sobre escrita, nº1
Planejar uma escrita longa é um desafio. Até meus contos, curtos, quando os comparo com os outros de grandes escritores, parecem raquíticos - justamente por serem breves, não por serem pobres. Mesmo que logo no começo quando comecei a escrever contos, todos pareciam ingênuos, ou com falta de estética. Não é o caso dos últimos contos que tenho escrito ( e que na hora certa serão postados aqui), eles me parecem melhores, mas ainda assim breves, me pergunto se escrevo errado (por serem curtos) ou se a ideia primitiva que é muito específica. Acho que são questões que deverei avaliar com o passar dos anos e com as críticas que virão. Hm… embora eu tenha essa sensação de deficiência, gosto dos contos curtos. Gosto de imaginar uma situação rápida, que se resolve rápido e que gera uma imagem no leitor.
Mas planejar algo longo é um desafio, principalmente ficar dias imaginando as linhas do tempo decorrentes de uma decisão, ou de um acontecimento. E se o personagem fizesse outra coisa? E se acontecesse isso, ou aquilo, ou aquilo outro…
Creio que eu esteja quase no fim de um desses planejamentos e me pego inseguro de colocar o personagem nesse ou naquele lugar. Isso me deixa meio paralisado, mas nunca deixo de ficar imaginativo, forçar a imaginação também não me parece efetivo, então tento esse meio termo entre planejar/trabalhar e imaginar/ociar.
O que é engraçado mesmo, é que entre contos breves e histórias longas eu imagino uma sala de espera de todas elas, esperando que eu termine as iniciadas para que as restantes tenham a oportunidade de sair da minha cabeça.
Histórias, assim como a vida, precisam de insumos para sua sobrevivência. Elas se mantêm vivas sendo lidas, e por vezes o escritor também conseguem viver de suas histórias - então se você gosta do que escrevo e conhece alguém que gosta de ler, compartilhe esse post ou indique meu substack.
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Também estou no meio termo, preciso rascunhar mais as possibilidades das palavras. Adorei esse texto, me deixou com vontade de criar e respeitar o tempo, não só da minha vida, mas dos personagens que crio. E se eu transformar meus fantasmas em contos? Talvez isso me cure um pouquinho. E eu amo contos rápidos, parecem cenas de quando a gente passa de metrô vendo as janelas das casas e apartamentos e pensa: "quem será que vive ali? como? está fazendo o que agora? como são seus domingos?". Contos curtos são uma beleza.