Um perfil no X publicou, na última semana, uma crítica à aparência de um cachorro que vive no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A reação foi estrondosa e Silveira, como o cão é conhecido, viralizou.
Isso porque ele é muito querido pelos alunos da universidade no Rio Grande do Sul, onde vive e recebe cuidados da comunidade. Ao verem as ofensas contra Silveira, alunos passaram a defendê-lo no antigo Twitter: "Lave a sua boca para falar do pró-reitor de assuntos caninos."
Desde então ele conquistou fãs e já ganhou homenagens, como ilustrações e memes. Estima-se que Silveira tenha 10 anos e viva no campus há 9, tendo sido abandonado por lá, de acordo com Fabiana Stecca, professora de administração e marketing e coordenadora do Projeto Zelo, que busca conscientizar a população e auxiliar animais abandonados da UFSM.
Fabiana conta que Silveira é muito dócil, gosta de caminhar e fazer amigos, o que já garantia sua fama no campus, com direito a fã-clube e adesivos com sua cara. Mas ele é apenas um entre os cerca de 80 cães e gatos abandonados na UFSM.
São voluntários, estudantes, vigias e funcionários da universidade que cuidam dos animais e passam informações para o Zelo. "Nós organizamos, damos vacinas, fazemos tratamentos com os hospitais parceiros, incluindo particulares… Mas um animal abandonado no campus continua estando abandonado."
O Zelo é um programa de extensão criado em 2014 que conta com recursos direcionados ao seu desenvolvimento, mas doações e vendas de produtos organizadas pelos voluntários são necessárias para garantir a continuidade dos cuidados a esses animais. Para Fabiana, o pós-pandemia e as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 intensificaram os abandonos.
"É uma constante. Mesmo com uma boa média de adoção, os abandonos continuam. Na última semana um gatinho foi adotado, mas já temos dois esperando por um lar", diz. Até o momento, o próprio Silveira nunca recebeu uma proposta formal de adoção. "Ele já tem problemas de saúde por conta da idade. Em breve não vai mais conseguir ficar livre. Nossa intenção é que agora ele consiga ser adotado."
Para quem vive nos alojamentos da universidade, como o mestrando em educação pela UFSM Iury Alonso Leite, a vontade de adotar esses pets é grande, mas há empecilhos, como a falta de renda e a vulnerabilidade que atinge os moradores dos alojamentos universitários. Por isso ele e os amigos acolhem os animais quando pedem abrigo, oferecem água e ração, dentro de suas possibilidades.
Além de Silveira, que já passou por sua casa após uma internação e frequentemente o procura em dias de chuva, Iury já deu lar a Loiro, um caramelo que apareceu amedrontado, vomitando, durante as enchentes em Santa Maria, um cachorro chamado Frank e alguns gatos.
"Posso dizer que eles recebem muito carinho e cuidado —e nos devolvem todo amor, do jeito deles. Eu espero que a repercussão sobre o Silveira sirva para dar visibilidade à causa animal e à adoção, mas principalmente voltar os olhares das pessoas para os mais idosos, que precisam de lar e afeto", diz.
De acordo como um levantamento da Mars Petcare divulgado em 2024, cerca de 30 milhões de animais de estimação no país estão em situação de abandono. "Cão e gato nasceu para ter casa. Nosso sonho é que todos tivessem uma cama, um sofá", finaliza Fabiana.
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