Ano Zero
Sobre o fim de 2025.

Encontro-me no limbo temporal que são os dias entre o Natal e o Ano Novo, ao computador, para escrever este texto. Confesso que não estou inspirada, sinto-me estranha: tirei férias para estar descansada mas esta primeira semana foi cheia de rebuliços, como pude partilhar numa Note. Sinto que o tempo me está a fugir entre os dedos e estou com algum receio do que aí vem. Mas isso talvez seja tema para a Crónica do Ano Novo, agora vamo-nos despedir do Ano Velho.
Entrei em 2025 com energias verdadeiramente renovadas. As férias de Natal passadas fizeram-me muito, muito bem. Tinha acabado de assumir novas funções no meu trabalho e outras estariam por chegar, com a conclusão da minha formação em crédito hipotecário. Estava entusiasmada com a premissa de gerir mais afincadamente as minhas finanças pessoais. Até cheguei a pegar no meu querido bullet journal.
Depois, como é habitual, o quotidiano vai-se instalando e o entusiasmo do Réveillon dá lugar ao conforto do rotineiro. Ainda assim, este ano foi diferente de todos os outros numa coisa essencial: pela primeira vez em algum tempo, eu não estava à espera de nada, simplesmente deixei-me existir. Em 2025, não vivi à espera de prazos para me candidatar a coisas, não sofri com os resultados negativos, não estive enamorada por ninguém nem passei por corações partidos. Não andei a fantasiar com potenciais futuros nem a pôr em hipótese grandes mudanças impulsivas. Fui vivendo, dia a dia, mês a mês, deixando-me sentir o bom e o mau que este ano me trouxe.
Não foi tudo um mar de rosas. Ainda passei por umas tormentas em termos de conflitos familiares. E, naquele que é o grande tema da minha vida, finalmente admiti para mim própria que cheguei ao limite no meu trabalho - quero algo diferente e, neste próximo ano, o grande objectivo passará por tentar construir e fazer esta mudança. De resto, tal como eu partilho tantas vezes por aqui, a minha vida seguiu tranquila: continuo a ter os meus pais vivos e de boa saúde; as minhas amizades fortes que me continuam a desafiar à entrega e à vulnerabilidade; tenho a vantagem de não ter contas para pagar e poder dispor do meu salário para a poupança e as minhas despesas pessoais. A vida é pacífica se deixar de lado a questão do trabalho e do medo do futuro, bem como a noção de que continuo presa a uma espécie de adolescência perpétua, uma mulher adulta que não se consegue emancipar e sair do ninho. Um sentimento já tão reprimido e uma realidade tão coercivamente aceite que nem penso mais nisso. Sair de casa dos pais é uma miragem e continuo penosamente numa travessia no deserto.
Pesei o clima, não foi? Falemos de coisas mais alegres. Em 2025, aproveitei para ir a mais peças de teatro e alguns solos de standup. Fui ao cinema uma única vez (#rip), logo ao início, para ver o Ainda Estou Aqui. Fui, pela primeira vez, a um concerto sozinha! No Verão, fui com a Margarida ver o Dr. Love ao vivo. Neste ano meio louco, meio limbo, meio sem perceber o que ando aqui a fazer, dei por mim nos camarins de um Teatro a cumprimentar com dois beijinhos o Rui Porto Nunes.
Foi neste ano que fiz 30 anos e recebi um Kobo de surpresa dos meus amigos todos - todos mesmo, incluindo os que, por força da distância, não estão tão próximos. Continuei esta jornada de entrega à minha escrita, alcancei os 100 subscritores em Abril e, entretanto, tripliquei (!!!) esse número! A meio do ano, fui conseguindo uns booms interessantes em termos de visibilidade das minhas Crónicas, com o Troikacore a chegar a patamares que eu nunca pensei, mas igualmente surpreendida por ver as minhas partilhas mais íntimas a ressoarem tanto a quem as minhas palavras chegaram. Obrigada!
Em termos de conquistas materiais, este ano ofereci-me um telemóvel novo porque o antigo estava mesmo a precisar de reforma. Fiz uma viagem internacional, embora pouco satisfatória. As obras do sótão acabaram, finalmente, e estou apenas a procrastinar mudar a secretária lá para cima e montar de vez o meu escritório. Faço planos de renovar o meu quarto, mas isso é tema para 2026. Mesmo no último mês do ano, parei de adiar e fui ao oftalmologista, portanto comprei uns óculos novos e que belos óculos! Estou maravilhada com esta compra, uma das minhas preferidas do ano e, quem sabe, da vida…?
Voltei ao meu adorado Alentejo. Descobri que gosto de jogar computador. Dei por mim bem lançada no meu desafio de leitura, embora tenha perdido ritmo na segunda metade do ano. Vi a série completa do Dr. House, foi a série anos 2000 que me prendeu este ano, o meu escapismo favorito. Continuei a ir à terapia, que entretanto mudou de horário, devolvendo-me os fins-de-semana livres.
Confesso que estou nostálgica, talvez um bocadinho para o triste, porque olho pela janela, está nublado, de chuva e frio. Tirei férias e nem à rua me apetece ir. Os dias estão a passar muito rápido, não estou a sentir aquela sensação de pausa que tanto procurei e, para ser sincera, não me apetece mesmo fazer nada. Nem é que tenha coisas para fazer, queria escrever um bocadinho só para mim, era isso, mas não tenho energia. Só quero descansar.
Apercebi-me de que 2025 foi mesmo o meu Ano Zero, o tal pelo qual eu tanto ansiei. O mais curioso ainda está a ser o facto de que, pela redes sociais da espiritualidade woo-woo, haver a informação de que 2025 foi um ano de fecho de ciclos. Que o próximo ano será mesmo Novo, o Ano 1. Uma pessoa quando está a precisar de esperança agarra-se a estas coisas, na dose certa também não vem mal ao mundo…
Desejo-vos um Fim de Ano tranquilo, divertido, junto de pessoas que vos fazem bem. Que se possam despedir de 2025 e entrar no Novo Ano de energias renovadas. Vêmo-nos em 2026!
Bom Ano! 🩵
Crónicas dos Réveillons passados






Bom ano e boas entradas.
Bom anoooo! 🥰✨