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EUA acusam BYD de ser ligada ao Exército chinês e inclui fabricante em ‘lista de risco’

Departamento de Defesa americano proíbe contratos com a BYD e outras marcas chinesas, mas não impõe sanções diretas à venda de veículos elétricos

Por Nicolas Tavares 10 jun 2026, 14h22
BYD Dolphin Mini 2026
 (Divulgação/BYD)
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A BYD foi incluída em uma lista restritiva do governo dos Estados Unidos que sinaliza corporações com supostas colaborações com o exército chinês. A decisão, confirmada pelo Departamento de Defesa americano no início desta semana, não impõe sanções comerciais diretas contra a venda de veículos, mas proíbe que o órgão governamental assine contratos com a fabricante a partir do final de junho.

A manobra de Washington atinge a cadeia global de fornecimento para veículos elétricos e tecnologia autônoma. O documento, que agora conta com 188 nomes, passou a listar também a Nio, concorrente no segmento elétrico de luxo, e as maiores fornecedoras de baterias da indústria, como CATL, CALB e Eve Energy. Outras empresas fora da área automotiva também foram acusadas, como Alibaba e Tencent.

BYD Song Pro 2027

Empresas asiáticas focadas em inteligência artificial e sensores automotivos também entraram na restrição. A fabricante de radares LiDAR Hesai e a gigante de tecnologia Baidu, que desenvolve sistemas avançados de condução autônoma, passam a sofrer o mesmo tipo de embargo de compras federais.

O governo americano baseia a decisão na política local de integração civil e militar da China. O entendimento do pentágono é que corporações com alta capacidade de inovação e atuação em infraestrutura crítica contribuem indiretamente para a modernização das forças armadas daquele país. A partir de 2027, as compras ficarão proibidas até mesmo por meio de intermediários.

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O governo chinês reagiu à decisão do Departamento de Defesa. “A China se opõe de maneira veemente à generalização, por parte dos Estados Unidos, do conceito de segurança nacional (…) e à sua imprudente repressão das empresas chinesas”, disse Lin Jian, porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores.

BYD INSIDE
(Divulgação/Quatro Rodas)

Estratégia e retaliação comercial

Na prática, a inclusão no documento funciona como um mecanismo de pressão de mercado e eleva o risco de reputação das corporações listadas. O objetivo do governo americano é desestimular que fornecedores locais e outras instâncias de governo firmem parcerias estratégicas com as gigantes da mobilidade chinesa.

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A fabricante chinesa de veículos, que assumiu o protagonismo nas vendas globais de elétricos, contestou a medida para tranquilizar investidores. A companhia afirmou em comunicado oficial que a inclusão na lista não tem embasamento factual e que a restrição se limita ao departamento de defesa dos EUA, não interferindo em sua produção ou na negociação de suas ações em bolsa.

A justificativa americana também encontrou resistência entre analistas de mercado e executivos que orbitam as corporações de tecnologia. Críticos apontam que o fornecimento de veículos e componentes comerciais ocorre em âmbito civil e que, se a mesma lógica de fornecimento nacional fosse aplicada aos Estados Unidos, grandes grupos automotivos de Detroit também precisariam ser classificados como empresas militares.

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Consequências para o mercado global

A escalada nas restrições reflete a tensão ocidental com a rápida ascensão tecnológica asiática e o domínio sobre a cadeia de insumos. Embora a fabricante chinesa ainda não comercialize seus automóveis de passeio em solo americano, a marca e as fabricantes de baterias listadas controlam o fornecimento global de componentes essenciais para a eletrificação.

A movimentação de bastidores ocorre poucas semanas antes de encontros diplomáticos focados em comércio e tarifas de importação. Enquanto políticos americanos aumentam a pressão por barreiras totais contra veículos eletrificados asiáticos, o cenário força uma reconfiguração na indústria, com fabricantes buscando nacionalizar a produção em mercados neutros para contornar possíveis embargos.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil ao fundo e uma bola no gramado. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, com um carro vermelho em destaque. Um ícone de árvore branca aparece no canto superior direitoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca.
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