar a sua dignidade de ser humano e, principalmente, sua dignidade de mulher. Ser escrava é conceder a posse do meu corpo Àquele que, num tempo em que se desconfia de tudo e de todos, eu sei que resguardará a minha segurança e integridade, pois não vai “quebrar o seu brinquedo preferido”. Ë mesmo sabendo disso, ter uma safe-word, para no momento em que Ele se empolgue demais, poder pedir-Lhe que pare. Ser escrava é outorgar a posse de minha alma ao Homem que faz aquela pequena luz bruxuleante que conservo acesa dentro de mim se converter no fulgor de mil archotes. Que me desmantela, que põe as peças sobre uma mesa e me monta novamente. Um Homem muito amado, pois não se pode conduzir alguém através do inferno sem lhe prometer o céu, mas, por isso, às vezes, um carrasco também odiado.
Ser escrava e me ver solta. Afinal, amarrar uma submissa e mandar que ela faça tudo é fácil para um Dom. É saber que, mesmo não sendo vistos, os grilhões estão presentes, pois minha alma já foi invada, que sou sua (sorriso) e até quando o SENHOR quiser...(que tesão que dá ao pensar isso...)
Ser escrava é percorrer um caminho estranho e assustador, mas, uma vez principiada a viagem, torna-se difícil retroceder, pois é algo muito sonhado por mim que está se concretizando.
Ser escrava é ser uma Lisístrata moderna. Instigar rebeliões, provocar revoltas e insurreições, enfim, ser guerreira. Manter o nariz para cima perante todos. Um jeito imponente, um ar desafiador, que, no aconchego de quatro paredes, se transforma em docilidade, meiguice... Então, me ajoelho, tiro seus sapatos, sua roupa, coloco minhas luvas e sou o que meu SENHOR quiser. Tudo o que quiser, faço, pois, afinal, sou fêmea, sou mulher, e faço por prazer. Prazer de dar prazer. E é aí que reside o Seu poder: ser o único a me ter assim. Porque é digno de receber a dádiva que é a submissão de alguém que não se curva perante qualquer um." |
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