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sem subtítulo hoje
Quando, pela primeira vez, entrei em contato com a argumentação chestertoniana sobre a loucura que é a mulher abandonar a vida de dona de casa para entrar no mercado de trabalho, aquilo caiu como uma bomba - como sempre acontece quando se lê chesterton pela primeira vez.
Não vou achar a citação agora, pois arrumei um tempo pra escrever nesse plantão de domingo, então, desculpe desde já. Mas ele ressaltava a tenebrosa ironia que era a mulher trocar o ambiente doméstico pelo ambiente empresarial, comercial, burocrático ou industrial. Ele expunha e mostrada toda ridicularidade do argumento feminista de que a casa e o marido seriam mais opressores e maléficos para a mulher do que o ambiente de trabalho e um chefe.
Acredito, no entanto, que se o Gordo estivesse vivo até hoje, poderia rever tais argumentos, não por dar qualquer milímetro de razão para o movimento feminista, pior que isso, por que após tantas décadas de feminismo influenciando, cada vez mais, cada célula da sociedade moderna, a situação geral mudou de tal forma que sim, a casa se tornou um ambiente muito mais purgativo para a mulher que a sua própria casa. Quem tem colegas (mulheres) de trabalho vai concordar.
A situação hoje é diferente, na época dele o feminismo não tinha conseguido o domínio que hoje ele tem. Um domínio que vai das leis a mentalidade geral das pessoas. Como resultado, não apenas temos um número imenso de cargos de direção e chefia ocupado por mulheres, como a quase totalidade das pessoas concordando com teses feministas sem nem ao menos desconfiar. Com isso, todo o cenário público foi se adaptando, de modo a deixar as coisas todas mais confortáveis e amigáveis para as mulheres. Mas só para as mulheres (ou até podemos dizer só para algumas mulheres, pois atrás de toda mulher empoderada tem uma outra mulher, geralmente mais velha e menos escolarizada, limpando seus pratos, lavando suas roupas, cuidando do seu filho e levando o cafezinho).
Com isso, por exemplo, em muitos fóruns, pricipalmente no interior, o gardinha (eles odeiam ser chamados de guardinha, mas por isso mesmo eu gosto de me referir a eles assim) vai te admoestar a não entrar ali de bermuda. Mas o mesmo sacristão laico do templo positivista da justiça não impede mulheres de shortinho, minisaia ou com calças enfiadas até o rego. Interpelar qualquer mulher sobre as roupas que ela está vestindo pode lhe render cadeia. E ele provavelmente será condenado pela mesma juíza do templo que ele guarda, após denúncia oferecida pela promotora de 23 anos que acabou de passar no concurso e vai postar selfie durante o julgamento #prendendoummachista.
Enfim, não preciso me alongar. Tão certo quanto a grama é verde e o céu é azul, é o absoluto e non-sense privilégio feminino da nossa sociedade.
Mas existe um lugar onde o feminismo não funciona. Este lugar é a maternidade.
Não é a casa, nem o casamento. A casa se resolve com empregada ou com a mãe/pai-empregada (figura cada vez mais comum e que me passava totalmente despercebido até que, por esses dias, ao sair para trabalhar, encontrei com o pai do meu vizinho carregando várias recipientes de marmita, estava levando o almoço da semana pro meu vizinho, que tem mulher e dois filhos. Aí lembrei de uma vez algum amigo fofoqueiro dele ter me dito que a mulher dele não cozinhava ou algo assim - minha consideração pelas pessoas depende única e exclusivamente da minha falta de memória), o casamento, pela doutrinação do marido para ser um bocó feministo submisso e cuck.
Mas ninguém nasce assim. Logo, quando essa mulher decide ter um filho, a criança se torna (pode reparar) o maior e principal foco de sofrimento para essa vida que, até aquele momento, só precisou se preocupar e se revoltar contra ataques verbais, inimigos sociológicos e opressões imaginárias. A criança, por outro lado é bem concreta, com exeção do cocô, que demora a ficar concreto, por uns meses ele é fluido o suficiente para manchar a roupa de marca que ela agora nem consegue usar direito.
A criança não sabe o quão especial você é, e quantos direitos e privilégios você “““conquistou”””, ela não tá nem aí, me dá logo esse peitão que eu quero mamar! Vem trocar logo minha fralda que eu to todo cagado! Ei, acorda aí pela vigésima vez pq sei lá, tem alguma coisa me incomodando, ou pode ser que eu tenha sonhado com a sua cara de menininha frustrada surtada.
Eu sei que não acontece só comigo, mas tenho uma colega de trabalho que declarava abertamente (e bem alto), toda sexta feira: ai, agora começa o trabalho (porque as empregadas dela - sim, no plural - só ficam sábado até meio dia e não trabalham domingo, veja só você). E toda segunda: ufa, agora eu vou descansar aqui.
Ou seja, é triste, mas o fato é que, para a maior parte das mulheres hoje, que estão sendo criadas para serem anti-mulheres, verdadeiras bruxas tiranetes mimadas, é infinitamente melhor ser empregada do que ser mãe.
Tapearam o Chesterton.



QUE PORRADA!!!