O óbvio
Também precisa ser dito
O que eu quero compartilhar?
Provavelmente, falar que o óbvio precisa ser dito é, por si só, uma obviedade. Mas não posso deixar de lembrar, também, que aquilo que é óbvio para nós, pode não ser para os outros.
Inclusive, lendo Para quando você acordar, da Bettina Bopp, me deparei com a seguinte passagem:
"Para quem sabe fazer, esses meus questionamentos devem ser absolutamente óbvios, ridículos e impensáveis" (Bopp, 2022, p. 137)
Cada um de nós tem seu conhecimento de mundo e é por isso que é importante evitarmos cair no pensamento de que “isso é óbvio”. Talvez não seja.
Este texto, contudo, nasce de frases que já ouvi e que “pareceriam óbvias até para uma criança”¹, mas que, de repente, foram ditas no momento em que eu precisava escutá-las e foram de grande ajuda.
A primeira delas foi há quase dez anos. Depois de certamente ter me escutado por um bom tempo, meu amigo me disse algo mais ou menos assim: “olha, isso pode ser um pouco óbvio, mas a gente precisa dar um passo de cada vez. Como andar. Um passo, depois o outro”.
Óbvio? Talvez sim, mas é essa frase que me ajuda quando quero dar conta do mundo e me lembro que “tenho apenas duas mãos”². E, desculpe, mas se você me conhece, provavelmente já a escutou saindo de minha boca.
A outra frase que quero trazer aqui me apareceu bem mais recentemente: era um texto (ou vídeo?) sobre procrastinação e a pessoa dizia que o que a ajudava era pensar que aquela atividade que ela precisava fazer levaria só cinco minutinhos, porque o problema é começar, mas depois que damos o primeiro passo, é fácil dar prosseguimento (um passo depois do outro, afinal).
Essa frase, confesso, não achei tão óbvia, mas fiquei um pouco descrente dela. Não imaginei que eu seria capaz de me enganar neste nível, mas veja só: às vezes funciona!
Quis compartilhar tudo isso por dois motivos: primeiro porque, de alguma forma, senti a necessidade de compartilhar esses dois “conhecimentos” (que, de repente, podem chegar na hora certa para alguém) e também porque achei que lembrar que o óbvio precisa ser dito também pudesse ser necessário a esta altura do campeonato (sobretudo quando é fácil revirar os olhos para pessoas que parecem estar dizendo o óbvio, sendo que talvez a gente é que esteja buscando o conteúdo errado).
E então, que frase “óbvia” você já escutou, mas que te ajudou de alguma forma?
¹. Trecho da música Por onde andei, do Nando Reis.
². Verso do poema Sentimento do mundo, do Carlos Drummond de Andrade.
O que ando lendo?
Em julho, por estar de férias, consegui ler a duologia Ela não é minha irmã e Ela era minha amiga, da autora Any Oliveira, além de ler o lançamento Voand’O baixo, do Willy Verdaguer.
Minhas leituras atuais são o Para quando você acordar (Bettina Bopp) e ainda o Farmácia Literária (Susan Elderkin e Ella Berthoud).
Talvez você não acredite, mas em julho também consegui dar uma boa limpada nas newsletters acumuladas! Ainda não zerei, mas cheguei na metade. Já é alguma coisa, né? E, dentre as leituras feitas, gostaria de destacar algumas (senta que a lista é longa):
As newsletters do Tiago são sempre recheadas de coisas incríveis, mas esta aqui toca em duas coisas bem interessantes: o quanto o perfeccionismo pode nos atrapalhar e o quanto negligenciamos o nosso cansaço. E eu também não poderia deixar de destacar esta edição aqui, que fala sobre a importância (talvez óbvia?) de tirarmos nossos planos do papel, sem esperar que eles saiam perfeitos logo de cara. Ah, e também tem esse texto, com uma bela pergunta para refletirmos sobre o excesso de racionalização, além de uma sugestão para tentarmos ler mais (livro em papel).
Tenho três textos do Rodrigo Casarin para indicar: um no qual ele fala que também é importante criticar as leituras que queremos criticar; seguindo uma temática muito parecida, o segundo texto é um no qual ele fala sobre o que usamos para medir se algo é bom e, por fim, uma reflexão sobre o sucesso da Bienal do Livro, num país com cada vez menos leitores (e aquela importante reflexão de sempre: comprar livros é diferente de ler livros).
Esse texto aqui da Anna Vitória fala sobre viajar, mas pode se aplicar a tanta coisa em nossa vida… Gostei do quanto ele me deixou pensando.
A Fernanda também tem uma newsletter muito bacana para você que adora livros, filmes, cafés e… cultura italiana! A edição de junho está muito linda.
A May Santos escreveu um texto que já é pedrada logo no título: você escuta para responder ou para compreender? Bem necessário nos nossos dias.
Aí veio a Clayci Oliveira e mandou outra pedrada extremamente necessária: e você, como tá de verdade?
Apaixonada e ferrenha defensora de arte, fiquei extremamente tocada com esta edição da Viva mais Cultura.
Por outro lado, me tocou de maneira triste (porque, em pleno 2025, é meio absurdo pensar que isso ainda seja extremamente necessário) ler Maria Freitas explicando porque tem dois perfis diferentes para o seu trabalho.
Por fim, esse texto do Thiago é um abraço, principalmente para você que também se sentia um adolescente deslocado.
* Lembrando que todos os links da Amazon que você encontra por aqui e pelo Blog são comissionados, ou seja, eu recebo uma pequena parte do valor da venda e posso usar esse dinheiro para investir nas coisas que escrevo. Você não paga nada a mais por isso, ok?
O que andei postando?
Jurava que, sendo férias, em julho eu não só postaria bonitinho ao longo do mês, como também deixaria futuros posts agendados. Que engano! Foi mais um mês atropelado e as postagens que saíram foram apenas:
Violeta — Abraão Nóbrega: resenha desta obra que é uma mistura de fofura com temas necessários.
TAG do condomínio: uma brincadeira misturando livros e momentos/personagens de todo condomínio.
E se não fosse um sonho — Tayana Alvez: mais uma obra deliciosa da Tayana, com um plot que me deixou de queixo caído.
Citações #95 — Fisiologia do amor: mais alguns trechos deste livro surreal, mas muito lindo.
O que eu fiz por aí?
Em julho estive novamente na capital mineira e se você já leu meu post O que tem para fazer em Belo Horizonte, deve imaginar que não tenho do que reclamar.
Além disso, fiz outra coisa que queria fazer há muito tempo: andei de patins! Que sensação maravilhosa, né? E fazer isso num local fechado e com piso mais liso (não no asfalto) dá uma segurança ótima para se reapaixonar.
Outra coisa que fiz em julho foi participar da primeira edição do Literacidade, um encontro para ocupar a cidade e… Ler! Se quiser saber mais sobre isso, fique de olho na newsletter da Nati.
Bora fechar com uma música?
Já que usei um trecho dela nesta edição, nada mais justo que escolher esta música para fechar a newsletter de julho:


O dia da sua newsletter é o dia em que eu separo leituras pro mês inteiro!
Mas pensando nos passos que precisam ser dados um de cada vez, lembrei do meu novo estilo de vida: separar meia hora pra fazer as coisas. Coloco meia no cronômetro e foco no que tenho que fazer. Eu sempre começo pensando que a tarefa é longa demais e meia hora não vai fazer nem cosquinha, mas a verdade é que eu sempre termino ou fico muito perto de terminar depois de trinta minutos. Acho que a ideia de fazer tudo muito bem ou que a tarefa é longa impede que lembremos que as coisas só acontecem depois que a gente começa, né?
Tati, meu primeiro comentário num post seu. Eu tenho uma pasta no meu email na qual eu guardo os posts do Tatianices, do Napolitano e do Sob granizos pra ler "quando tiver um tempinho" e este já tinha passado da hora de ler. Perdão pela demora, mas acho que veio na hora certa, como você diz no texto.
Eu achei muito interessante quando você também diz que "Cada um de nós tem seu conhecimento de mundo e é por isso que é importante evitarmos cair no pensamento de que “isso é óbvio”. Talvez não seja." porque isso é colocar-se no lugar do outro, de desenvolver uma empatia a ponto de entender que as pessoas são diferentes. Não importa o quanto gostem das mesmas coisas, pensem igual, frequentem os mesmos lugares o tenham a mesma formação acadêmica, sempre vai ter um ponto de diferença que as singulariza e eu entendo que é nesse ponto que devemos tentar a compreensão da não obviedade.
Suas palavras foram o ponto de partida pra várias reflexões na minha cabecinha rsrs obg, minha amiga!