Olá, tudo bem?
Nesta semana, nos aproximamos com um pouco mais de alegria de dezembro, o último mês do ano, e eu não queria encerrar 2025 sem ao menos mais um encontro nosso, ainda que remoto.
Na falta de uma, teremos três oportunidades para nos revermos em breve: nas noites em que acontecerão o curso Escrita, diáspora e imaginação em Dionne Brand (informações e inscrições aqui), com aulas que vão das 19h às 21h nos dias 01, 03 e 08/12. E nossos encontros estão marcados com a professora Carolina Ferreira, que é doutoranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e pesquisadora das poéticas negras das diásporas. A Carolina é mestre pela PUC-SP com uma dissertação sobre o projeto estético e poético de Carolina Maria de Jesus, além de ser pesquisadora-fundadora do Grupo de Pesquisa de Literatura e Ancestralidade Negra (PUCSP/CNPq).
O curso é para quem já conhece e para quem nunca leu a obra de Dionne Brand, considerada uma das vozes mais relevantes do pensamento diaspórico contemporâneo. Aliás, não é preciso ler nenhum dos livros da escritora para participar dos encontros. Na companhia da Carolina, vamos ser apresentadas e também vamos nos aprofundar em aspectos da vida e dos escritos de Dionne, que é poeta, romancista, ensaísta e documentarista, além de Professora Emérita e pesquisadora na Universidade de Guelph, no Canadá, onde se radicou em 1970, quando deixou Trinidad e Tobago. Durante as três aulas do curso, vamos nos concentrar especialmente nas obras de Dionne que já foram traduzidas para o português brasileiro: Um mapa para a porta do não retorno: notas sobre pertencimento (2001), em tradução de Jess Oliveira e floresta (2022); Pão tirado de pedra: raça, sexo, sonho e política (1994), traduzido por Lubi Prates e Jade Medeiros (2023); Nenhuma língua é neutra (1990), também traduzido por Lubi Prates e Jade Medeiros (2023), e Salvamento: leituras do naufrágio (2024), em tradução de floresta (2025). Como é de praxe nos cursos da Literária, a professora vai propor diálogos entre o pensamento e os escritos poéticos e ensaísticos da autora (e o romance What We All Long For, de 2008, ainda sem tradução) e as ideias e obras de outras artistas e escritoras, como a estadunidense Christina Sharpe, interlocutora intelectual e companheira de vida de Dionne Brand, e as brasileiras Eliana Alves Cruz, Conceição Evaristo e Aline Motta.
Dionne Brand já recebeu muitos prêmios por sua obra poética, de ficção e não ficção, sendo um deles o Windham Campbell Prize de 2021. Em uma conversa com o diretor do prêmio daquele ano, Michael Kelleher, ela falou sobre como busca ajustar o foco de sua prosa e se demorar na observação e na elaboração da vida comum das pessoas comuns, representadas majoritariamente nas margens da ficção (quando não completamente excluídas dela). Em 2023, na mesa que compôs com Angélica Freitas e Jamille Pinheiro Dias na Flip, Dionne falou de poesia, sexualidade e política, entre outros temas. E na semana que vem, no dia 29/11, a autora, juntamente com Christina Sharpe e Bia Ferreira, estará na mesa Onde a vida não seja apenas possível da FLUP, em que, partindo da memória diaspórica, as participantes vão refletir criticamente sobre formas de violência e apagamento da população negra que ainda persistem no presente para pensar as possibilidades radicais de se viver de outro jeito - uma discussão que, de certa forma, ecoa e desdobra Salvamento: leituras do naufrágio, como aponta a professora Carolina na resenha publicada no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo.
Dia 20 de novembro foi o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. O feriado só foi instituído no Brasil em 2023, mas a ideia de celebrar a data remonta à Porto Alegre de 1970 e do Grupo Palmares, à São Paulo de 1978 e do Movimento Negro Unificado (MNU) e a outras e numerosas iniciativas afro-brasileiras que lutam pela reparação das injustiças históricas cometidas contra a população negra e pelo combate ao racismo. Para celebrar a data e o Mês da Consciência Negra, propomos a leitura do poema “mapa”, de Mari Vieira, autora do Coletivo Flores de Baobá, publicado na coletânea Das raízes à colheita (2022).
mapa
o sangue no chão desenha o mapa
filetado de balas
daquilo que chamam de pátria
o sangue corta em gotas
buracos no tecido-bandeira
onde morrem fronteiras
de uma nação?
mapa de um país que iça bandeira
com 27 estrelas pra dizer:
mulher, não
preto, não
pra quem és tu mãe gentil?Se você também presta atenção às traduções e ao nome de quem traduz os livros que você lê e quer saber um pouco mais do trabalho de profissionais da tradução editorial, o manifesto do coletivo Quem traduziu joga luz nas condições atuais desse mercado. Se quiser apoiar as demandas do coletivo, pode assinar o manifesto como profissional de tradução do mercado editorial, se for o caso, ou como leitora ou leitor.
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Abraços e até breve,
Roberta




























