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Avatar de Carlos Almeida

Texto maravilhoso, Vanessa! Ao lê-lo, lembrei de uma passagem do François Hartog no "Regimes de historicidade" em que ele menciona o comentário que a Hannah Arendt faz desse trecho. Peço licença para colocar o trecho aqui: "Nesta cena que põe face a face o aedo e o herói, que escuta a narrativa de suas próprias ações, Hannah Arendt via o começo, falando, ao menos do ponto de vista poético, da categoria de história. "O que fora puro evento tornava-se agora história", pois nos encontramos na primeira narração do acontecimento. Com uma importante singularidade: a presença de Ulisses, lá (em Troia) e aqui (no banquete), atesta que isso realmente aconteceu. Desenha-se aqui uma configuração até então inédita, uma "anomalia", tendo em vista que na epopeia a veracidade da palavra do aedo depende inteiramente da autoridade da musa, ao mesmo tempo inspiradora e avalista. Indo mais longe ainda, Hannah Arendt considerava essa cena como "paradigmática" para a história e para a poesia, já que, retomando sua fórmula muito condensada, a "reconciliação com a realidade, a catharsis que, segundo Aristóteles, era a essência da tragédia e, de acordo com Hegel, o objetivo último da História, produzia-se graças às lágrimas da lembrança". Parabéns pelo texto!

Avatar de Wilhelm

Que belo texto.

Sua emoção é contagiante.

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