Você
No escuro e no frio, na bagunça e no caos, buscando respostas prontas, um caminho certeiro. Querendo um pouco de alívio para o peso que dou a cada escolha que faço. Quem sabe um tarólogo, um guru, um astrólogo? Mas não há fórmulas, você diria, me provocando. Não há garantias, você insistiria, me lembrando do que eu me esforço para esquecer. Você colocaria sua mão sobre a minha, em um ato pacificador, como quem diz: você não está sozinha. Só você saberia que isso confortaria meu coração. Mas eu continuaria angustiada, com a mente que não para e o maxilar travado, em uma última tentativa de agarrar as possibilidades com a boca. Você me olharia nos olhos, bem profundamente, em um silêncio que gritaria em meus ouvidos: não é por aí. Você me abraçaria e deixaria que as lágrimas escorressem, pois é assim que você é, doce. E permitiria que a água transbordasse e aliviasse a tensão, mas apenas pelo tempo necessário, antes que eu me tornasse criança de novo. Você conhece muito bem o limite. Você honra o limite. E eu sentiria um nó desatando. Sentiria uma respiração mais profunda, me lembrando do que você sempre diz: hoje nada me falta. Ainda haveria um peso. Ainda assim haveria um desejo fantasioso de que alguém viesse para me salvar de mim. Mas você se manteria ali, imóvel. Ficaria um pouco mais. Presente. Calmo. Ao tentar agarrar o medo de novo, e não o deixar escapar, você interviria. Não permitiria que eu simplesmente alimentasse meus pensamentos intrusivos, que os deixassem fazer morada. Você, com seu jeito firme, não permitira que eu fosse menos do que eu poderia ser. E a isso eu chamaria amor.

De fora para dentro
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O tempo suficiente para não voltar a criança...
O tempo, o tanto necessário... até encontrar a leveza, a paz!
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