O procurador-geral, Gabriel Guy Léger, coordenador do compilado dos estudos, formados por três relatórios com quase 1.000 páginas, ressalta que o levantamento representou um primeiro passo para o enfrentamento das consequências climáticas. “A preocupação inicial do projeto é justamente promover conscientização institucional acerca da importância da proteção e defesa civil enquanto política pública permanente, estimulando os municípios a compreenderem a necessidade de estruturação local de suas COMPDECs (Coordenadorias Municipais de Proteção da Defesa Civil), fortalecimento da gestão da informação, elaboração de planos de contingência e desenvolvimento de ações preventivas e de preparação da população”, explica o agente público.
O procurador-geral, Gabriel Guy Léger, coordenador do compilado dos estudos, formados por três relatórios com quase 1.000 páginas, ressalta que o levantamento representou um primeiro passo para o enfrentamento das consequências climáticas. “A preocupação inicial do projeto é justamente promover conscientização institucional acerca da importância da proteção e defesa civil enquanto política pública permanente, estimulando os municípios a compreenderem a necessidade de estruturação local de suas COMPDECs (Coordenadorias Municipais de Proteção da Defesa Civil), fortalecimento da gestão da informação, elaboração de planos de contingência e desenvolvimento de ações preventivas e de preparação da população”, explica o agente público.
O estudo é o primeiro do Estado a mapear a situação de cada um dos 399 municípios e partiu dos dados da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná (CEDEC-PR). “O processo permitiu avanço relevante na profundidade e qualidade das informações analisadas pelo projeto. A CEDEC-PR é reconhecida nacionalmente como modelo de estrutura de proteção e defesa civil e vem contribuindo de maneira decisiva para o amadurecimento dos estudos desenvolvidos pelo MPC-PR”, aponta o levantamento.
Estrutura da Defesa Civil nos municípios do Paraná
Os dados, fornecidos pela Coordenadoria de Defesa Civil em 1º de abril de 2026, revelam números que demandam atenção. O procurador-geral Gabriel Guy Léger pontua que em apenas 121 municípios — o equivalente a aproximadamente 30,3% do total — o levantamento encontrou a “estrutura mínima completa” dentro dos critérios objetivos adotados pelo estudo, ou seja, com Coordenador Municipal, Diretor Operacional e Secretário formalmente designados.
Por outro lado, 159 municípios — cerca de 39,8% dos municípios paranaenses — possuíam apenas o coordenador municipal formalmente designado, sem diretor operacional e sem secretário de Defesa Civil cadastrados no sistema.
Em números absolutos, dos 399 municípios do Estado, 278 ainda não possuíam designação simultânea para as três funções analisadas pelo levantamento, além de 2 municípios que não possuíam nenhum servidor responsável pela defesa civil municipal.
Paraná mapeou mais de 2 mil áreas de risco
O estudo apontou ainda que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil tem 2.052 áreas de atenção mapeadas em todo o território estadual. Destas, 873 áreas estão associadas a inundações e alagamentos (com aproximadamente 78 mil residências e 473 mil pessoas potencialmente afetadas), 645 relacionadas a enxurradas ou eventos hidrológicos intensos (com cerca de 30 mil residências e 253 mil pessoas potencialmente afetadas); e 534 associadas a deslizamentos (com cerca de 13 mil residências e 138 mil pessoas potencialmente afetadas).
Desse total, destacam-se 390 registros de ocorrências com sobreposição em áreas de atenção” em 112 municípios, compreendendo 67 áreas de inundação, 69 áreas de deslizamento e 254 de alagamento.
Confira os municípios com estrutura completa da Defesa Civil:
- Adrianópolis,
- Altamira do Paraná,
- Alto Piquiri,
- Antônio Olinto,
- Ângulo,
- Apucarana,
- Arapuã,
- Araruna,
- Ariranha do Ivaí,
- Astorga,
- Atalaia,
- Balsa Nova,
- Bandeirantes,
- Bom Sucesso,
- Braganey,
- Brasilândia do Sul,
- Cafeara,
- Cambira,
- Campina da Lagoa,
- Campo Mourão,
- Castro,
- Catanduvas,
- Colorado,
- Corbélia,
- Cruzeiro do Iguaçu,
- Cruzeiro do Sul,
- Cândido de Abreu,
- Diamante d’Oeste,
- Douradina,
- Doutor Camargo,
- Engenheiro Beltrão,
- Entre Rios do Oeste,
- Farol,
- Faxinal,
- Figueira,
- Floraí,
- Floresta,
- Flórida,
- Foz do Iguaçu,
- General Carneiro,
- Godoy Moreira,
- Guamiranga,
- Ibema,
- Iguaraçu,
- Iguatu,
- Iporã,
- Iracema do Oeste,
- Iretama,
- Itaguajé,
- Itaipulândia,
- Itambé,
- Ivatuba,
- Jandaia do Sul,
- Japira,
- Jardim Alegre,
- Jardim Olinda,
- Kaloré,
- Lidianópolis,
- Lindoeste,
- Lobato,
- Londrina,
- Luiziana,
- Mamborê,
- Mandaguaçu,
- Manoel Ribas,
- Marechal Cândido Rondon,
- Marialva,
- Mariluz,
- Marilândia do Sul,
- Maringá,
- Marumbi,
- Mauá da Serra,
- Medianeira,
- Mirador,
- Moreira Sales,
- Munhoz de Melo,
- Nova Esperança,
- Nova Tebas,
- Ourizona,
- Ouro Verde do Oeste,
- Paranacity,
- Paranaguá,
- Paranapoema,
- Pato Bragado,
- Peabiru,
- Perobal,
- Pinhalão,
- Porto Vitória,
- Presidente Castelo Branco,
- Prudentópolis,
- Quatro Pontes,
- Quedas do Iguaçu,
- Querência do Norte,
- Ramilândia,
- Rancho Alegre d’Oeste,
- Rio Bom,
- Rio Branco do Ivaí,
- Roncador,
- Rosário do Ivaí,
- Santa Cecília do Pavão,
- Santa Fé,
- Santa Isabel do Ivaí,
- Santa Lúcia,
- Santa Terezinha de Itaipu,
- Santo Antônio da Platina,
- Santo Inácio,
- Sarandi,
- Sengés,
- Serranópolis do Iguaçu,
- Sertanópolis,
- São Jorge do Ivaí,
- São Jorge do Patrocínio,
- São João do Ivaí,
- São Miguel do Iguaçu,
- Tapira,
- Terra Roxa,
- Toledo,
- Tomazina,
- Ubiratã,
- Uniflor,
- Wenceslau Braz.
Segundo o estudo, essa distribuição observada sugere que fatores relacionados à priorização administrativa da política de proteção e defesa civil, ao histórico de recorrência de desastres e ao grau de institucionalização local podem exercer influência mais significativa sobre a composição formal das COMPDECs do que propriamente o contingente populacional do município.
Municípios com apenas um coordenador designado
- Abatiá,
- Agudos do Sul,
- Almirante Tamandaré,
- Alto Paraná,
- Altônia,
- Alvorada do Sul,
- Amaporã,
- Ampére,
- Andirá,
- Arapongas,
- Arapoti,
- Araucária,
- Barracão,
- Bela Vista da Caroba,
- Bela Vista do Paraíso,
- Boa Esperança,
- Boa Esperança do Iguaçu,
- Bocaiúva do Sul,
- Bom Jesus do Sul,
- Bom Sucesso do Sul,
- Borrazópolis,
- Cambará,
- Cambé,
- Campo do Tenente,
- Campo Largo,
- Campo Magro,
- Candói,
- Cantagalo,
- Carlópolis,
- Cascavel,
- Cerro Azul,
- Clevelândia,
- Colombo,
- Congonhinhas,
- Conselheiro Mairinck,
- Contenda,
- Cornélio Procópio,
- Cruzeiro do Oeste,
- Cruzmaltina,
- Curitiba (*)
- Diamante do Norte,
- Doutor Ulysses,
- Enéas Marques,
- Esperança Nova,
- Fazenda Rio Grande,
- Flor da Serra do Sul,
- Florestópolis,
- Foz do Jordão,
- Francisco Alves,
- Goioxim,
- Guairaçá,
- Guapirama,
- Guaraci,
- Guaraniaçu,
- Guarapuava,
- Guaraqueçaba,
- Ibaiti,
- Ibiporã,
- Icaraíma,
- Indianópolis,
- Inácio Martins,
- Ipiranga,
- Itambaracá,
- Itapejara do Oeste,
- Ivaí,
- Jaguapitã,
- Jaguariaíva,
- Janiópolis,
- Jataizinho,
- Jesuítas,
- Lapa,
- Laranjal,
- Laranjeiras do Sul,
- Leópolis,
- Loanda,
- Mandirituba,
- Maria Helena,
- Marilena,
- Mariópolis,
- Marmeleiro,
- Marquinho,
- Matelândia,
- Mato Rico,
- Nova Aurora,
- Nova Cantu,
- Nova Esperança do Sudoeste,
- Nova Fátima,
- Nova Prata do Iguaçu,
- Nova Santa Bárbara,
- Novo Itacolomi,
- Ortigueira,
- Paiçandu,
- Palmital,
- Palotina,
- Paranavaí,
- Paulo Frontin,
- Pinhais,
- Piraquara,
- Pitanga,
- Pitangueiras,
- Piên,
- Planaltina do Paraná,
- Planalto,
- Pontal do Paraná,
- Porecatu,
- Porto Amazonas,
- Porto Barreiro,
- Prado Ferreira,
- Pranchita,
- Primeiro de Maio,
- Pérola D’Oeste,
- Quarto Centenário,
- Quatiguá,
- Quatro Barras,
- Quitandinha,
- Realeza,
- Renascença,
- Reserva,
- Reserva do Iguaçu,
- Ribeirão Claro,
- Ribeirão do Pinhal,
- Rio Azul,
- Rio Bonito do Iguaçu,
- Rio Branco do Sul,
- Rio Negro,
- Salgado Filho,
- Salto do Lontra,
- Santa Amélia,
- Santa Cruz de Monte Castelo,
- Santa Izabel do Oeste,
- Santa Maria do Oeste,
- Santo Antônio do Caiuá,
- Santo Antônio do Paraíso,
- Sapopema,
- Saudade do Iguaçu,
- Sertaneja,
- Siqueira Campos,
- Sulina,
- São Carlos do Ivaí,
- São Jerônimo da Serra,
- São José da Boa Vista,
- São José das Palmeiras,
- São José dos Pinhais,
- São João,
- São João do Caiuá,
- São João do Triunfo,
- São Mateus do Sul,
- São Pedro do Paraná,
- Tamboara,
- Teixeira Soares,
- Telêmaco Borba,
- Terra Rica,
- Tibagi,
- Tijucas do Sul,
- Tunas do Paraná,
- Ventania,
- Virmond,
- Vitorino,
- Xambrê.
(*) Curitiba. O dados foram coletados em fevereiro e abril deste ano. Em 1º de junho, Curitiba apresentou um plano para o enfretamento do El Niño, com a criação de um comitê gestor especialmente para coordenar ações de prevenção.
Conforme a análise, nesses casos, as atribuições relacionadas à proteçã
o e defesa civil tendem a concentrar-se em um único agente público. Conforme o relatório, isso pode vir a limitar a capacidade de planejamento, a execução simultânea de ações e o acompanhamento sistemático das ocorrências. “A centralização funcional, nessas condições, representa potencial fator de vulnerabilidade institucional, especialmente em contextos que demandam atuação concomitante em múltiplas frentes, indicando estrutura de pessoal ainda reduzida ou em processo de consolidação.”
Municípios com Coordenador + Secretário:
- Alto Paraíso,
- Anahy,
- Antonina,
- Assaí,
- Assis Chateaubriand,
- Bituruna,
- Boa Ventura de São Roque,
- Cafelândia,
- Campo Bonito,
- Capanema,
- Carambeí,
- Centenário do Sul,
- Chopinzinho,
- Cianorte,
- Cidade Gaúcha,
- Colombo,
- Coronel Vivida,
- Cruz Machado,
- Cruzeiro do Oeste,
- Dois Vizinhos,
- Formosa do Oeste,
- Francisco Beltrão,
- Guaíra,
- Guaratuba,
- Ibaiti,
- Imbaú,
- Imbituva,
- Ivaiporã,
- Jacarezinho,
- Jandaia do Sul,
- Joaquim Távora,
- Juranda,
- Lindoeste,
- Mallet,
- Mangueirinha,
- Mariópolis,
- Marmeleiro,
- Matinhos,
- Missal,
- Moreira Sales,
- Nova América da Colina,
- Nova Esperança,
- Nova Londrina,
- Nova Santa Rosa,
- Nova Santa Bárbara,
- Palmas,
- Palmital,
- Palotina,
- Pinhão,
- Piraí do Sul,
- Planalto,
- Pontal do Paraná,
- Porecatu,
- Porto Rico,
- Quedas do Iguaçu,
- Rebouças,
- Ribeirão do Pinhal,
- Rio Negro,
- Santa Helena,
- Santa Mariana,
- Santa Mônica,
- Santa Tereza do Oeste,
- Santa Terezinha de Itaipu,
- Santo Antônio do Sudoeste,
- São João do Ivaí,
- São Jorge d’Oeste,
- São Pedro do Iguaçu,
- São Pedro do Paraná,
- Sarandi,
- Siqueira Campos,
- Terra Boa,
- Terra Rica,
- Tibagi,
- Toledo,
- Três Barras do Paraná,
- Ubiratã,
- União da Vitória.
Municípios com Coordenador + Diretor Operacional:
- Barbosa Ferraz,
- Barra do Jacaré,
- Boa Vista da Aparecida,
- Cafezal do Sul,
- Califórnia,
- Campina do Simão,
- Campina Grande do Sul,
- Capitão Leônidas Marques,
- Coronel Domingos Soares,
- Corumbataí do Sul,
- Cruzmaltina,
- Diamante do Sul,
- Fernandes Pinheiro,
- Figueira,
- Guamiranga,
- Iretama,
- Itaperuçu,
- Laranjal,
- Lidianópolis,
- Mandaguari,
- Marilândia do Sul,
- Mato Rico,
- Nova Tebas,
- Ortigueira,
- Porto Vitória,
- Rio Branco do Ivaí,
- Rosário do Ivaí,
- Santa Maria do Oeste,
- São João do Triunfo,
- São Mateus do Sul,
- Turvo,
- Ventania,
- Virmond.
Municípios com estruturas menores
Foram identificados, ainda, de forma residual, municípios sem Coordenador formalmente designado — sendo 01 município com Diretor Operacional e Secretário, mas sem Coordenador (Céu Azul), e 01 município apenas com Secretário (Paraíso do Norte) —, situação que revela possível inconsistência estrutural, ao manter funções auxiliares dissociadas da função central de coordenação.
Municípios sem nenhuma pessoa designada
Essa situação foi identificada nos Municípios de Santa Inês e Itaperuçu, em abril deste ano. Trata-se de quadro de fragilidade estrutural crítica, caracterizado pela inexistência de referências formais mínimas para organização, coordenação e execução da política municipal de proteção e defesa civil, conforme aponta o estudo.
A ausência simultânea desses cargos pode comprometer diretamente o exercício das atribuições municipais legalmente previstas, com reflexos sobre a capacidade de atuação nas fases de prevenção, preparação, resposta e recuperação.
Do ponto de vista operacional, tal condição pode dificultar o registro e a atualização de informações nos sistemas oficiais, a instrução de processos de reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública e o acesso a mecanismos de apoio técnico e financeiro.
Trabalho foi estruturado em três etapas
O levantamento desenvolvido pelo Ministério Público de Contas do Paraná foi estruturado em três etapas sucessivas. O Relatório Técnico nº 01/2026 abordou essencialmente questões atinentes planejamento urbano, concentrando-se especialmente na análise de instrumentos relacionados ao Estatuto da Cidade, aos Planos Diretores Municipais e à incorporação da gestão de riscos dentro do planejamento urbano local.
O primeiro diagnóstico identificou a existência de mapeamento de áreas de risco, integração entre Defesa Civil e planejamento urbano, instrumentos de prevenção e dificuldades enfrentadas pelos municípios na implementação dessas políticas públicas.
Em síntese, o trabalho revelou precárias estruturas de estruturas de defesa civil locais e a ausência na perda de integração de instrumentos essenciais de gestão de risco (plano municipal de redução de risco e plano diretor, por exemplo), além de fragilidades quanto ao planejamento, capacidade administrativa e de cultura institucional pouco orientada à prevenção e gestão de riscos.
O segundo Relatório Técnico nº 02/2026 aprofundou a análise sobre a gestão da informação relacionada aos desastres, especialmente quanto à utilização dos sistemas oficiais SISDC (Sistema Informatizado da Defesa Civil) e o S2iD (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres). O estudo analisou registros estaduais e federais relacionados aos eventos ocorridos no Paraná durante o ano de 2025, identificando padrões de inconsistência, divergências entre bases de dados e impactos decorrentes da ausência ou inadequação de informações nos sistemas oficiais.
Por meio do cruzamento de informações foi possível observar que apenas no exercício de 2025, mais de R$ 52 milhões em prejuízos estimados deixaram de ser informados ao sistema federal. A subnotificação de ocorrências revela a fragilidade na gestão da informação.
A ausência de reconhecimento federal impacta diretamente no acesso de benefícios sociais e previdenciários, por exemplo, já que o reconhecimento federal é necessário para viabilizar o acesso a: saque calamidade do FGTS, antecipação de benefícios assistenciais e previdenciários, incluindo o Benefício de Prestação Continuada (BPC), refinanciamento de dívida agrícola além de outras medidas excepcionais de apoio financeiro e social eventualmente disponibilizadas pelos governos federal.
Retrato da estrutura da Defesa Civil Municipal no Paraná
Já o último Relatório Técnico nº 03/2026 trouxe informações relacionadas estruturação de pessoal na Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. Este foi elaborado a partir do cruzamento de diferentes bases de dados oficiais e eminentemente com dados abertos constantes no site da CEDEC. Os dados considerados foram coletados entre 2025 e 2025.
O levantamento utilizou informações relacionadas aos desastres registrados no Paraná nos últimos dez anos, incluindo recorrência dos eventos extremos, tipos de desastres mais frequentes, população afetada e prejuízos estimados, a partir do cruzamento de dados estaduais e federais constantes no SISDC e no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Prejuízos com desastres climáticos entre 2015 e 2025
Os números acima apontam que a estiagem, embora não figure entre os eventos mais recorrentes, concentra o maior volume de prejuízos estimados, superando significativamente os demais tipos de desastres. Por outro lado, ainda que o impacto econômico por ocorrência seja proporcionalmente inferior no caso de tempestades com vendaval, a elevada frequência e a ampla distribuição territorial atingem grande número de municípios, além de população afetada muito superior em comparação à estiagem.
Essa distinção dos fenômenos evidencia que a análise dos desastres não pode se limitar à consideração isolada de um único fator — seja a frequência das ocorrências, seja o volume dos prejuízos. Ao contrário, exige leitura integrada da natureza dos eventos, de sua distribuição territorial e de seus efeitos sociais e econômicos, de modo a permitir compreensão mais precisa das necessidades concretas de cada localidade.
Entre 2015 e 2025, o período analisado, os municípios que com maior quantidade de ocorrências registradas são: Curitiba (141 ocorrências), Londrina (95), Ponta Grossa (91), Foz do Iguaçu (88), São José dos Pinhais (87), Cascavel (82), Guaratuba (72), Maringá (69), Guarapuava (68), Campo Largo (67), Araucária (63), Umuarama (59), Capitão Leônidas Marques (56), Almirante Tamandaré (55), Guaraqueçaba (48), Francisco Beltrão (48), Rio Branco do Sul (48), Morretes (47), Prudentópolis (47), Campina Grande do Sul (46), Paranaguá (46) e Colombo (45).
As ocorrências registradas nestes municípios correspondem a 25% do total do período. Em se tratando da tipologia, a amostra quantitativa analisada evidencia a predominância, no período de 2015 a 2025, de eventos associados a fenômenos meteorológicos e hidrológicos.
O mapa acima permite identificar padrões distintos de distribuição, com maior densidade de registros na Região Metropolitana de Curitiba e no litoral, bem como nas regiões Oeste e Sudoeste, Norte e Noroeste e em áreas da região Centro-Sul do Estado.