#19 TEDX speaker
O que aprendi sobre "ideias que merecem ser espalhadas"
Nas edições anteriores:
#18 O individualismo como barreira
#17 Lições da COP
A primeira vez que vi o palco do TEDx foi da coxia lateral. Fundo preto. Vermelho intenso. Aquela cena que a gente já assistiu tantas vezes em vídeos, fotos, transmissões. Por um segundo, o tempo parou.
Não porque estivesse prestes a subir, mas por entender que aquilo não era um ponto de chegada. Era uma construção. E foi inesquecível.
Não cheguei ali sozinha. Essa nunca foi uma história sobre mim. Antes da FALA existir, de qualquer nome, projeto ou programa. Antes mesmo de eu conseguir dar nome ao que me inquietava… Ela começa nas pessoas que atravessaram o meu caminho, nas conversas, nos encontros improváveis, nas inquietações que não sabia ainda nomear.
O TED nasceu na década de 90 - provavelmente você já viu algum ídolo seu por lá. Os TEdxs são licenciados pela marca global e renovados anualmente. O TEDx Countdown, por sua vez, é uma iniciativa que apoia eventos climáticos organizados localmente. O TEDxBelo Horizonte, resultado de um time aguerrido e muito trabalho voluntário, foi escolhido para sediar um. E eu, escolhida entre mais de 250 candidatos para contar uma ideia que merece ser espalhada.



O processo todo levou meses, da primeira gravação ao desembarque, um dia antes do grande encontro Entre Veredas. Aprendi tanto no processo. Algumas coisas se solidificaram em mim (e outras ficaram ainda mais inquietas).
Cada palavra e silêncio importam. A jornada obriga a depurar o que é essencial, o que é ruído, o que realmente quero deixar no mundo depois que a fala acaba. Se a ideia não está madura, o palco não resolve. Ensaiar, repetir, silenciar, cortar, muda o texto inúmeras vezes… e tudo novo de novo.
Ao mesmo tempo, me lembrou de algo fundamental: ideias que merecem ser espalhadas são as que conseguem ser sustentadas - com coerência, cuidado e verdade - quando saem do palco e encontram o mundo real.
Naquela noite, subi ao palco para o ensaio geral depois de treinar por horas - sozinha, num quarto de hotel, repetindo doze minutos de história que eu nunca tinha decorado antes. Cada frase carregava alguém. Cada ideia vinha de uma conversa. Cada silêncio, uma história.
Vi alguns dos meus colegas também selecionados. Outros convidados. Histórias completamente diferentes e atravessadas por um fio comum: desejo de mudança.



Horas depois, recebo uma mensagem em áudio mais ou menos assim (que me roubou algumas horas de sono): ‘Thais, a gente adorou… Queremos você abrindo o TEDx amanhã…’ Não escutei nada do que veio depois. Precisei ouvir o áudio várias vezes até assimilar tudo aquilo.
Abrir não era “começar um evento”. Minha missão era honrar uma rede.
O TEDx é um encontro feito por pessoas - para pessoas. Sem apresentação. Sem PPT. Com entusiasmo por toda parte. Em quem fala, em quem trabalha nos bastidores, em quem ajuda a espalhar as ideias, em quem está na plateia.
Reverbera performance. Esperança. Vontade de mudar. Movimento.
O meu TEDx foi sobre a cadeia produtiva de mentiras estrategicamente criada para adiar e mitigar a ação climática - e sobre integridade da informação, a chave para enfrentá-la.
Criei o Mentira Tem Preço, nosso programa de Integridade da Informação aqui na FALA, e o Observatório de Integridade de Informação. Mergulhei tanto no assunto que entendi que podia ser parte da solução.
Produzimos (no plural) evidência, memória e leitura de tendência, além de espaços de incidência que conectam comunicação, dados, políticas públicas e articulação institucional. A fala parte dessa experiência: da compreensão de que nenhuma resposta isolada é suficiente, e de que só um ecossistema de pessoas, narrativas, informação de confiança e ação coordenada é capaz de transformar barulho em caminho e disputa em solução.



Saí desse processo mais convicta de algumas escolhas que já vinha fazendo, e com novas perguntas sobre como construir narrativas que não apenas emocionem, mas que criem lastro, responsabilidade e continuidade.
Fico profundamente feliz, e grata, por todas as redes das quais faço parte.
Por tudo o que me trouxe até aqui…
… e por quem veio antes e abriu caminhos. 💜
O mundo mudou
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Eu sou a Thais Lazzeri, fundadora e diretora da FALA, um estúdio de impacto brasileiro que promove mudança social por meio do storytelling, da comunicação e da estratégia.





