A responsabilidade do Poder Público sobre a morte de Rosânia e mais
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| ESQUENTOU A SEMANA |
Os anos de negligência que levaram a vida de Rosânia
O Conquista Repórter manifesta o seu mais profundo pesar e a sua irrestrita solidariedade à família, aos amigos e aos vizinhos de Rosânia Silva Borges, vítima fatal das enxurradas na Avenida Caracas, no bairro Jurema, na última segunda-feira, 9 de março.
Mãe de cinco filhos e moradora do bairro Vila América, Rosânia perdeu a vida ao tentar realizar uma tarefa simples e corriqueira: alterar a matrícula escolar de um dos seus filhos. O fato de uma saída banal ter se transformado numa tragédia fatal é algo que nos deve indignar. Mas, acima de tudo, o que nos revolta é saber que a morte de Rosânia era uma tragédia anunciada.
A vida de Rosânia não foi levada por uma chuva inesperada, mas por uma enxurrada de descaso público. Como as nossas reportagens e pesquisas acadêmicas da Uesb têm documentado, os alagamentos na Baixada do Jurema não são obras imprevisíveis da natureza. Registros apontam para estragos desde 1963.
São gerações inteiras, como a de Dona Edite, de Dona Maria e de tantos outros moradores, que convivem com o “medo da chuva”, com as paredes úmidas, com as perdas materiais sucessivas e com o pânico de verem as suas casas invadidas pela água. Enquanto a comunidade eleva passeios e constrói batentes de cimento numa tentativa de autodefesa, o poder público coleciona promessas e justificativas vazias.
A recusa em instalar um simples gradil de proteção no canal da Avenida Caracas, o mesmo que já havia arrastado outra vítima quatro meses antes, sob o pretexto de que acumularia lixo, é a prova cabal de que a burocracia e beleza tem valido mais do que a vida humana em Vitória da Conquista.
O município investiu milhões nos últimos anos através de financiamentos como o Finisa, asfaltando ruas que, sem a devida infraestrutura de drenagem, apenas agravam o escoamento descontrolado das águas. Ao mesmo tempo, engavetam-se planos de saneamento básico e ignora-se a urgência de soluções de drenagem sustentáveis, perpetuando o ciclo de sofrimento para quem vive na Baixada do Jurema.
Neste momento de imensa dor, a perda de Rosânia se junta à voz embargada dos moradores que questionam: “Cadê os órgãos públicos, as autoridades?”. A nossa equipe acompanhou de perto a angústia das buscas e a revolta legítima da comunidade, que se uniu para protestar e tentar fazer o que o Estado falhou em garantir, que é a proteção à vida.
À família de Rosânia, aos seus cinco filhos e a todos os moradores do Jurema que compartilham deste trauma coletivo, deixamos o nosso abraço mais fraterno e o nosso compromisso inabalável. O Conquista Repórter continuará a ampliar a voz de quem o poder público tenta silenciar com o esquecimento.
Não aceitaremos que a morte de Rosânia seja tratada como um mero dano colateral do clima. Continuaremos a cobrar que os recursos prometidos sejam efetivamente aplicados em obras de macro e microdrenagem, para que o Jurema deixe de viver sob o medo das nuvens e para que nenhuma outra família conquistense tenha de chorar uma perda que poderia, e deveria, ter sido evitada.
Que Rosânia descanse em paz, e que a sua memória seja o motor da justiça de que a nossa cidade tanto precisa.
| O QUE MAIS ROLOU |
Professora Letícia Magalhães obtém guarda unilateral do filho após mudança no relator do processo
O desembargador Raimundo Sérgio Sales Cafezeiro, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, restabeleceu a guarda unilateral de Kalu para a mãe, a professora Letícia Magalhães Fernandes, vítima de violência pelo ex-marido. O novo relator recebeu os embargos da docente, anulando a decisão anterior que favorecia o pai e destacou indícios consistentes de violência doméstica, afastando a guarda compartilhada por risco familiar. A mudança ocorreu após o desembargador José Cícero Landim Neto, que cuidava do caso, declarar-se suspeito por foro íntimo, após Letícia divulgar vídeo denunciando o ex-marido e o Judiciário por mandato de busca e apreensão da criança.
Prefeitura lança edital Evandro Correia para financiar projetos via Política Nacional Aldir Blanco
A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista publicou, nesta terça-feira (10), por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o Edital de Fomento Cultural Evandro Correia, com investimento de R$ 1 milhão oriundo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O edital vai selecionar 61 projetos culturais de agentes que atuam e residem em Vitória da Conquista há pelo menos três anos, em áreas como capoeira, audiovisual, teatro, dança, circo e artesanato. As inscrições podem ser feitas até 9 de abril.
Moradores de bairros afetados por enchentes cobram isenção do IPTU
Moradores dos bairros Lagoa das Flores e Jurema, em Vitória da Conquista, relatam pagar até R$ 600 de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), mesmo enfrentando problemas recorrentes de infraestrutura, como alagamentos e ruas sem pavimentação. Na Lagoa das Flores, moradores afirmam que, apesar de a região ter sido reconhecida como bairro pela Lei Municipal 952/1998, muitas vias ainda não possuem asfalto, nome oficial ou CEP.
| PRA FICAR DE OLHO |
Ministro Rui Costa rebate Sheila Lemos sobre recurso federal para obra na Avenida Caracas
A prefeita Sheila Lemos afirmou, na terça-feira (10), em vídeo publicado nas redes sociais, que a obra de intervenção no canal de drenagem da Avenida Caracas, no bairro Jurema, em Vitória da Conquista, foi inscrita no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em outubro do ano passado e aguarda liberação de recursos do governo federal. A declaração foi contestada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, que, em entrevista à Rádio UP FM, afirmou que os recursos já foram autorizados e que a liberação depende de etapas administrativas a serem concluídas pela Prefeitura.
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