#79 Team Project Transformation Lead, full-time
“Feeling scared is not the same thing as being in danger.” – Desconhecido
Caros subscritores, agradeço muito 30 segundos da vossa atenção. Estou em maré de reformular a newsletter, voltar aos velhos tempos e entregar mais valor. Obrigada!
Nos últimos 15 dias: o meu filho disse pela primeira vez palavras como “manobra” e “invencível”, acabei o livro Your Tomorrow was Today, que me deixou triste mas esperançosa (uma mistura invulgar), a minha lista (única) ganhou as eleições por isso sou oficialmente vice-presidente do Centro Cultural Regional de Vila Real, voltei a usar o Duolingo, enviei flores à minha amiga Xana, relancei o Fazer Preços e Assim, voltei aos diretos com a sessão de revisão trimestral e continuei com dificuldades em manter-me ativa nas redes sociais.
Quero ser mais ativa? Não quero. Quero encontrar uma forma de estar intencionalmente presente, sem estar sempre online. Como? Ainda não sei. É uma das minhas grandes perguntas para 2026.
Também nestes 15 dias, regressei a um velho assunto: e se…? E se tivesse seguido uma carreira mais convencional? E se tivesse entrado em corporate?
Revi-me no texto da The Daisy Flower’s Substack quando escreve: “Sou uma pessoa altamente dedicada e autodidata: quando não sabe, vai aprender, vai à procura, está sempre a querer melhorar a nível pessoal e profissional. E, sinceramente, sou um desperdício em corporate.”
Vejam bem:
Embora saiba que não vai ser assim todo o ano (qmd!!!), acabo de ter um dos meus melhores trimestres (daqueles em que faturo + de 10k!), tenho trabalho encaminhado para meses, já para não falar dos planos para projetos pessoais, mas mesmo assim, de vez em quando, lá vem uma vozinha muito irritante dizer: Ooooooolha, sabes o que era bom? Um emprego estável, com um nome, um cargo, numa empresa com nome reconhecível. Txi!, que brilharete ias fazer nas festas de família. E imagina como deve ser trabalhar em Tech! Escritórios fixes. Snacks. Ginásio no escritório. Jantares da empresa. Cabazes de Natal! Tantos perks!
A resposta da minha consciência é imediata: não dava, que loucura. Como é que me iria habituar a trabalhar 7 ou 8 horas por dia, tivesse trabalho ou não? Como assim tempo de deslocação até ao escritório? Dar satisfações a um… chefe? E como é que me ia habituar a receber sempre o mesmo? Só escrevê-lo já sinto que não ia funcionar, mas que essa vozinha aparece, aparece. Estável. Reconhecível. Resumível num cargo, mesmo que fosse algo do tipo Team Project Transformation Lead. Não sabemos bem o que faz, mas soa importante.
Mas que raio. Porque é que o meu síndrome do impostor se importa tanto com “soar importante”? Só dá vontade de o esbofetear.
À distância, um trabalho mais “normal” parece um esforço menor: mais linear, mais suave, só que esse trabalho “normal” não existe. É absolutamente idealizado. O mundo do trabalho nunca esteve tão competitivo e tão caótico, neste momento procurar trabalho é um emprego, vejo pelas pessoas à minha volta que estão a fazê-lo. Mesmo com ajudas, comunidades, mentorias, tudo e um par de botas para facilitar, estão exaustas. Um trabalho “normal” não tem nada de suave.
Qualquer escolha convencional vem com crítica interior, que nos pesa no ombro e vai sibilando palavras erradas ao ouvido, só porque sim, só porque pode. As minhas não-convenções que estimulam essa voz negativa são viver no interior (FOMO, a toda a hora) e ser trabalhadora independente.
To hell with that.
Vale a pena celebrar um trimestre ótimo quando, há um ano, estava a faturar 54€ no mesmo período porque estava em licença de maternidade? VALE. MUITO. A. PENA.
Sacudam o ombro. Esbofeteiem os vossos síndromes do impostor.
Boa Páscoa,
e até breve,
Sofia
Da internet
Kit Contas Certas
Depois da sessão de revisão trimestral lancei o Kit Contas Certas, um guia para uma revisão financeira profunda e assim tomares melhores decisões sobre o teu negócio: o que fazer quanto a preços, quanto te pagares de salário, em que serviços apostar mais, o que reformular, e outras questões relacionadas.
Esta semana
SUBSTACK A Rafaela Mota Lemos está de regresso ao substack e recomenda-se!
FILME Weird: A História de Al Yankovic. Um dos meus objetivos este ano, só por diversão, é ver e registar 100 filmes. Sou muito pouco seletiva e costumo optar 1) ou por coisas ligeiras 2) ou por dramalhões de chorar uma semana. Este cabe na categoria 1. Uma biografia sobre o Weird Al Yankovic que também é uma paródia sobre biografias. Com o bónus de veres o Daniel Radcliffe fora de Hogwarts.
TEXTO Tendências da creator economy apontadas no SXSW e descritas aqui, no site da comunidade Creators. https://blog.creators.llc/10-insights-praticos-do-sxsw-2026-para-marcas-e-creators/








Como é que me iria habituar a trabalhar 7 ou 8 horas por dia, tivesse trabalho ou não? Como assim tempo de deslocação até ao escritório? Dar satisfações a um… chefe? E como é que me ia habituar a receber sempre o mesmo? - isto!!!!
Essas vozes internas assombram-me. Principalmente, porque ainda não tenho provas concretas e toda a gente olha para mim a achar que não quero trabalhar, que sou maluca e fico sempre "deveria...?" mas tipo, para quê? Não se enquadra em mim. Enfim!!! Como dizes: to hell with that!!
E obrigada pela referência 🙏
Para começar, parabéns ao teu filho por articular palavras dignas de uma mãe Vice Presidente! 😉
Fui sorrindo ao ler-te.
O assunto redes sociais=é isso tudo neste momento.
Tu não sabes mas o meu Substack esteve para se chamar "E se ..." tal é a energia que também me rodeia.
Quanto ao emprego estável, apesar de essa voz que me faz lembrar a minha mãe há uns anos atrás, não se pronunciar no meu caso, pelas mesmíssimas razões que tu, um grande NÃO!
Adorei ler-te!
Senti a falta desta opção quando antes de te ler, escolhia na tua sondagem.🤩